<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643</id><updated>2012-02-10T15:35:05.466Z</updated><title type='text'>Teatro Anatómico</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>802</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3674051747045548030</id><published>2012-02-07T15:46:00.008Z</published><updated>2012-02-07T17:12:23.642Z</updated><title type='text'>É uma sorte que Fevereiro tenha 29 dias</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_QyRyatmr6oE/SmObTq12loI/AAAAAAAACCE/Ww9OqioLpbY/s400/tapies_sillon.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 308px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_QyRyatmr6oE/SmObTq12loI/AAAAAAAACCE/Ww9OqioLpbY/s400/tapies_sillon.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Imagem: Sillon, de Antoni Tàpies&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li a frase “é uma sorte que Fevereiro tenha mais um dia” e, perceberão porquê, lembrei-me do primeiro-ministro Passos Coelho e daquela tirada carnavalesca de ontem, na qual o governante anti-piegas explicava que a transformação do Carnaval num dia de trabalho terá um impacte na economia nacional facilmente estimável, bastando dividir o produto interno bruto pelos dias úteis do ano (ou algo que o valha). Com alguma sorte, Fevereiro de 2012 há-de ser, assim, um mês febril e inesquecível na história da economia portuguesa, ao qual se poderá tributar, inclusive, o feito de ter posto os deputados da república todos a trabalhar, conforme a intenção já reiterada. Talvez, pois, a assembleia venha mesmo a estar mergulhada em labor por um dia sem exemplo, e a cheirar profundissimamente a suor. Mas a frase, aquela frase, “é uma sorte que Fevereiro tenha mais um dia”, li-a no blogue &lt;a href="http://weblogs.clarin.com/revistaenie-testigoocular/"&gt;Testigo Ocular&lt;/a&gt;, do pintor argentino Eduardo Iglesias Brickles, o qual se propõe aproveitar o mês de Fevereiro para reflectir lentamente no seu trabalho e desenvolver alguns esboços. Foi escrita, a frase, no passado domingo, dia 5, no mesmo dia em que morreu outro artista, Fernando Lanhas. E logo na segunda-feira morreu também Antoni Tàpies, o catalão, também cultor do abstraccionismo. Os tempos, já se sabe, são positivistas e concretos até mais não, divide-se o produto interno bruto pelo número de dias úteis e eis o que vale um país. Fevereiro, mostra o calendário, terá 29 dias e nenhum feriado de Carnaval. Não se sabe ainda quantos pintores abstractos morrerão. Este, em todo o caso, não é o tempo deles. Nem o nosso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3674051747045548030?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3674051747045548030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3674051747045548030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3674051747045548030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3674051747045548030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/02/e-uma-sorte-que-fevereiro-tenha-29-dias.html' title='É uma sorte que Fevereiro tenha 29 dias'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_QyRyatmr6oE/SmObTq12loI/AAAAAAAACCE/Ww9OqioLpbY/s72-c/tapies_sillon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8712505745965431695</id><published>2012-02-06T09:48:00.002Z</published><updated>2012-02-06T09:52:49.996Z</updated><title type='text'>Realidade aumentada*</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_wwMvHy18mD4/S8tTNa2MPvI/AAAAAAAAACE/oGFZAkenVpQ/s1600/Anonymous-Paradise-Beach-331530.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 398px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_wwMvHy18mD4/S8tTNa2MPvI/AAAAAAAAACE/oGFZAkenVpQ/s1600/Anonymous-Paradise-Beach-331530.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sensibilizado pela instalação artística que, na semana passada, encheu o belo casarão rosado de Serralves de grotescas pichagens virtuais – que (felizmente) não estavam lá, mas podiam ser vistas graças a um dispositivo electrónico –, pretendia dedicar esta crónica às potencialidades da dita “realidade aumentada”. Imaginei, assim, um mundo em que aquela tecnologia fosse tão comum como a dos telemóveis, permitindo que qualquer cidadão fosse confrontado apenas com uma versão modificada dos factos. Porém, em vez de vermos bonitos edifícios estragados por grafitos, seríamos agraciados com uma versão cor-de-rosa da realidade, a qual, por exemplo, nos evitaria a impressão de que as políticas laborais e sociais do século XXI são muitíssimo parecidas com as do século XVIII. Em vez de austeridade e empobrecimento, teríamos dinheiro no bolso. Ao apanhar sol, em Agosto, sentados nos penedos do Canidelo, olharíamos ao redor e veríamos uma paisagem exótica digna das ilhas privadas do Pacífico. E quando escutássemos algum governante a exortar ao esforço e à participação de todos, teríamos a vaga ideia de que, no tempo das vacas gordas, as benesses, mordomias, tachos e negociatas foram também distribuídas com equilíbrio – e não de modo a transformar Portugal num país com (ainda) maiores clivagens sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ainda a explorar as possíveis aplicações desta tecnologia quando fui desviado por um exemplo prático de realidade aumentada – infelizmente na mesma versão destruidora disponibilizada por Serralves. Vi no Facebook a imagem de uma campanha de “renovação cultural” que a FNAC estava a promover, a qual propunha aos clientes que trocassem &lt;em&gt;Os Maias&lt;/em&gt;, de Eça de Queiroz, pelo &lt;em&gt;Amanhecer&lt;/em&gt;, de Stephanie Meyer. Neste caso, porém, a abracadabrante campanha existia mesmo e, em traços genéricos, convidava os clientes a entregarem Carlos e Maria Eduarda, Tomás de Alencar e Dâmaso Salcede, recebendo em troca cinco euros para gastar nos enredos de Bella, Edward e da restante alcateia de lobisomens e vampiros (que podem servir para manter entretidos os adolescentes que ainda insistam no hábito bizarro de ler, mas dificilmente hão-de ser lidos daqui a cem anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que, quando escreveu que “ver aquilo que está à frente do nariz requer uma luta constante”, George Orwell não estivesse a defender a necessidade de enfiar o óbvio pela goela do consumidor abaixo. Estaria, antes, a prescrever a conveniência de perscrutar as aparências e de descobrir, por trás dos posters, das ilusões e das parangonas, aquela que é a verdade mais próxima, livre ainda dos truques da realidade aumentada e manipulada. &lt;em&gt;1984&lt;/em&gt; é (também) sobre isto. Apesar da falsificação das evidências promovida pelos beneficiários do pensamento único, Winston Smith consegue, a dado passo, perceber a existência miserável em que vive. E rebela-se. Exactamente como ontem se rebelaram aqueles que viram apagadas do Facebook as críticas feitas à campanha da FNAC. Insistiram e a promoção caiu. Um dia sucederá com coisas mais sérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 31 de Janeiro de 2012 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8712505745965431695?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8712505745965431695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8712505745965431695' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8712505745965431695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8712505745965431695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/02/realidade-aumentada.html' title='Realidade aumentada*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_wwMvHy18mD4/S8tTNa2MPvI/AAAAAAAAACE/oGFZAkenVpQ/s72-c/Anonymous-Paradise-Beach-331530.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-1843190928596924891</id><published>2012-02-05T15:11:00.006Z</published><updated>2012-02-05T15:27:09.825Z</updated><title type='text'>Um sorriso que vale por mil palavras</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-DUyIi_z3330/TwZ7DtCG7wI/AAAAAAAAG5M/uSKLkb0P904/s1600/Berenice+Bejo+in+The+Artist.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 494px; height: 330px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-DUyIi_z3330/TwZ7DtCG7wI/AAAAAAAAG5M/uSKLkb0P904/s1600/Berenice+Bejo+in+The+Artist.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Artista&lt;/span&gt;, de Michel Hazanavicius, é um exercício cinematográfico interessante, não tanto por evitar as inovações tecnológicas dos últimos cem anos, mas sobretudo por recuperar a pureza do acto de contar uma história com simplicidade e eficácia, prestando tributo à sublime arte do melodrama e homenageando as vítimas e os inadaptados que todos os solavancos técnicos acabam por provocar. A banda-sonora é impecável. Tem meia dúzia de pormenores absolutamente deliciosos. E o sorriso de Bérénice Bejo, convenhamos, vale por mais de mil palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-1843190928596924891?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/1843190928596924891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=1843190928596924891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1843190928596924891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1843190928596924891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/02/um-sorriso-que-vale-por-mil-palavras.html' title='Um sorriso que vale por mil palavras'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DUyIi_z3330/TwZ7DtCG7wI/AAAAAAAAG5M/uSKLkb0P904/s72-c/Berenice+Bejo+in+The+Artist.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4906535367309572819</id><published>2012-02-02T14:06:00.001Z</published><updated>2012-02-02T14:08:23.828Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#109</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 504 cruzou-se comigo à hora do costume, o 201 também passou pontualmente ("à tabela", como dizia o meu avô). Deixei-me, por isso, e apesar da greve dos transportes, ficar na paragem à espera do autocarro habitual, eu e a senhora grávida, encolhidos de frio ambos, como se fosse um dia como outro qualquer. Como um caçador núbio numa estepe de África, espraiei o olhar pela avenida e pareceu-me avistar, ao longe, o 502 brilhando numa nesga de sol que corria entre os edifícios. Um minuto, dois, três e eis que o autocarro desponta, pontualíssimo, e vem, fiel e regular, indiferente aos cortes orçamentais, ao aumento nos passes e a todas as demais misérias da austerocracia. Entrei. O 502 vinha quase vazio. Cheguei a ficar com a impressão, pelos visto errada, de que não foram, afinal, os motoristas a fazer a greve, mas sim os utentes. É pena. Talvez as coisas se resolvam mais facilmente, e a bem de todos, no dia em que forem os clientes a boicotar os austeros serviços públicos que, no fim de contas, financiamos com os nossos impostos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4906535367309572819?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4906535367309572819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4906535367309572819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4906535367309572819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4906535367309572819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/02/cronicas-do-autocarro109.html' title='Crónicas do autocarro#109'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8787859975351336333</id><published>2012-01-31T23:45:00.004Z</published><updated>2012-01-31T23:56:32.934Z</updated><title type='text'>Onde foi que já vimos isto?</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Ao impor cortes na segurança social dos pobres, por exemplo, os legisladores, tanto no Reino Unido como nos EUA, sentiram um orgulho singular pelas 'escolhas difíceis' que haviam tido que fazer.&lt;br /&gt;Os pobres votam em número muito menor do que todos os outros. Não há por isso grande risco político em penalizá-los: qual é a 'dificuldade' dessas escolhas? Hoje em dia ficamos orgulhosos ao ser suficientemente duros para infligir dor nos outros. Se ainda vigorasse um costume mais antigo, pelo qual ser duro consistia em suportar a dor, e não em impô-la, talvez devêssemos pensar duas vezes antes de preferir com tanta ansiedade a eficiência à compaixão".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos", de Tony Judt (2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8787859975351336333?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8787859975351336333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8787859975351336333' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8787859975351336333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8787859975351336333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/onde-foi-que-ja-vimos-isto.html' title='Onde foi que já vimos isto?'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-567907569802087500</id><published>2012-01-31T17:10:00.001Z</published><updated>2012-01-31T17:12:14.055Z</updated><title type='text'>Como um fio de água jorrando de uma fonte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Rxe6Fkwbmdg/Tvr_mSQHwJI/AAAAAAAAAoo/6551riHf5zs/s350/capa_.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 219px; height: 350px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Rxe6Fkwbmdg/Tvr_mSQHwJI/AAAAAAAAAoo/6551riHf5zs/s350/capa_.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os Malaquias&lt;/em&gt;, de Andrea del Fuego, romance vencedor da mais recente edição do Prémio José Saramago, surpreende pelo recurso a uma linguagem despojada e muito simples, quase infantil, iluminada por delicadas subtilezas. Mais do que de artifícios literários ou de descrições, a narrativa vive da capacidade para gerar imagens, belas imagens, a partir de fracções narrativas mínimas, invocando como que um contínuo sussurro, ou um fio de água jorrando de uma fonte. Lê-se como se as andanças dos três irmãos, as perdas e desencontros, nos estivessem a ser contados ao ouvido, tendo-me agradado menos, porém, o recurso à erupção de episódios aparentados com um certo realismo mágico, paranormal e pretensamente onírico. Para já apenas disponível para os sócios do Círculo de Leitores, o romance vai ser lançado brevemente pela Porto Editora, confirmando a tendência deste prémio para (também) revelar entre nós alguns interessantes autores do Brasil, depois de já anteriormente ter ajudado a lançar Adriana Lisboa em Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-567907569802087500?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/567907569802087500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=567907569802087500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/567907569802087500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/567907569802087500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/como-um-fio-de-agua-jorrando-de-uma.html' title='Como um fio de água jorrando de uma fonte'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Rxe6Fkwbmdg/Tvr_mSQHwJI/AAAAAAAAAoo/6551riHf5zs/s72-c/capa_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8656521853185155425</id><published>2012-01-30T07:38:00.003Z</published><updated>2012-01-30T07:38:00.990Z</updated><title type='text'>Democratas e baleias*</title><content type='html'>&lt;a href="http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/b2d06fa15/8054656_sMTQh.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 280px;" src="http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/b2d06fa15/8054656_sMTQh.jpeg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa espécie de suicídio colectivo, 99 baleias saíram anteontem da sua zona de conforto, como agora se diz. Rumaram a uma praia da Nova Zelândia e ali ficaram a morrer aos poucos. Faziam lembrar a democracia portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com um estudo que o PÚBLICO divulgou na semana passada, só 56% dos portugueses consideram que a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo. A outra (quase) metade prefere já duvidar da célebre frase de Winston Churchill (que Sérgio Godinho transformou em refrão de uma cantiga), segundo a qual “a democracia é o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros”. Trata-se, suponho, de gente para quem a justiça, a igualdade de direitos, deveres e oportunidades, bem como a faculdade de escolher aqueles que governam os recursos do país em nome do bem comum, passaram a ser conquistas negligenciáveis, ainda que, pelos vistos, aprecie o direito de expressar livremente a opinião que tem. O paradoxo é perfeitamente compreensível e, de certo modo, já estava explicado na canção de Sérgio Godinho, naquela parte em que diz que “Há muitos países que julgam/Que têm democracia, inclusive,/às vezes, o nosso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendendo sugerir que aqueles 44% de portugueses deviam ser obrigados a sair da zona de conforto que a democracia lhes proporciona, calando-se como no tempo da outra senhora, sou até capaz de reconhecer que os resultados do estudo devem andar próximos da realidade. Bastava ter reparado nas percentagens de abstenção registadas nas últimas eleições, ou ouvir duas pessoas a conversar na rua, para obter um retrato muito semelhante: os cidadãos acham que os políticos se preocupam sobretudo com os seus próprios interesses e com os interesses dos grandes grupos económicos (que os contratam antes e depois do exercício de funções públicas), que são corruptos, que não representam adequadamente o povo que os elege, que desbaratam os impostos, que mentem para ganhar eleições e que são insensíveis às dificuldades das pessoas comuns. E depois, outro paradoxo, os portugueses elegem-nos outra vez.&lt;br /&gt;Os políticos também não se incomodam muito com a fraca opinião que os portugueses têm deles. Desde que possam manter-se no poder, festejam efusivamente os triunfos eleitorais, mesmo se, contabilizada a abstenção, se torna evidente que são eleitos por grupos minoritários de cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o estudo, 31% dos entrevistados já não conseguem identificar uma instituição ou agente de representação política que dê voz às suas preocupações. A segunda maior fatia, 22%, apontava para o presidente da república. Mas isto foi em Julho, antes de Cavaco, o “provedor do povo”, ter dito o que disse sobre os rendimentos de que aufere: que duas reformas chorudas não chegam para as despesas que tem. Talvez agora, como baleias confusas, mais alguns democratas sem cheta se suicidassem metaforicamente, afirmando preferir qualquer outro sistema àquele que permite eleger um presidente assim. Há-de, pois, ser já perigoso referendá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 24 de Janeiro de 2012 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8656521853185155425?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8656521853185155425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8656521853185155425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8656521853185155425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8656521853185155425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/democratas-e-baleias.html' title='Democratas e baleias*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8350261847756191777</id><published>2012-01-29T16:41:00.004Z</published><updated>2012-01-29T17:33:14.498Z</updated><title type='text'>Sobrevivendo aos pelotões de execução das políticas ortográficas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-5u4Qkr9U7bQ/TyV3Ykq73HI/AAAAAAAAAjY/5kqxFjebebU/s1600/28012012164.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 198px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-5u4Qkr9U7bQ/TyV3Ykq73HI/AAAAAAAAAjY/5kqxFjebebU/s400/28012012164.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703095767178927218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma obra de Joana Rêgo a partir de uma sugestão minha. Da exposição Biblioteca, patente na Biblioteca Municipal da Feira (carregar na imagem para ampliar).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8350261847756191777?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8350261847756191777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8350261847756191777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8350261847756191777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8350261847756191777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/sobrevivendo-aos-pelotoes-de-execucao.html' title='Sobrevivendo aos pelotões de execução das políticas ortográficas'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5u4Qkr9U7bQ/TyV3Ykq73HI/AAAAAAAAAjY/5kqxFjebebU/s72-c/28012012164.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7009700235241407433</id><published>2012-01-29T16:00:00.000Z</published><updated>2012-01-29T17:32:42.041Z</updated><title type='text'>A capitulação das colónias perdulárias</title><content type='html'>Concedo-me, em alguns domingos, a vaidade e o prazer de comprar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;El País&lt;/span&gt; e de ficar um bom bocado a usufruir do prazer de ler um jornal a sério. Não é um vício barato, mas o vinho tinto e as cigarrilhas tampouco o são. E, em todo o caso, trata-se de um luxo bastante educativo. A manchete de hoje, por exemplo, revela que o governo alemão pretende fazer depender um novo empréstimo à Grécia do envio de um funcionário de Bruxelas que vigiará as contas e zelará para que os impostos pagos pelos gregos sejam usados prioritariamente no pagamento da dívida do país (e não para prover as necessidades dos gregos). O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;El País&lt;/span&gt; chama-lhe um "comissário orçamental", ao qual caberia daria o golpe final ao que resta da soberania fiscal grega. Trata-se, pois, de uma espécie de novo governador das colónias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas páginas adiante, Carmen Reinhart, economista do Peterson Institute que participa no Fórum Económico Mundial, vaticina que a Grécia e talvez também Portugal suspenderão o pagamento da dívida, acrescentando, indiferente às garantias de Bean Gaspar, que a situação portuguesa "é cada vez mais preocupante para Espanha". Tão tardará muito, portanto, para que também a esta província sejam mandados, já não os troikianos emissários da finança internacional, mas um verdadeiro capataz que venha ensinar os bárbaros como devem administrar os seus botões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7009700235241407433?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7009700235241407433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7009700235241407433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7009700235241407433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7009700235241407433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/carta-das-colonias-perdularias.html' title='A capitulação das colónias perdulárias'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-524651390331594308</id><published>2012-01-27T15:57:00.004Z</published><updated>2012-01-27T16:01:07.813Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#108</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só há poucos dias reparei no homem que, pelos vistos, viaja sempre no banco mais próximo da porta, praticamente imóvel, com os grandes olhos emergindo das pálpebras carnudas e moles. É bastante calvo, tem um nariz curvo e leva sempre as mãos quentinhas, protegidas por luvas de lã castanha, muito surradas. Notei-o apenas quando, há dias, me sentei ao seu lado e percebi como mantinha o olhar oblíquo fixo num ponto imaginário e imóvel no exterior do autocarro, algures entre o vidro da janela e o chão, e como os olhos dele são enormes globos vítreos e quase sem vida – como, enfim, punha a ponta da língua de fora da boca, devagarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu-me uma espécie de grande lagarto, mas tomei-o por um utente ocasional que provavelmente não voltaria a ver e que, portanto, esqueceria ainda antes de ter tempo para escrever o naco de prosa enxuto que vossas excelências estão a ter o prazer de acompanhar. Mas estava enganado. O homem, afinal, está todos os dias sentado no mesmo banco, encostado à janela, com os olhos parados e a língua movendo-se devagar entre os lábios. Tenho agora ainda mais certeza, por isso, de que se trata de um réptil, mais concretamente de um enorme camaleão careca que se empenha em passar despercebido e em tornar-se invisível para os outros utentes do transporte público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha, hoje de manhã, acabado de formular esta acutilante teoria quando, de súbito, notei que o rei camaleão movia a cabeça muito devagar e que o olhar dele se deslocava no espaço, manso ainda e como morto, mas fixando já alguma coisa no interior do autocarro. Uma mosca apetitosa? Algum mosquito? Talvez uma abelha abrigando-se ali dentro do frio da manhã? Segui o olhar do lagartão e percebi tudo. Quem lá vinha, aproximando-se da porta, era, enfim, a moça morena das grandes argolas prateadas, a dos glúteos generosos e firmes, rebolativa e fértil mesmo nestas rigorosas manhãs de Inverno. O rei camaleão moveu a língua, uma, outra e outra vez, mirando-a quase sem mover os olhos. Ela saiu na paragem seguinte. E ele voltou a fixar o ponto invisível onde os répteis contemplam coisas que nós não vemos nem pudemos imaginar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-524651390331594308?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/524651390331594308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=524651390331594308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/524651390331594308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/524651390331594308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/cronicas-do-autocarro108.html' title='Crónicas do autocarro#108'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2715326373752604190</id><published>2012-01-24T21:37:00.001Z</published><updated>2012-01-24T21:41:09.664Z</updated><title type='text'>Mais uma vítima do incentivo à emigração</title><content type='html'>Diz que a lontra &lt;a href="http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=2261359"&gt;que hoje apareceu na Foz&lt;/a&gt; fugiu assim que percebeu que ainda não estava no Brasil, mas apenas na Avenida do Brasil. E ainda por cima aquilo era uma PizzaHut e nunca mais lhe traziam o gin tónico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2715326373752604190?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2715326373752604190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2715326373752604190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2715326373752604190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2715326373752604190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/mais-uma-vitima-do-incentivo-emigracao.html' title='Mais uma vítima do incentivo à emigração'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-459764431667696984</id><published>2012-01-24T17:07:00.001Z</published><updated>2012-01-24T17:08:53.624Z</updated><title type='text'>O mundo está cheio de tolos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-R9ixq-piCjA/Tx7lhnAveTI/AAAAAAAAAjM/kRicncKOAUU/s1600/Slide1.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 335px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-R9ixq-piCjA/Tx7lhnAveTI/AAAAAAAAAjM/kRicncKOAUU/s400/Slide1.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701246543868164402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In &lt;em&gt;Gazeta dos Caminhos de Ferro&lt;/em&gt;, 1 de Fevereiro de 1935&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-459764431667696984?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/459764431667696984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=459764431667696984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/459764431667696984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/459764431667696984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/o-mundo-esta-cheio-de-tolos.html' title='O mundo está cheio de tolos'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-R9ixq-piCjA/Tx7lhnAveTI/AAAAAAAAAjM/kRicncKOAUU/s72-c/Slide1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4822379903981139885</id><published>2012-01-23T07:28:00.002Z</published><updated>2012-01-23T07:28:00.202Z</updated><title type='text'>Quero ser um Catroga*</title><content type='html'>&lt;a href="http://l.rapimg.com/upload_tmp/8/img_175619228_1310349485_abig.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 349px; height: 500px;" src="http://l.rapimg.com/upload_tmp/8/img_175619228_1310349485_abig.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia pura. Numa só semana ficámos a saber que a imensa Via Láctea é branca “como as neves da Primavera acabadas de cair” (ou como o cabelo do economista Eduardo Catroga); e que alberga qualquer coisa como cem mil milhões de planetas - um número tão bestial que, para se ter uma ideia aproximada da sua dimensão, é preciso compará-lo com coisas realmente grandes, como o montante da dívida pública portuguesa ou a falta de tino de alguns políticos. Suponho, aliás, que ainda este mês escutaremos o ministro Miguel Relvas incentivar os nossos jovens, altamente qualificados, a universalizarem-se e emigrarem para este inexplorado filão de oportunidades, que ajudarão a civilizar para gáudio da pátria (ou isso ou a ASAE investigando a suspeitíssima Via Láctea, não vá a nívea galáxia ser constituída por leite em infracção às leis da concorrência). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo uma fonte inesgotável de boas notícias, do infinito silêncio espectral também, às vezes, vêm aos trambolhões coisas menos agradáveis, como satélites desgovernados e assim. Era mais simpático se chovessem pastéis de nata, ou, vá lá, croissants de chocolate, mas, em todo o caso, continuo muito determinado a não permitir que o meu optimismo se inquine por dá cá aquela palha. Pretendo mesmo encher-me de soberba e acreditar na possibilidade de me transformar num Catroga da vida: em vez de empobrecer austeramente e de encolher de frio tiritando nas longas noites do “Inverno da nossa resignação”, como lhe chamou o espanhol Manuel Rodríguez Rivero, planeio trocar o meu salário por uma remuneração compatível com as reais necessidades do país. Creio, aliás, que uma boa parte da crise se resolverá muito simplesmente (com a compreensão de alguma entidade patronal): equipare-se o meu ordenado ao do presidente do conselho geral e de supervisão da EDP. Como 50% do que passarei a ganhar vai para impostos, a receita do Estado crescerá e isso terá um efeito redistributivo para as políticas sociais. Catroga dixit. E se o visionário aposentado o diz, eu baixo humildemente as orelhas. Afinal de contas, entre nós os dois é ele quem tem o mais espectacular currículo da Via Láctea e arredores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que sucede com os satélites e outros objectos sujeitos à gravidade, os ordenados simpáticos do meu país tendem a chover persistentemente em cima dos mesmos indivíduos, chamem-se eles Catroga, Vara, Cardona, Lopes, Pinto ou Mexia. Para os demais e comuns mortais, incapazes de fazerem mais do que trabalhar para ir vivendo, as respectivas remunerações estão transformadas numa espécie de “salário do medo”. Não vamos, como no romance de Georges Arnaud que Clouzot filmou, a conduzir um camião carregado de explosivos por uma estrada sul-americana. Às costas temos apenas o peso (cada vez mais) leve do nosso ordenado minguante e o enorme fardo que é o medo de o perder. Vamos aceitando, por isso, que no-lo roubem aos bocadinhos, em pequenas garfadas, até que já não nos sobre dignidade nenhuma e nos vendamos por três vinténs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 17 de Janeiro de 2012&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4822379903981139885?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4822379903981139885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4822379903981139885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4822379903981139885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4822379903981139885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/quero-ser-um-catroga.html' title='Quero ser um Catroga*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7565654097547680633</id><published>2012-01-19T23:02:00.002Z</published><updated>2012-01-20T23:59:01.473Z</updated><title type='text'>Biblioteca básica Rubem Fonseca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Mhjsgp5wvIg/TxihMdPZYyI/AAAAAAAAAjA/kFljkJpPDKg/s1600/19012012163.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 323px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Mhjsgp5wvIg/TxihMdPZYyI/AAAAAAAAAjA/kFljkJpPDKg/s400/19012012163.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699482563817071394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que li, já não sei onde, que o Rubem Fonseca vem à Póvoa de Varzim, estou tomado por uma enorme ansiedade. Olho muitas vezes para a estante, creio que à espera de que as lombadas me sussurrem uma chalaça, um dito espirituoso e/ou inteligente, uma frase, enfim, que pudesse ser o início de uma bela amizade. Não me ocorre nada. Creio que, como é costume, me limitarei a olhar para ele com uma fixação de psicopata (manso). Com algum atrevimento, poderei ser capaz de o abordar e de proferir uma boçalidade qualquer, como quando disse ao Luis Fernando Veríssimo alguma coisa sobre &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Incidente em Antares&lt;/span&gt;, do Erico Veríssimo. Ele olhou para mim, condescendente, e comentou aquele "Do paizinho, né?", antes de mudar de assunto, perguntando-se em silêncio, que eu bem vi, "quem raio é este cromo?".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7565654097547680633?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7565654097547680633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7565654097547680633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7565654097547680633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7565654097547680633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/biblioteca-basica-rubem-fonseca.html' title='Biblioteca básica Rubem Fonseca'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Mhjsgp5wvIg/TxihMdPZYyI/AAAAAAAAAjA/kFljkJpPDKg/s72-c/19012012163.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3239912177227062232</id><published>2012-01-19T12:20:00.003Z</published><updated>2012-01-19T12:27:56.378Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#107</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo, jovem e inocente leitor, em que certos e determinados inteligentes nacionais frequentaram os jornais e as televisões anunciando o fim da luta de classes para gáudio das classes dirigentes, já afiambradas à possibilidade de começar a tratar da saúde aos direitos laborais conquistados pela dita luta. Os direitos foram-se, é verdade, mas os inteligentes estavam, afinal, naturalmente equivocados, o que vem a ser um aborrecimento habitual na vida das pessoas acometidas pela doçura do optimismo. A luta de classes não só não morreu como a vi esta manhã apanhando um autocarro na Rotunda da Boavista. Aconteceu a coisa do jeito que a seguir narrarei, procurando dar fé de tudo com a veracidade e o brio que sempre norteiam a actividade deste vosso criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. O peculiar ancião que já foi deputado municipal - e comenta com igual vivacidade a actualidade política e os pormenores relacionados com as &lt;a href=" http://teatro-anatomico.blogspot.com/2010/11/cronicas-do-autocarro43.html"&gt;análises às fezes&lt;/a&gt; - entrou no autocarro já muito incomodado. Provavelmente beneficiando das delícias de uma reforma de que alguns de nós já não beneficiaremos, tinha, o velho, tomado conhecimento de que o plenário dos trabalhadores da STCP marcado para o início de Fevereiro foi, afinal, transformado numa greve de 24 horas. Coisa tremenda, pois não só o idoso é contra as greves como também precisa de ir não sei onde no dia em causa, pelo que a paralisação dos trabalhadores não deixará de acarretar perturbações e aborrecimentos à natural locomoção de um aposentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indignado como estava, o velho entrou no autocarro e foi logo pedir explicações à motorista de óculos escuros, loura e com um penteado rebuscado, assim com uma revienga no cocuruto e tudo, dando, pois, fé da incompreensão dos utentes dos transportes públicos face a mais uma greve. Não consegui escutar a conversa toda, que foi relativamente demorada, mas ouvi perfeitamente quando a robusta capitã da nave louca que vai de Matosinhos ao Bolhão levantou a voz para declarar que, sim, ia fazer greve, e que, mais do que isso, acha que o país devia parar todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está, pois, confirmado: quando os valores éticos do país cedem e entram em crise, vê-se de que massa são feitas as nossas fêmeas. Proponho que a grevista do 502 entre já para o panteão da memória pátria, à mão direita da Padeira de Aljubarrota. Temos gente para a bulha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3239912177227062232?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3239912177227062232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3239912177227062232' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3239912177227062232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3239912177227062232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/cronicas-do-autocarro107.html' title='Crónicas do autocarro#107'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3689533639679254942</id><published>2012-01-18T12:53:00.000Z</published><updated>2012-01-18T12:54:16.119Z</updated><title type='text'>Acordar, trabalhar, morrer</title><content type='html'>Passo todos os dias por uma parede na qual estão escritas aquelas três palavras&lt;br /&gt;ACORDAR&lt;br /&gt;TRABALHAR&lt;br /&gt;MORRER&lt;br /&gt;, três verbos que, de algum modo, pretendem sintetizar muito resumidamente a estupidez que é viver. Voltei a lê-las esta manhã, já acordado e a caminho do trabalho, instantes antes de me levantar para sair na paragem do costume. Lá estavam:&lt;br /&gt;ACORDAR&lt;br /&gt;TRABALHAR&lt;br /&gt;MORRER&lt;br /&gt;Depois cheguei ao trabalho e soube que um dos companheiros que me habituei a ter por presença certa e habitual, que nos tratava dos computadores e solucionava os faniquitos informáticos destas vistosas máquinas de trabalhar, já não viria hoje. Morreu ontem à noite, subitamente, enquanto jogava futebol. Tinha 43 anos, não fumava e parecia dispor de uma vida inteira para viver. Mas a vida é estúpida. Acordar, trabalhar, jogar futebol com os amigos e morrer. &lt;br /&gt;Foda-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3689533639679254942?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3689533639679254942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3689533639679254942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3689533639679254942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3689533639679254942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/acordar-trabalhar-morrer.html' title='Acordar, trabalhar, morrer'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5297563334906622556</id><published>2012-01-16T23:35:00.003Z</published><updated>2012-01-17T12:28:28.178Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#106</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressinto que a resistência dos utentes do autocarro se desmorona, qual morro de formigas sob a bota dos negreiros novos. Uma destas tardes, indo em direcção às ruínas que se acotovelam na Baixa, fui de frente para uma mulher que, seguindo os sábios conselhos da governação, está já a ultimar os preparativos para zarpar daqui para fora. Para a Suíça. Cogitou emigrar para França, mas sucumbiu aos helvéticos encantos. "A Suíça dá mais pica", explicou pelo auricular do telemóvel. Lá, como aqui, vai fazer limpezas e tomar conta de velhas ranzinzas e desaparafusadas. As diferenças, porém, são substanciais. Entre os picos nevados e os carrancudos cidadãos não-alinhados, basta-lhe um trabalho para ganhar o que aqui consegue esgravatar ao fim de muitas horas de esfregão. "E aqui anda-se sempre a contar os tostões". A tarde estava a meio e o autocarro ia cheio - de homens e mulheres já demasiado velhos para partirem também. Um dia, talvez não muito distante, será aquilo o país: um magote de reformados muito idosos, circulando de autocarro a caminho de lugar nenhum. O Inverno atira-me caneladas e o país cospe-me na cara. Fico?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5297563334906622556?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5297563334906622556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5297563334906622556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5297563334906622556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5297563334906622556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/cronicas-do-autocarro106.html' title='Crónicas do autocarro#106'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7480357787280666295</id><published>2012-01-16T07:36:00.000Z</published><updated>2012-01-16T07:36:00.140Z</updated><title type='text'>Dar à língua*</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_j58WFb8h0YM/Sbc2JfGEWhI/AAAAAAAAFCM/PsZXc666a-k/s400/20050603-luana1231.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_j58WFb8h0YM/Sbc2JfGEWhI/AAAAAAAAFCM/PsZXc666a-k/s400/20050603-luana1231.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia ipês amarelos florindo nas ruas de São Paulo quando, em Novembro de 2004, lá estive por causa do Prémio Portugal Telecom de Literatura. Numa dessas tardes, a Luana Piovani também desabrochou inesperadamente diante de mim, no corredor de um centro comercial, mas essa é uma outra história. Ou talvez não: lembrei-me de ambas as coisas enquanto lia a hilariante e fescenina entrevista do “senhor Pipi” no último &lt;em&gt;Ípsilon&lt;/em&gt;, e porque a acção do livro que tenho andado a ler, &lt;em&gt;Pornopopeia&lt;/em&gt;, decorre em São Paulo e inclui pelo menos uma referência ao &lt;em&gt;shopping&lt;/em&gt; onde Luana andava, naquele dia, a arejar os seus naturais encantos. Tenho para mim, pois, que tanto o “senhor Pipi” como Zeca, o narrador do romance de Reinaldo Moraes, teriam gostado de a ver passar, sardenta e baixinha, a caminho de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde é que eu ia? Já sei: Novembro de 2004, São Paulo, Prémio PT de Literatura. Num dos jantares oficiais, fiquei sentado ao pé de alguns colegas brasileiros e passámos uma parte da refeição discutindo as particularidades da Língua Portuguesa, agora supostamente unificada pelo chamado Acordo Ortográfico. Havia quem defendesse que o Português do Brasil é já um outro idioma e que devia ser tratado como tal. Um dos ilustres plumitivos, mais radical, queria também que o Italiano fosse reconhecido como língua oficial do país. Dotado da loquacidade proporcionada pelos bons vinhos, eu rebati os argumentos deles como pude: que devíamos defender a diversidade e a riqueza de um idioma que contém tantas variantes, que sou capaz de ler livros de escritores brasileiros e reconhecer neles, também, a minha língua, que... Em desespero de causa, perguntei-lhes se não tinham sido capazes de compreender o cristalino Português praticado no diário &lt;em&gt;O Meu Pipi&lt;/em&gt;, que lá havia sido publicado pouco tempo antes, com assinalável êxito. Um dos mais radicais convivas arregalou os olhos e perguntou: “O Pipi é português”? É. E eles andavam a lambuzar-se naquela desbragada sacanagem, do mesmo modo que eu me tenho fartado de rir com a escatológica pouca-vergonha que enche as quase 600 páginas de &lt;em&gt;Pornopopeia&lt;/em&gt;. Ou seja: não faz falta nenhuma que se normalize a língua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se, pelo menos desde um célebre poema nostálgico do brasileiro Gonçalves Dias, que as aves que cantam em Coimbra não gorjeiam como as do Maranhão. O Português levado para além-mar miscigenou-se e ganhou asas. Frutificou e perdeu as amarras, ao ponto de a nossa língua, a “última flor do Lácio” evocada num poema do também brasileiro Olavo Bilac, se ver transmutada em “flor do felácio” pelo narrador de &lt;em&gt;Pornopopeia&lt;/em&gt; – o qual, apesar de todo o desbragamento (linguístico e não só), não abre mão da leitura do nosso Cesário Verde em bom Português antigo. Por muitas voltas que se dê ao idioma, um autocarro dos nossos há-de sempre ser um ónibus no Brasil. Uma orgia é uma suruba. E por aí adiante. O acordo não uniformiza coisa nenhuma. É tempo perdido e inútil, treta e papo-furado. Quando muito, transforma as galantes erecções do “senhor Pipi” nas simplificadas ereções do Zeca. Lindo serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 10 de Janeiro de 2012&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7480357787280666295?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7480357787280666295/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7480357787280666295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7480357787280666295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7480357787280666295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/dar-lingua.html' title='Dar à língua*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_j58WFb8h0YM/Sbc2JfGEWhI/AAAAAAAAFCM/PsZXc666a-k/s72-c/20050603-luana1231.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-884901926480406801</id><published>2012-01-11T16:22:00.002Z</published><updated>2012-01-11T16:24:22.912Z</updated><title type='text'>Património cultural ameaçado</title><content type='html'>Indivíduo de fraca carne, sou facilmente atraído pela obscura cloaca do pecado e da tentação. Um restaurante que pretenda captar a minha atenção apenas necessita, por exemplo, de propagandear a existência em menu de acepipes como rojões, papas de sarrabulho, cabritinho assado, tripas e anexos (de preferência escritos com marcadores sobre toalhas de papel coladas na montra). Atraído, pois, pelo canto mavioso destas metafóricas sereias, entrei hoje num estabelecimento cujos encantos, afinal, residiam mais na componente sócio-antropológica do que na gastronomia propriamente dita. Tem uma televisão ao fundo da sala a dar as notícias, a cozinha visível e dois atendentes, o patrão e um empregado, os quais comunicam entre si e com a cozinha mediante berros e gritos, DOIS COZIDOS! TRÊS SOPAS! UMA PERNA DE PORCO! UM QUARTO DE VINHO!, independentemente da distância a que se encontrem uns dos outros. De vez em quando, e no mesmo tom de voz, o patrão destrata o empregado, rapaz de aspecto rústico, e indica as mesas aos clientes que vão entrando, como se sofrêssemos todos de algum tipo de incapacidade auditiva severa. A clientela não é menos peculiar, entre idosas que parecem acabadas de sair da automotora da Régua com um molhe de tronchudas debaixo do sovaco, mulheres de avental, imigrantes ucranianas, “jovens”, “sotôres”, a “senhora do pão de açúcar” e “o rei”, também designado, a dado passo, como “o rei de Portugal”. O dito monarca é, diga-se, o mais enigmático de todos: entrou de chapéu de feltro claro, óculos escuros, barba e cabelos longos e grisalhos, pouco lavados, e assim se manteve enquanto comia a SOPA! e o COZIDINHO! Lembrei-me do fado do embuçado, embora não estivesse ninguém a cantar o fado, e dos personagens dos filmes do João César Monteiro. Também não estava ninguém a filmar, o que é um pecado. Um dia destes o restaurante fecha e é mais um naco de património pátrio que se perde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-884901926480406801?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/884901926480406801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=884901926480406801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/884901926480406801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/884901926480406801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/patrimonio-cultural-ameacado.html' title='Património cultural ameaçado'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8214230079777908701</id><published>2012-01-10T17:11:00.002Z</published><updated>2012-01-10T17:15:28.636Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#105</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em incertas horas post-crepusculares, regressando a casa mais cansado e gasto do que é comum, reparo, às vezes, que o autocarro se enche de um determinado cheiro a frango de churrasco, o qual rescende e transita, muito suave, entre os corpos dos utentes. Todos sentimos o cheirinho bom do frango assado, o tostado da pele, os eflúvios da gordura que há-de ter rechinado sobre as brasas do carvão, eu sei lá, e fremem-nos as asas das bicancas, agua-se-nos a boca e arde-nos por dentro um foguinho bom. Lá no fundo, por trás da aparência anónima e automática que levamos posta, quais máscaras de gente normal, havemos todos de sorrir secretamente, serenados e pacificados pela presença do familiar, popular perfume. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o raio de uma coisa heróica a persistência de uma civilização ainda assente no frango do churrasco - esse resquício colonial que, em algum momento que vagamente recordo, chegou a responder pela designação comercial de “frango à angolana”, vagamente evocativo de churrascadas entre embondeiros, bananeiras e árvores de fruta-pão –, apesar de todos os restaurantes chineses, dos McDonalds, das PizzaHut, das casas de sandes e da modernice insípida dos sushis e sashimis, que não cheiram nem fedem e, por isso, jamais serão capazes de despertar os escondidos e pacificados sorrisos dos utentes do autocarro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, eventualmente vivendo acima das respectivas possibilidades, ainda manterão o luxo (piquenóburguês) de gastar combustíveis na fila para o McDrive da Avenida da Boavista, de encomendarem uma telepizza ou de rumarem aos arredores para cearem alapados na praça de restauração do shopping mais frenético da área metropolitana. O povo do autocarro não. Come em casa refeições muito saturadas de gorduras várias e, por desfastio, compra um frango de churrasco, o qual, com um jeitinho, alimenta quatro marmanjos austeros. É, pois, assim que se enfrenta a crise.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8214230079777908701?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8214230079777908701/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8214230079777908701' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8214230079777908701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8214230079777908701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/cronicas-do-autocarro105.html' title='Crónicas do autocarro#105'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6807294610435705553</id><published>2012-01-10T14:32:00.005Z</published><updated>2012-01-10T16:56:36.946Z</updated><title type='text'>Ninguém sabe o que vai ser o futuro, mas todos sabemos que ele virá (e não será boa coisa)</title><content type='html'>No diário que manteve durante longos anos, o escritor argentino Adolfo Bioy Casares conta que jantou com Jorge Luis Borges na noite de 31 de Dezembro de 1960. Depois de comerem, foram à varanda da casa de Bioy e Borges disse-lhe algo como isto: “Esperamos alguma coisa que não sabemos bem em que consiste. É estranho que, em tantos anos de vida, nunca tenha havido um momento em que tenha estado tão adiantado no futuro como estou agora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um paradoxo, mas os tempos vão mais paradoxais do que nunca. No dia 31 de Dezembro de 2011, quando terminámos de jantar, qualquer um de nós poderia, ainda que por motivos bem menos filosóficos, ter afirmado também esperar do novo ano algo (mau) que ainda não sabemos bem o que vai ser, mesmo que, de algum modo, e a cada dia que passa, se vá tornando cada vez mais claro que estamos perto de adivinhar o futuro, prevendo-o de cada vez que damos voz ao nosso pessimismo mais selvagem. Não sabemos o que vai ser o futuro, mas somos perfeitamente capazes de o antecipar a cada nomeação do governo, a cada conta mal feita, a cada avental transferido para um alto posto do administração ou a cada anúncio de mais austeridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de ouvir mais um desses anúncios. “Mais medidas de austeridade”, avisam os noticiários. Tornou-se, isto, numa espécie de melopeia. De anúncio em anúncio até esse futuro que não se sabe muito bem o que virá a ser, mas onde já estamos, adiantando-nos àquilo que um dia será.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6807294610435705553?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6807294610435705553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6807294610435705553' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6807294610435705553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6807294610435705553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/ninguem-sabe-o-que-vai-ser-o-futuro-mas.html' title='Ninguém sabe o que vai ser o futuro, mas todos sabemos que ele virá (e não será boa coisa)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5580121645053603410</id><published>2012-01-09T07:00:00.002Z</published><updated>2012-01-09T07:00:01.911Z</updated><title type='text'>Vida inteligente*</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-sBW4hyBT5Q4/TwcpuDPKhvI/AAAAAAAAAi0/cpwj-RiTsO4/s1600/03_01_2007%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 245px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-sBW4hyBT5Q4/TwcpuDPKhvI/AAAAAAAAAi0/cpwj-RiTsO4/s400/03_01_2007%255B1%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694566124952913650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que ontem fiz foi dirigir-me a uma lavandaria para lá deixar o casaco, que tinha ficado pegajoso depois do banho de champanhe que apanhei nos primeiros segundos de 2012. Eu tinha ido cair, meio acidentalmente, na Avenida dos Aliados, e, já que ali estava, deixei-me ficar para ver que tal era o foguetório encomendado para o “rebilhão”. O espectáculo foi admirável: um quarto de hora de efeitos pirotécnicos de encher o olho, demonstrando que não há como a Câmara do Porto para organizar eventos vistosos e ocos. Poupadinha e austera em quase tudo, a autarquia torna-se perdulária e quase madeirense sempre que se trata de fazer corridas de avionetas e automóveis, bem como espectáculos com explosivos, incluindo demolições e foguetórios. Faz lembrar a célebre epígrafe de Maria Antonieta, mas de pernas para o ar: se o povo não tem pão, dê-se-lhes brioches (ou foguetes, tanto faz).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a multidão começou a dispersar após o fogo-de-artifício, o chão da principal praça da cidade encheu-se de garrafas vazias e de milhares de cacos de vidro. Com o avançar da madrugada, o festivo apocalipse estendeu-se à chamada zona de animação nocturna, onde já é costume que as ruas fiquem atapetadas de copos, garrafas, lixo diverso e garatujas de urina, transformando o Porto, pelos vistos, num destino turístico de eleição. O negócio vai, aliás, de vento em popa, justificando, por isso, a espécie de selvajaria que ali vigora depois que o sol se põe – e que ilustra admiravelmente dois versos de um poema de Eugénio de Andrade: “Ninguém ignora que não é grande/nem inteligente, nem elegante o meu país”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora goste de acreditar que, algures entre o espalhafato pirotécnico e a falta de maneiras, há-de ainda subsistir alguma coisa do carácter da minha cidade, temo frequentemente que estejam em vias de ser rasurados os últimos vestígios de vida inteligente que ainda aqui resistam. Basta ver, por exemplo, o modo como a pirotécnica autarquia tem gerido a questão relacionada com o legado do poeta Eugénio de Andrade, um dos maiores que o século XX português conheceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1997, a câmara estabeleceu um protocolo em que concedeu ao escritor (e aos seus legatários) uma casa na Foz do Douro, adquirindo a cidade, em troca, direitos sobre o espólio literário e artístico de Eugénio. Seis anos após a morte do poeta, a autarquia tomou posse dos seus bens e, ao mesmo tempo, expediu uma carta intimando aqueles que cuidaram de Eugénio de Andrade a abandonarem o andar que habitam. Entende a câmara que a extinção da fundação que geria o espólio do poeta fez cessar o direito dos herdeiros à casa que a câmara lhes facultou. Levando esta interpretação do protocolo ao limite, poderia o próprio Eugénio de Andrade, se fosse vivo, ser objecto de uma acção de despejo e posto na rua com a roupa do corpo, deixando os seus bens à guarda do município, para eventual privatização futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado, escreveu Eugénio, “é inútil como um trapo”. Não espanta, pois, que numa cidade já (quase) sem vida inteligente, a memória e o respeito pelos mortos não pareçam merecer melhor sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 3 de Janeiro de 2012 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5580121645053603410?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5580121645053603410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5580121645053603410' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5580121645053603410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5580121645053603410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/vida-inteligente.html' title='Vida inteligente*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-sBW4hyBT5Q4/TwcpuDPKhvI/AAAAAAAAAi0/cpwj-RiTsO4/s72-c/03_01_2007%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8995035706764451862</id><published>2012-01-06T19:59:00.004Z</published><updated>2012-01-06T20:14:46.708Z</updated><title type='text'>Todos locos en México DF</title><content type='html'>Não creio que exista um único personagem são em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Canções Mexicanas&lt;/span&gt;, de Gonçalo M. Tavares. Nem sequer um figurante. Estão todos loucos na Cidade do México, todos loucos no Zócalo. Até mesmo nos manicómios estão loucos e é por isso que gosto daquilo, da Cidade do México e dos seus loucos, quero dizer. O louco de quem eu gosto mais é o padre que vai com a navalha da barba e se suicida uma, duas, três — quatro vezes pelo menos; corta a garganta com a navalha da barba, no Zócalo, e diz que ama Jesus e os meninos que tem violado. No seu terceiro suicídio, o padre corta a garganta com a navalha e diz também &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Viva la Tienda de los Insurrectos&lt;/span&gt;, uma loja de ferragens. Tinha um anúncio ao peito, um anúncio com o nome e o endereço da loja, e depois a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tienda&lt;/span&gt; foi um sucesso. Venderam-se muitas ferragens em México DF.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8995035706764451862?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8995035706764451862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8995035706764451862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8995035706764451862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8995035706764451862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/todos-locos-en-mexico-df.html' title='Todos locos en México DF'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6154848348720700926</id><published>2012-01-05T12:18:00.000Z</published><updated>2012-01-16T09:49:23.011Z</updated><title type='text'>Marcela e Elisa, um amor de contrabando*</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um século antes da legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, duas espanholas conseguiram enganar um padre e casaram-se pela Igreja. Descobertas, fugiram. Há 110 anos viviam no Porto e aqui tiveram uma filha. Por Jorge Marmelo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5HIyVst8b9Y/TwWVOf2ZTtI/AAAAAAAAAiQ/-fA_t2-lAQs/s1600/elisa%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 239px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-5HIyVst8b9Y/TwWVOf2ZTtI/AAAAAAAAAiQ/-fA_t2-lAQs/s400/elisa%2B1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694121380180217554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fotografia do casamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se uma grande história de amor é aquela cujos ecos ultrapassam as contingências do seu tempo e se imortaliza, como sucedeu com a paixão de Pedro e Inês (ou de Romeu e Julieta), o romance de Marcela e Elisa é, sem dúvida, “uma das mais extraordinárias histórias de amor de todos os tempos”, conforme lhe chamou o escritor espanhol Manuel Rivas. Eram ambas mulheres e conseguiram o impensável: Elisa vestiu-se de homem, enganou um padre e, assim, casou com Marcela pela Igreja, na paróquia de S. Jorge, na Corunha, a 8 de Junho de 1901. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Impressionou-me a inteligência das duas mulheres e a capacidade de traçarem um plano que lhes permitisse viver juntas o resto da vida, serem reconhecidas como marido e mulher e até chegarem a ter descendência”, diz Narciso de Gabriel, o professor universitário galego que dedicou quase quinze anos a investigar a incrível história de Marcela e Elisa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alén dos homes&lt;/em&gt; foi publicado em 2008 e acabou por ser traduzido para castelhano, sob o título &lt;em&gt;Más allá de los hombres&lt;/em&gt;. Há também um filme em preparação, que deve ser realizado por Isabel Coixet, a autora de &lt;em&gt;A Vida Secreta das Palavras&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Existe ainda, em Espanha, um prémio que leva o nome de Elisa e Marcela, destinado a distinguir iniciativas que defendam os direitos dos homossexuais. E a Universidade da Corunha tem actualmente em exposição uma mostra dedicada ao tormentoso caso das duas mulheres.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em Dezembro de 1901, há exactos 110 anos, Elisa e Marcela estavam, porém, longe da cidade do Norte da Galiza que agora as recorda. Viviam na cidade do Porto, em relativo sossego depois da agitação que tinha provocado a chegada do insólito casal no Verão anterior. As notícias que &lt;em&gt;O Commercio do Porto&lt;/em&gt; publicou durante o mês de Agosto de 1901 tinham sempre o mesmo título: &lt;em&gt;As duas hespanholas: mulher-homem&lt;/em&gt;. Ainda não se usavam nos jornais palavras como homossexualidade ou lesbianismo, pelo que o caso foi contado com relativa discrição, entre notícias de agressões à pedrada e de homens mordidos por cães. O episódio, ainda assim, deu brado, conforme se percebe na edição do dia 30, que narra a libertação de Marcela e Elisa da Cadeia da Relação: havia “grande aglomeração de curiosos para ver as duas mulheres, sendo necessário os soldados da guarda dispersarem a multidão, que fez grande berreiro quando o carro seguiu o seu destino”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Chegara ao fim, na véspera, o processo judicial em que as duas cidadãs espanholas se viram envolvidas durante a passagem pelo Porto. Tinham fugido para Portugal depois do escândalo que se armara na Galiza, onde o “casamento de contrabando” andou nas primeiras páginas dos jornais, alimentando também a imprensa de Madrid. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas a história, iniciada alguns anos antes, havia ainda de ter outras complicações, obrigando o venturoso casal a empreender nova fuga, desta vez para a Argentina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Daquele período conturbado ficaram três fotografias: na do casamento, muito solene, captada por José Sellier, um fotógrafo francês da Corunha, Marcela está de negro e o noivo aparece segurando a aba do casaco com a mão direita, a sombra de um buço imberbe sobre o lábio; na do relojoeiro José Rodrigues, da Rua do Bonjardim, aparecem juntas na prisão do Aljube, no Porto, como homem e mulher, e Marcela parece envelhecida, com os olhos encovados, e Elisa, com o bigode já mais pronunciado, poderia facilmente ser tomada por um banal caixeiro do Porto; na terceira, Elisa espreita o casario da cidade pelas grades da prisão, com um chapéu de homem na cabeça, evitando ser fotografada pelo “repórter” do &lt;em&gt;El Suceso Ilustrado&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Elisa e Marcela conheceram-se muito jovens, então estudantes da escola da Corunha onde se formavam as professoras primárias. Tornaram-se inseparáveis e essa proximidade terá levado os pais de Marcela a enviá-la para Madrid na tentativa de apaziguar a primaveril relação das moças. Porém, como em todos os grandes romances, também neste caso o destino — ou a indeclinável lei das coincidências que com ele se confunde — parece ter desempenhado o seu papel de inveterado alcoviteiro: em 1900, Elisa estava a ensinar interinamente na aldeia de Couso, situada a meio caminho entre a Corunha e Finisterra, na Costa da Morte; Marcela, já mestra superiora, instalara-se na escola de Calo, no município vizinho de Vimianzo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam, pois, o fogo e a estopa juntos e, segundo os relatos recolhidos no livro de Narciso de Gabriel, dormiam frequentemente na casa de Marcela, em Dumbría. Não sendo nem a primeira nem a última vez que duas mulheres mantinham uma relação amorosa, o caso seria comentado e motivo de algum escândalo, quanto mais não fosse porque a rigidez dos códigos morais da época proibia às professoras que usassem maquilhagem ou vestidos vistosos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em alguns colégios eram mesmo proibidas de casar. Nada, portanto, podia ajudar a prever o que estava para acontecer — excepto, eventualmente, o facto de também na Galiza estar registado o primeiro caso de um casamento católico entre dois homens, Pedro Díaz e Muño Vandilaz, celebrado a 16 de Abril de 1061, há 950 anos, na capela de Rairiz de Vega (a acta foi encontrada há alguns anos no Mosteiro de S. Salvador de Celanova). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1901, porém, as raparigas necessitaram de fazer mais do que apresentar-se diante de um padre e declarar a intenção de viverem juntas até que a morte as separasse. Começaram por encenar uma zanga e, logo depois, Elisa Sanchez Loriga partiu para a Corunha, então uma pequena cidade de província. Ali cortou o cabelo, passou a fumar e a vestir-se como um homem e adoptou uma nova personalidade. Passou a ser Mario, com uma biografia decalcada de um primo que tinha morrido num naufrágio e alegando ser filho de um herege inglês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentou-se, assim, diante de um padre, declarando pretender converter-se ao catolicismo. A 26 de Maio passou pela pia baptismal e fez a primeira comunhão e, daí a dias, a 8 de Junho, pelas sete da manhã de um sábado, casava com Marcela Gracia Ibeas. Esta, antecipando-se a eventuais comentários, terá tomado a iniciativa de reconhecer as semelhanças físicas entre Mario e Elisa. “Têm a mesma estatura, a voz igual e as mesmas maneiras. Até os génios são parecidos”, terá dito, de acordo com os testemunhos recolhidos por Narciso de Gabriel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite de núpcias foi passada na pensão Corcubión, na calle de San Andrés, na Corunha, mas o idílio do casal durou pouco. Dias depois o embuste tinha sido descoberto e passara a alimentar as páginas dos jornais, que exercitavam a criatividade em títulos como &lt;em&gt;Um casamento sem homem&lt;/em&gt;. “De certeza que o logro não teria sido descoberto se as duas mulheres não tivessem cometido a ousadia de regressar casadas a Dumbría, a pequena vila onde antes conviviam como duas mulheres”, assegura Narciso Gabriel na resposta a um conjunto de questões que o P2 lhe colocou por email.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No livro que recupera a história, Narciso de Gabriel conta que os detalhes mais suculentos da história eram disputados pelos principais jornais, que se vendiam como pãezinhos quentes. O &lt;em&gt;Nuevo Mundo&lt;/em&gt;, ilustrado, chegou a vender 19 mil exemplares em Madrid, em apenas dois dias, e a escritora Emília Pardo Bazón lamentava que fosse “tão escabroso o inaudito folhetim” que a imprensa divulgava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apesar do escândalo, o registo de casamento nunca chegou a ser anulado e permanece válido. Elisa e Marcela, porém, viram-se despedidas das respectivas escolas, excomungadas e perseguidas pela justiça. Fugiram. Primeiro para Vigo e, depois, para o Porto, provavelmente julgando que, noutro país, seriam esquecidas e poderiam viver em paz como homem e mulher. Marcela terá chegado ao Porto ainda a 27 de Junho. Regularizou imediatamente a sua situação no Consulado de Espanha e instalou-se na pousada A Mesquita, da Rua do Bonjardim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a chegada de Elisa, em data não determinada, terá chegado a trabalhar no Café Lisbonense, recebendo uma diária de 240réis. Mas tudo se havia de complicar quando, segundo o &lt;em&gt;Jornal de Notícias&lt;/em&gt;, uma mulher chamada Generosa decidiu denunciar o casal, alegadamente porque “Mário” a tinha insultado. Dissera-lhe que ela “nada devia à providência em formosura”. Segundo &lt;em&gt;O Commercio do Porto&lt;/em&gt;, Elisa/Mario Sanchez, de 32 anos, e Marcela Gracia, de 28, estavam, então, instaladas “numa hospedaria particular da Praça da Batalha”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tinham obtido cartas de residência junto do consulado espanhol: a de Marcela estava em ordem, mas Elisa identificava-se, então, como José Mal Sanches. Perseguidas por Salvador Millán, um capitão da Guarda Civil de Vigo, foram facilmente descobertas e capturadas a 16 de Agosto, e logo recolhidas à prisão do Aljube. Mas a cidade, ao que parece, adoptou a defesa do casal e várias notícias posteriores dão conta de donativos em dinheiro e vestuário que foram entregues na prisão, em alguns casos por iniciativa de jornais. Noticiava-se, inclusivamente, o facto de terem sido visitadas por um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oL39tHwjXJY/TwWViQBHKcI/AAAAAAAAAio/Sa7ZwLb4aOM/s1600/elisa%2B2%255D.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 329px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-oL39tHwjXJY/TwWViQBHKcI/AAAAAAAAAio/Sa7ZwLb4aOM/s400/elisa%2B2%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694121719527582146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Elisa e Marcela na cadeia do Aljube, no Porto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A 22 de Agosto, o &lt;em&gt;Commercio&lt;/em&gt; dedicava ao assunto um artigo um pouco maior, referindo que Elisa e Marcela “téem dado lugar a largos commentários, pelo facto de haverem conseguido matrimoniar-se em Hespanha” e contando que a mais velha tinha deixado de usar traje masculino, passando a envergar um vestido e roupa branca que lhe foram “fornecidos obsequiosamente” por um escrivão da polícia, Francisco Fogaça. No mesmo dia, o &lt;em&gt;Jornal de Notícias&lt;/em&gt; explorava a situação recorrendo ao humor: “Francamente, [Elisa] parecia-nos muito mais atraente vestida de homem.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“A imprensa do Porto fez uma cobertura espectacular do caso das duas espanholas casadas. Foi aí, e também em Lisboa, que consegui uma boa parte das fontes que me permitiram reconstruir a trajectória de Elisa e Marcela”, conta Narciso de Gabriel ao P2. Naquele final de Agosto, &lt;em&gt;O Commercio do Porto&lt;/em&gt; explicava que Elisa estava acusada de viciação de carta de residência — suspeita confirmada após um “exame que lhe foi feito” na sequência de uma alegação de hermafroditismo — e Marcela encontrava-se detida na condição de “encobridora” do crime. As autoridades espanholas tinham já apresentado um pedido de detenção e extradição, “por estarem ali processadas”, mas, face ao apoio popular, acabaram por ser libertadas ao fim de 13 dias de cativeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Desapareceram também das páginas dos jornais, deixando os leitores a braços com o muito mais insípido folhetim &lt;em&gt;Margarida&lt;/em&gt;, de A. Brechat, diariamente publicado no rodapé da primeira página d’&lt;em&gt;O Commercio&lt;/em&gt;. O caso apagou-se, pois, com o calor tórrido daquele Verão de 1901.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Elisa e Marcela chegaram ainda a deslocar-se à redacção do &lt;em&gt;Jornal de Notícias&lt;/em&gt; para agradecer o apoio prestado — Elisa ter-se-á despedido com um “&lt;em&gt;shake-hand &lt;/em&gt;vigoroso” –, e, depois, o casal instalou-se em casa do co-proprietário do Café Lisbonense. Mudar-se-iam, mais tarde, para o Hotel Gibraltar da Rua da Batalha e, segundo a coluna &lt;em&gt;Alacridades&lt;/em&gt; d’&lt;em&gt;O Primeiro de Janeiro&lt;/em&gt;, viveriam de “costuras, bordados e outras prendas manuais em que nos dizem que são exímias”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A 8 de Janeiro de 1902, porém, o casal voltou à ribalta: Marcela tinha dado à luz uma menina, não se sabe fi lha de quem, confirmando, de resto, uma nota da &lt;em&gt;Secção Cómica&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;Jornal de Notícias&lt;/em&gt; de 17 de Agosto, na qual se dizia que “Marcela (a noiva) se acha em estado de gravidez” – um pormenor a que, então, não se prestou muita atenção. Consumado o parto, o jornal voltou à carga, gracejando, em verso, que se tratava de um caso de geração espontânea, “como entre as lombrigas”. Elisa, porém, enfrentou de peito aberto os jornalistas que se deslocaram ao Hotel Gibraltar em busca de novidades: “É uma coisa do outro mundo que uma mulher tenha um filho ou uma filha? Não há nada mais natural. Não somos criminosas”, conta Narciso de Gabriel no livro que dedicou à história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansadas da permanente atenção que sobre elas recaía, e ainda acossadas pela justiça espanhola, Marcela e Elisa acabaram por partir outra vez, desta feita a caminho da Argentina. Em 1903, segundo concluiu a investigação desenvolvida pelo catedrático galego, Elisa, que passara a chamar-se María Sánchez Loriga, casou com Christian Jensen, um homem 24 anos mais velho. O matrimónio, porém, não se consumou e o marido, desconfiado, tratou de investigar quem era María e aquela Carmen, sua suposta irmã, com um filho nos braços – e descobriu a história toda. Mais uma vez, as duas mulheres tiveram que enfrentar a justiça, que, em 1904, dissolveu o casamento de Elisa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A partir daqui, o rasto histórico de Marcela e Elisa extinguiu-se. Talvez tenham, enfim, conseguido amar-se em paz, algures na agreste imensidão da Pampa ou do Chaco, sem imaginarem, sequer, que a sua história se perpetuaria por mais cem anos. Ou não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso de Gabriel revela que, após a edição do livro em castelhano, recebeu de um leitor das Astúrias um recorte da revista &lt;em&gt;Nuevo Mundo&lt;/em&gt;, datado de 1909 e informando que Elisa se suicidara em Veracruz, no México. “Fiz várias indagações para tentar confirmá-lo, mas ainda não consegui. Em todo o caso, a notícia é seguramente verídica e ilustra bem as dificuldades que sofriam, e ainda sofrem, as pessoas que têm uma orientação ou uma preferência sexual que não corresponde ao cânone social”, diz de Gabriel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Reportagem publicada no P2 do Público no dia 10 de Dezembro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6154848348720700926?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6154848348720700926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6154848348720700926' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6154848348720700926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6154848348720700926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/o-porto-no-centro-de-um-amor-de.html' title='Marcela e Elisa, um amor de contrabando*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5HIyVst8b9Y/TwWVOf2ZTtI/AAAAAAAAAiQ/-fA_t2-lAQs/s72-c/elisa%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8532213530428269985</id><published>2012-01-04T21:40:00.006Z</published><updated>2012-01-05T00:13:08.873Z</updated><title type='text'>Há compromissos e compromissos. E há lata para tudo.</title><content type='html'>Com o ar grave e sério de quem acabou de engolir um garfo (e nunca teve nada a ver com negócios de submarinos), Paulo Portas, o estadista (não confundir com os outros), declarou hoje que Portugal está "absolutamente empenhado em honrar os seus compromissos e a sua palavra". Mas não estava, claro, a referir-se ao compromisso de pagar subsídios de natal ou de férias a quem trabalha (e paga contribuições), de pagar indemnizações  e subsídio de desemprego a quem é despedido, ou, sequer, à palavra dada na Constituição, segundo a qual a Saúde, por exemplo, é um direito tendencialmente gratuito e assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8532213530428269985?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8532213530428269985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8532213530428269985' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8532213530428269985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8532213530428269985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/ha-compromissos-e-compromissos-e-ha.html' title='Há compromissos e compromissos. E há lata para tudo.'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8115290780279437849</id><published>2012-01-03T16:23:00.000Z</published><updated>2012-01-04T14:36:48.690Z</updated><title type='text'>Era só, afinal, ter seguido o cherne</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.vivaterra.org.br/cherne_5.2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 189px;" src="http://www.vivaterra.org.br/cherne_5.2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Anda toda a gente muito entusiasmada com os dons premonitórios do Paulo Futre mais os charters de chineses que hão-de vir, mas o grande movimento social destes tempos bizarro remontam, parece-me, a anos mais longínquos. No ano de 2002, se a memória me não trai, a doutora Margarida Sousa Uva causou grande espavento ao citar Alexandre Oneill numa mensagem de apoio ao marido, o então candidato a primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso. Gente geralmente mal intencionada passou imediatamente a chamar cherne ao próprio Barroso, e Barroso, ele mesmo, arranjou dali a nada empreguinho certo e bem remunerado lá na estranja, para onde agora, afinal, nos mandam emigrar também, seguindo o caminho do cherne, como no poema de Oneill, “atrás de muito mais que a fantasia”. Foi o que fez, afinal, o grupo Jerónimo Martins e mais os grupos todos que há não sei quanto tempo já se mudaram para sítios onde se paguem impostos mais em conta, que para sustentar a choldra basta que cá fiquem os totós que não sabem fazer mais nada nem gostam muito de mudanças. Rai’s parta mais quem nos mandou ficar quietos a envelhecer enquanto a Uva bem dizia, como num canto de sereia, “sigamos o cherne, sigamos o cherne, sigamos o cherne”, e nós a matutar que somos gente mais de carne, que o peixe não é comida de gente que trabalha e tal. Rai’s parta esta mania de não andar por aí a aceitar “até, do cherne um beijo,/senão já com amor, com alegria”. É bem feito. Quando reencarnar quero vir de milionário ou social-democrata, e a mamar das tetas todas como um leitãozinho guloso. E seguir o cherne, segui-lo, claro, para não acabar, outra vez, sendo não “mais que solidão e mágoa”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8115290780279437849?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8115290780279437849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8115290780279437849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8115290780279437849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8115290780279437849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/era-so-afinal-ter-seguido-o-cherne.html' title='Era só, afinal, ter seguido o cherne'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8108427463706058524</id><published>2012-01-03T13:54:00.004Z</published><updated>2012-01-03T14:00:06.204Z</updated><title type='text'>Convenientes coincidências</title><content type='html'>Há-de ser isto, decerto, apenas uma pura coincidência. Rui Rio, o presidente da Câmara do Porto, passou várias semanas a tentar lançar o eurodeputado Paulo Rangel para as eleições internas do PSD/Porto, embora fosse dizendo que essa possibilidade não se devia concretizar, pois nem ele acreditava que Rangel aceitasse trocar o (bem pago) cargo europeu por um lugarzito paroquial no partido do poder. Segundo o &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, Rangel também não conseguiu suscitar grandes entusiasmos nas reuniões de militantes em que participou. Agora, porém, e segundo o &lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;, parece que Rangel poderá transitar das altas esferas europeias para o “tropismo tropical” (expressão roubada ao próprio) das nomeações partidárias, sentando-se na cadeira do poder da Casa da Música e ficando, talvez, capaz de distribuir tachos e prebendas, disponível e entusiasmante já para o pequeno posto partidário que há-de permitir a Rui Rio manobrar para manter a Câmara do Porto sob a regência de algum dos seus preclaros partidários ou amigos, conforme venha a dar mais jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8108427463706058524?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8108427463706058524/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8108427463706058524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8108427463706058524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8108427463706058524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/convenientes-coincidencias.html' title='Convenientes coincidências'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8342053407262302536</id><published>2012-01-02T22:31:00.002Z</published><updated>2012-01-02T22:39:10.151Z</updated><title type='text'>Um sítio muitíssimo bem frequentado</title><content type='html'>"Aos vinte anos, como hoje, eu achava a vida empolgante. A morte, em si mesma ou como problema do destino individual, não tinha para mim a menor fascinação: considerava-a, apenas, um episódio passageiro da universal transformação das coisas. Apesar disso (ou talvez por isso mesmo) um dos meus gostos, ao tempo, era frequentar o teatro anatómico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Rodrigues Miguéis, no conto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma carreira cortada&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8342053407262302536?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8342053407262302536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8342053407262302536' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8342053407262302536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8342053407262302536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/um-sitio-muitissimo-bem-frequentado.html' title='Um sítio muitíssimo bem frequentado'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5325315120021002911</id><published>2012-01-02T07:41:00.002Z</published><updated>2012-01-02T07:41:00.635Z</updated><title type='text'>Um plano C para 2012*</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4XD-G_nkCjQ/Tv34oA8NV9I/AAAAAAAAAiE/QRHBgB5iz6o/s1600/Silly-Walk-monty-python-13514283-1280-800%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 250px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-4XD-G_nkCjQ/Tv34oA8NV9I/AAAAAAAAAiE/QRHBgB5iz6o/s400/Silly-Walk-monty-python-13514283-1280-800%255B1%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691978870397163474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embirro muitíssimo com o pessimismo e o tom lamuriento que por aí estão instalados. Não estamos condenados a ter que escolher entre emigrar ou ficar por cá e aguentar os confiscos todos que ainda possam perpetrar-se contra quem vive dessa actividade paleolítica que é o trabalho. Os tempos, dizem os sábios, serão difíceis, mas também férteis em oportunidades vastas e gloriosas como enormes pradarias. Tudo vai de ser ambicioso e arrojado – empreendedor. E escusam de vir dizer que nem toda a gente está apetrechada para especular, roubar e viver do esforço alheio, pois até um país desqualificado como o nosso oferece condições espectaculares para que outros grandes talentos frutifiquem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou empenhadíssimo, por exemplo, em tirar partido da mudança legislativa que permitirá ao senhor ministro das polícias autorizar a instalação de sistemas de videovigilância do espaço público sem prévia análise da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Poderia, é bem certo, dedicar-me à laboriosa montagem dos equipamentos necessários à plena segurança dos cidadãos, mas essa é uma actividade que exige trabalho e competências técnicas que não tenho. Planeio, isso sim, aproveitar a futura massificação dos meios de captação e transmissão de imagens para iniciar uma fulgurante carreira dramatúrgica, executando pequenos números de comédia física que hão-de, primeiro, divertir os agentes da autoridade responsáveis pelo visionamento das imagens das nossas ruas e praças, e, depois, espantar o país de alto a baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda a gente sabe, as imagens captadas pelas câmaras de videovigilância são normalmente transmitidas sem som e com uma velocidade que confere às cenas um ambiente de desenho animado. Os protagonistas parecem mover-se e deslocar-se com lapsos, como se fossem capazes de ir do ponto A ao ponto B sem passarem pelos planos intermédios. Esta característica parece-me ideal para o desenvolvimento de um método de representação que seja herdeiro do humor mudo de Buster Keaton e, ao mesmo tempo, concorrente dos melhores filmes de acção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se, então, um assalto, um acidente de trânsito ou uma simples altercação na via pública. Nessa altura, e com todas as atenções dos senhores agentes de videovigilância voltadas para o local do incidente, bastar-me-á surgir na imagem e assombrar o mundo com uma interpretação muito vívida de um personagem totalmente deslocado da realidade, movendo-me de modo extravagante e expressionista, ora dançando, ora tentando trepar paredes ou girando em volta dos postes de iluminação. Usarei um fato completo, com gravata borboleta, e um chapelinho de palha da Madeira, e estou já a treinar um passo muito elaborado e absurdo, a meio caminho entre a contenção dramática de Chaplin e a expressividade de um Vítor Gaspar (com uma pitada do ministro dos passos patéticos dos Monty Python). Para o pleno sucesso do meu plano C, só preciso de que as minhas prestações se tornem virais na internet e eu seja contratado para campanhas publicitárias na televisão. Venha, pois, 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 27 de Dezembro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5325315120021002911?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5325315120021002911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5325315120021002911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5325315120021002911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5325315120021002911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2012/01/um-plano-c-para-2012.html' title='Um plano C para 2012*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4XD-G_nkCjQ/Tv34oA8NV9I/AAAAAAAAAiE/QRHBgB5iz6o/s72-c/Silly-Walk-monty-python-13514283-1280-800%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4360934450673909976</id><published>2011-12-30T14:30:00.004Z</published><updated>2011-12-30T14:49:03.431Z</updated><title type='text'>O dia que nunca existiu</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TCMb8Gmx4lk/TtZrDh9GRII/AAAAAAAAGKs/rOZYl97-SQ8/s1600/weird-stuff01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 550px; height: 367px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-TCMb8Gmx4lk/TtZrDh9GRII/AAAAAAAAGKs/rOZYl97-SQ8/s1600/weird-stuff01.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não estou certo de que as mais criativas especialidades da física, incluindo a quântica e a das partículas subatómicas, sejam capazes de explicar tão estranho fenómeno, mas, desde que se tornou público que o governo da pequena república de Samoa decidiu saltar esta sexta-feira de modo a acertar o calendário, vários fenómenos estranhos começaram a suceder nos mais desencontrados sítios do mundo. Não sei como fizeram em Samoa, se ficaram simplesmente a dormir de quinta para sábado ou se encontraram outro modo de executar o pulo temporal que os transportou, de um segundo para o outro, do dia 29 de Dezembro para o dia 31, mas, entre nós, o inusitado acontecimento tem provocado os mais bizarros episódios. Vi um homem com o chapéu do avesso e outro que trazia as meias por fora dos sapatos, também estes trocados, o sapato direito no pé esquerdo e vice-versa. A água está a escorrer nos ralos em vórtices contrários ao sentido dos ponteiros dos relógios e os passarinhos passaram a voar misteriosamente, de papo para o ar, e parece que assobiando estranhas cantigas. Rui Rio foi visto a ler um livro (de Eugénio de Andrade; e parece que as letras da capa não estavam de pernas para o ar). Porcos pedalam excêntricas bicicletas. Ruben Focs não tem sido visto em Belo Horizonte e o escrivão Bartleby passou a fazer absolutamente nada oito horas e meia por dia, mesmo em alguns dias feriados. Um jornal desportivo, cujo nome não quero recordar-me, diz que o Benfica foi o campão nacional de futebol de um ano em que choveu de baixo para cima, como se o mundo estivesse todo de cabeça para baixo e um indivíduo com os pés bem assentes no chão não pudesse já saber o que é a verdade e a mentira entre tudo o que vê, lê e escuta, e, de certo modo, tivesse mesmo muita vontade de imitar os samoanos e saltar directamente de 2011 para um ano qualquer em que este país tivesse voltado a ser inteiro e limpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4360934450673909976?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4360934450673909976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4360934450673909976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4360934450673909976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4360934450673909976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/o-dia-que-nunca-existiu.html' title='O dia que nunca existiu'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-TCMb8Gmx4lk/TtZrDh9GRII/AAAAAAAAGKs/rOZYl97-SQ8/s72-c/weird-stuff01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-900784491104260023</id><published>2011-12-29T17:28:00.002Z</published><updated>2011-12-29T17:30:53.800Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#104</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que ignorantes do significado preciso (e dicionarizado) da palavra “paradoxo”, os utentes do autocarro são profundos praticantes dessa nobilíssima arte e, mais do que isso, estão atentos à suave deflagração do absurdo no quotidiano. Uma senhora que comungava, esta manhã, do meu (quase vazio) transporte público bem notou que “há crise, há crise, mas ninguém trabalha”, transformando-se, assim, numa implacável cronista de costumes, provavelmente mais contundente e precisa do que muito plumitivo encartado que para aí anda. Não querendo fazer má figura, pus-me, por isso, à escuta de outros episódios paradoxais, tendo imediatamente dado fé do trio de senhoras da limpeza que, instigadas pela mais vivaça, vinham discutindo a necessidade de irem aos chineses comprar cuecas azuis, vermelhas e amarelas para beneficiarem dos sortilégios do novo ano. Devia, é bem certo, ter meditado mais detidamente no paradoxo que pudesse haver nesta prática – avaliando de que modo a mais entusiasta tem beneficiado do “dinheiro, amor e saúde” que a supertição garantirá –, mas o debate adquiriu uma feição, digamos, mais vivaz e que transcendia o próprio paradoxo. Como uma das senhoras não atinava com o correcto uso dos amuletos íntimos, foi-lhe claramente explicado que deve passar a meia-noite do reveillon com as três cuecas vestidas, umas por cima das outras, para que a magia surta o necessário efeito. O vudu há-de, depois, ser retirado pela terceira pessoa a quem possa interessar a exploração dos países baixos, a qual, com alguma sorte, estará bêbada e nem achará estranho ter que despir três peças made in China. Vai, de certeza, ser um ano muito bem passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-900784491104260023?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/900784491104260023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=900784491104260023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/900784491104260023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/900784491104260023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/cronicas-do-autocarro104.html' title='Crónicas do autocarro#104'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-1060209420959733048</id><published>2011-12-28T11:45:00.002Z</published><updated>2011-12-28T11:51:03.406Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#103</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando comido de curiosidade desde que tomei conhecimento de que o autocarro 207 passou a disponibilizar aos utentes um serviço experimental de televisão e internet wireless. Moderno e dinâmico como sou, pretendo ser também bafejado pelo sopro tecnológico que percorre o 207 de uma ponta à outra, do pára-brisas ao vidro que se quebra em caso de emergência, e aceder ao Google e ao Facebook a partir do meu lugar predilecto. Imagino a coisa como algo que, por uma espécie de milagre das telecomunicações, enfiará no espaço acanhado do veículo toda a informação e entretenimento que existem no mundo. A Céline Dion virá cantar no meu colo e o José Rodrigues dos Santos piscar-me-á o olho em grande estilo a partir das mais avançadas plataformas tecnológicas, para não falar dos jogos de futebol em directo sacados de sítios que pirateiam a SportTv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora maravilhado, sou também perfeitamente capaz de vislumbrar alguns dos possíveis inconvenientes do maravilhoso mundo das comunicações sem fios aplicado no espaço do autocarro. O que sucederá ao meu amoroso &lt;em&gt;laptop&lt;/em&gt; quando, por exemplo, o motorista fizer uma daquelas travagens em que quase é preciso ir com uma espátula descolar os utentes do vidro da frente? Ou ainda pior: quem suportará o meu mau humor quando, ao abrir a edição online do P(asquim), constatar que as notícias (perfeitamente enxutas) que escrevi na véspera foram publicadas com uma semeadura aleatória de vírgulas, e que outras desapareceram misteriosamente dos sítios onde deviam estar, transformando um exercício profissional honesto e limpo numa coisa torpe e atrapalhada? Com quem poderei, enfim, partilhar a torrente de linguagem vernacular que nessas alturas se apossa de mim e jorra sem freio? Serão as regras da conduta no autocarro compatíveis com o desvario e a falta de educação desde vosso criado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconheço. À cautela, será melhor que continue a limitar-me ao Destak ou, vá lá, à contemplação da luz lambendo os azulejos das casas e os fios dourados de cabelo das raras e abstractas loiras que circulam na cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-1060209420959733048?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/1060209420959733048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=1060209420959733048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1060209420959733048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1060209420959733048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/cronicas-do-autocarro103.html' title='Crónicas do autocarro#103'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2916013419382886764</id><published>2011-12-26T21:23:00.004Z</published><updated>2011-12-27T17:19:57.937Z</updated><title type='text'>Lendas e narrativas da Coreia do Norte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-0GVn03wS8XU/TvjnJhmUQJI/AAAAAAAAAh4/gg2lUvhMN7k/s1600/kim-jong-il_portrait.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0GVn03wS8XU/TvjnJhmUQJI/AAAAAAAAAh4/gg2lUvhMN7k/s400/kim-jong-il_portrait.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690552280006541458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo a TV norte-coreana, o falecimento de Kim Jong-Il foi assinalado pela abertura de uma fenda nas montanhas e até por um grupo de andorinhas que foram chorar a morte do querido líder nas árvores próximas do memorial que homenageia o monarca. Palavra de honra que já não ouvia nada tão divertido pelo menos desde que as virgens e coisas assim abençoaram os primeiros monarcas europeus e indicaram que eram eles os escolhidos de deus para reinar sobre os desgraçados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem, estava a esquecer-me das coisas da IURD e daquelas cenas maradas na Cova de Iria, mas vocês entendem o que eu quero dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2916013419382886764?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2916013419382886764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2916013419382886764' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2916013419382886764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2916013419382886764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/lendas-e-narrativas-da-coreia-do-norte.html' title='Lendas e narrativas da Coreia do Norte'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0GVn03wS8XU/TvjnJhmUQJI/AAAAAAAAAh4/gg2lUvhMN7k/s72-c/kim-jong-il_portrait.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6785765042258506281</id><published>2011-12-26T15:09:00.003Z</published><updated>2011-12-26T15:21:51.729Z</updated><title type='text'>Jingle bells, jingle bells, já temos promoções*</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_oS2uObORCsQ/TN8AI1tuUkI/AAAAAAAAGRQ/6n5_4vklND0/s1600/desconto_50.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 319px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_oS2uObORCsQ/TN8AI1tuUkI/AAAAAAAAGRQ/6n5_4vklND0/s1600/desconto_50.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Curta-metragem: desalentados com os escassos sinais da quadra festiva nas ruas do Porto, o Pai Natal e o seu antecessor, S. Nicolau, juntam-se no Mercado do Bolhão para carpir mágoas. Triunfante e ufano, o Gnomo das Promoções irrompe na Cafetaria Pintainho para se gabar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fade in.&lt;br /&gt;Exterior.&lt;br /&gt;Porto, Avenida dos Aliados. Junto da estátua de Almeida Garrett há uma construção cónica de manequins de plástico (consta que é uma espécie de árvore de Natal). Dois dos manequins já estão tombados, desarticulados.&lt;br /&gt;Corta para&lt;br /&gt;Rua 31 de Janeiro, sobre as cabeças, duas fileiras tristes de luzinhas pindéricas em forma de pinheiro fazem as vezes de iluminações de Natal.&lt;br /&gt;Corta para&lt;br /&gt;Sucessão de montras da Baixa onde se lê “Promoções”, “-30%”, “-50%”, “Outlet”, “-70%”, “Descontos no interior”, “Promoção Especial de Natal”, “Natal com descontos especiais”, “Liquidação total”, “Ganhe 500 euros em produtos”, “-50%”, “Promoções”... Um grupo de imigrantes sul-americanos toca música dos Andes na Rua de Santa Catarina. Sobre a entrada do Teatro Sá da Bandeira, um enorme cartaz anuncia a revista &lt;em&gt;Mostra a perna que a crise não é eterna&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Corta para&lt;br /&gt;Interior&lt;br /&gt;Mercado do Bolhão. Duas vendedeiras de frutas, com orelhas de coelho, perguntam:&lt;br /&gt;Quer alguma coisa, filhinho?&lt;br /&gt;No centro do mercado, há um presépio armado em redor da fonte. As floristas vendem raminhos de azevinho.&lt;br /&gt;Quer alguma coisa, filhinho?&lt;br /&gt;Corta para&lt;br /&gt;A Cafetaria Pintainho tem a televisão ligada, num canto, a transmitir uma telenovela portuguesa. Noutro canto há um fio eléctrico do qual pendem lúgubres luzinhas coloridas. Por baixo, um minúsculo pinheiro de plástico, com dois palmos de altura e sem decoração. Ao balcão, cabisbaixo, está sentado o Pai Natal. Come, em silêncio, petingas fritas com arroz de feijão. Pede mais um copo de verde tinto Paisinho no momento em que entra o São Nicolau. Encosta o báculo à parede e senta-se também ao balcão. Cumprimenta o Pai Natal com uma palmadinha nas costas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Isso vai ou quê?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt; (bebendo o vinho de um trago só): Vai mal, vai mal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Então? Não é preciso beber para esquecer. Isto toca a todos, meu velho. Vê tu o caso do Menino Jesus, que já nem cá aparece. Mais cedo ou mais tarde, todos acabamos por nos transformar em velharias de bric-a-brac. Faz como eu, habitua-te. Há muito tempo que sou uma espécie de ficção do Natal do passado. Ainda desembarco todos os anos na Ribeira, mas agora já nem os jornais aparecem para fazer a fotolegenda do costume.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Falas de papo cheio. Continuas a ser o taumaturgo, o santo de Bari, o padroeiro da Rússia, da Noruega, da Grécia e dos guardas-nocturnos da Arménia. A mim tiram-me o Natal e fico sem nada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Sempre és o santo padroeiro da Coca-Cola, homem!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Mas ainda sou novo, não pensei que me substituíssem tão depressa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Somos sempre novos enquanto os outros não nos transformam em velhos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Então? O filósofo não era Santo Agostinho?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Era. Isto um santo safa-se como pode. Hoje faz milagres, amanhã distribui presentes e para a semana, se for preciso, ensina Filosofia. Um tipo habitua-se a tudo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Pois eu ainda não me habituei a isto. Já viste como está a cidade? Vai-se de uma ponta à outra de Santa Catarina e só se vêem promoções, liquidações, descontos... A maior parte das lojas nem tem decorações de Natal, só autocolantes com percentagens. Música dos Andes em vez do Jingle Bells. Só vi um Pai Natal insuflável, daqueles dos chineses, com um ar aparvalhado, e mesmo assim ninguém lhe ligava nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: É da crise... Este ano o Gnomo das Promoções chegou mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Cabrãozinho...&lt;br /&gt;Nisto, o Gnomo das Promoções materializa-se em cima do balcão, com um grande sorriso. Faz duas ou três cabriolas e fica a pairar no ar diante do Pai Natal e do S. Nicolau.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Está tudo bem, velhotes?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Desanda, morcão. Arreda belzebu, fideputa, cabrão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Que mau humor! Então? É Natal! (ri-se com uma gargalhada escarninha)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal &lt;/strong&gt;(resmungando): É, mas não parece.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Não tenho culpa, é a crise. Ainda há petingas? Estou com uma fome de lobo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Só bolinhos de bacalhau.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Seja. Bolinhos de bacalhau. Sempre fico dentro do espírito da quadra.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Se vens para aqui gozar, ouve o que eu te digo e põe-te a mexer antes que me chegue a mostarda ao nariz.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Ui, que rezingões que nós estamos. Somos amigos ou não somos?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Eu não sou amigo de gentinha como tu. T’arrenego, concorrência desleal! Agiota, maldito, avezimau, tinhoso!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Eu não tenho culpa se a vida te corre mal, ó velhote. Não inventei as compras, nem fui eu quem transformou o Natal nesta coisa de dar presentes e lembrancinhas. Só cheguei mais cedo para ver se te dava uma mãozinha à festa, para ver se as pessoas podem ao menos fazer de conta que está tudo bem e que é Natal como de costume. É assim que agradeces?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Obrigadinho, ó Freitas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Já não está cá quem falou. Se estás mal, muda-te. (erguendo o dedo, professoral) Podes muito bem olhar para o mercado de Língua Portuguesa... Angola, Moçambique, a Guiné, São Tomé e Cabo Verde, e não só, o Brasil também tem uma grande necessidade de mão-de-obra qualificada ao nível de pais natal.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Onde é que eu já ouvi isso?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Deve ter sido o Duende da Emigração. Ele anda aí outra vez. Para Angola rapidamente e em força!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Está bonito. Já só falta chover aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São Nicolau&lt;/strong&gt;: Já faltou mais. As obras no mercado nunca mais começam.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gnomo das Promoções&lt;/strong&gt;: Tenho de trazer comigo, um dia destes, a Fada da Construção Civil.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pai Natal&lt;/strong&gt;: Ou isso ou organizar-se uma corrida de mercados antigos.&lt;br /&gt;Fade out. A câmara sobe e afasta-se, em traveling, sobre o Bolhão e, depois, pela cidade mal iluminada. Ouve-se em fundo uma canção tradicional:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jingle bells, jingle bells!&lt;br /&gt;É Natal à força.&lt;br /&gt;O papá e a mamã&lt;br /&gt;Abrem os cordões à bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jingle bells, jingle bells!&lt;br /&gt;Já temos promoções;&lt;br /&gt;Estamos mal, estamos mal:&lt;br /&gt;Não há bolsa para os cordões.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*O texto aqui reproduzido foi publicado um dia destes numa página obnóxia de um jornal que quase ninguém leu, por ser natal e assim&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6785765042258506281?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6785765042258506281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6785765042258506281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6785765042258506281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6785765042258506281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/jingle-bells-jingle-bells-ja-temos.html' title='Jingle bells, jingle bells, já temos promoções*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_oS2uObORCsQ/TN8AI1tuUkI/AAAAAAAAGRQ/6n5_4vklND0/s72-c/desconto_50.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2239208998274978671</id><published>2011-12-26T09:56:00.003Z</published><updated>2011-12-26T10:05:10.829Z</updated><title type='text'>José Rodrigues Miguéis*</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-j22zDud7FAs/TvhF_BRriWI/AAAAAAAAAhs/VIxnFN8uuMw/s1600/darkbanner.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 292px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-j22zDud7FAs/TvhF_BRriWI/AAAAAAAAAhs/VIxnFN8uuMw/s400/darkbanner.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690375078159288674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imortalidade é um acidente difícil de gerir. Ocorre-me isto porque, só nos últimos dias, perdemos, os vivos, a companhia de Cesária Évora, de Vaclav Havel, de Christopher Hitchens, do carnavalesco Joãosinho Trinta ou de Kim Jong-il, para falar só naqueles que tiveram direito a notícia nos jornais que leio. É provável que, por bons ou maus motivos, alguns deles continuem a ser recordados nos próximos dez ou vinte anos. Talvez sejam ainda lidos, escutados, amados e respeitados dentro de um século ou dois. &lt;em&gt;Sodad&lt;/em&gt; há-de ser, por muito tempo, uma espécie de hino de Cabo Verde, e Havel será sempre o primeiro presidente da Checoslováquia eleito após o fim das ditaduras do Leste europeu. Na Rocinha, Trinta não deixará de ser aquele que conquistou os títulos do Carnaval do Rio para os Acadêmicos. E a memória de Jong-il durará enquanto persistir a monarquia comunista da Coreia do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Hitchens? Até quando continuará a ser lido e admirado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta pode parecer despropositada, mas vem-me em boa hora. Permite-me, por exemplo, escrever uma crónica em que tenho matutado com certa frequência; uma crónica que recorde José Rodrigues Miguéis, o escritor português falecido em Nova Iorque, em 1980, com o qual a eternidade não tem sido benévola. Miguéis foi muito popular, e justamente, da década de 1950 em diante, e ainda o li nos anos 1980: os contos de &lt;em&gt;Paços Confusos&lt;/em&gt;, a peça de teatro &lt;em&gt;O Passageiro do Expresso&lt;/em&gt; e o extraordinário &lt;em&gt;O pão não cai do céu&lt;/em&gt;, aparentado, se se quiser, com o &lt;em&gt;Levantado do Chão&lt;/em&gt; de Saramago – um retrato contundente e trágico do país que era Portugal durante o Estado Novo, assolado pela pobreza, pela fome e pela tortura. Hoje, porém, José Rodrigues Miguéis está completamente arredado das livrarias e das leituras do grande público, remetido, quando muito, ao reduto estreito das faculdades de Letras e ao bolor dos alfarrabistas. Foi, por isso, com jubilosa alegria que, há dias, reencontrei os livros de Miguéis expostos ao ar livre, tomando a brisa que corria pela alfacinha Rua Anchieta, onde, num sábado à tarde, se tinha montado uma feirinha de livros velhos e amarelecidos. Tomado de um impulso irreprimível, fiz-me dono de um exemplar de &lt;em&gt;Léah e Outras Histórias&lt;/em&gt;, de 1958, na sexta edição que a Estampa fez em 1981, e de &lt;em&gt;Uma Aventura Inquietante&lt;/em&gt;, também de 1958 e reeditado na década de 1980. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa-me, ainda assim, que, mesmo na minha geração, muito pouca gente tenha lido frases como “eras quase da minha estatura, rosada, fresca e reluzente como um grande fruto”, talvez porque o realismo passou de moda e saber de José Rodrigues Miguéis se transformou numa bizarria excêntrica, partilhada por gente igualmente deslocada e extravagante, que não confunde os melhores zeladores da língua portuguesa com a terra rasa e estéril que por aí se vende como se fosse literatura. Não se lê Miguéis (como não se lêem Sena, Nemésio ou Gomes Ferreira) e, pior do que isso, há ainda quem queira regressar ao antigamente, quando Portugal se parecia com a Coreia do Norte e os homens quase não tinham voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 20 de Dezembro de 2011&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem acima, roubada à Brown University (tenho a certeza de que o meu amigo Onésimo fará o favor de me absolver), inclui um esboço da cena culminante do conto &lt;em&gt;O Natal do Dr. Crosby&lt;/em&gt;, que ontem, providencialmente, terminei de ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2239208998274978671?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2239208998274978671/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2239208998274978671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2239208998274978671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2239208998274978671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/jose-rodrigues-migueis.html' title='José Rodrigues Miguéis*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-j22zDud7FAs/TvhF_BRriWI/AAAAAAAAAhs/VIxnFN8uuMw/s72-c/darkbanner.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7087809757489616729</id><published>2011-12-23T21:23:00.002Z</published><updated>2011-12-23T21:35:46.914Z</updated><title type='text'>Então feliz coiso e tal, como eles dizem</title><content type='html'>Não sou um indivíduo natalício. A quadra, sendo o que é, festejando o que festeja, dificilmente me poderia dizer menos. Mais facilmente teria motivos para celebrar a data do nascimento do Madjer (15 de Fevereiro), do Vinicius de Moraes (19 de Outubro), da Beyoncé (4 de Setembro) ou do Julio Cortázar (26 de Agosto), cujos mistérios nunca cessaram de me surpreender, ou um dia em que, sei lá, tenha sido particularmente feliz, se fosse capaz de me lembrar de datas (sou capaz de me lembrar de datas, mas não interessa nada).&lt;br /&gt;Hoje a minha filha perguntou-me se gosto mais de dar ou de receber presentes. Não é uma pergunta fácil, mas a resposta saiu-me muito facilmente. Gosto mais de dar. É o único motivo pelo qual tenho algum respeito pela merda da data que amanhã e depois se comemora com grandes comilanças (é o meu segundo motivo para guardar respeito à festa; tenho o estômago em grande consideração). Gosto de ver a felicidade dos outros quando recebem prendas. Não fosse isso e mais depressa passaria estes dois dias debaixo de uma manta, tentando esquecer a todo o custo a merda que há lá fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7087809757489616729?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7087809757489616729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7087809757489616729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7087809757489616729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7087809757489616729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/entao-feliz-coiso-e-tal-como-eles-dizem.html' title='Então feliz coiso e tal, como eles dizem'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3910858694092397121</id><published>2011-12-20T22:42:00.007Z</published><updated>2011-12-20T23:02:54.769Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#102</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais perversos agentes de uma resistência muda e anti-patriótica, os utentes do autocarro ainda não emigraram. Continuam a aparecer pontualmente na paragem, todos os dias, e alapam-se nos bancos como se estivessem dispostos a não ir a lado algum, nem Angola, nem Brasil, nem nada — vão até à paragem dos costume e é um pau com dois olhos. Nem sequer fazem menção de rumar a Moçambique para encorparem o orgulho ufano do ministro Relvas. &lt;br /&gt;Pedem-nos universalismo, abertura de espírito, revolucionário gosto pela aventura, mundividência, mas nós respondemos como velhos do Restelo, com sobranceria e alardeando a sebenta e reaccionária condição de gorduras da pátria — como que dizendo, a quem nos comeu a carne, que também nos hão-de comer os ossos.&lt;br /&gt;Quem, outrossim, não tem comparecido às deslocações quotidianas do autocarro é o melhor cliente da companhia, aquele que, veio a saber-se, era afinal um carteirista contumaz. Pobre homem, foi detido. Posso bem imaginá-lo saltitando de uma carreira para a outra, perdendo horas e horas até encontrar uma carteira que valesse a pena rapinar, tão esquálida é a condição habitual das bolsas dos utentes. Muito mais larápios são os Relvas deste mundo, que não andam de autocarro e, ainda assim, conseguem meter a mão no bolso de quem já o traz vazio. E ninguém lhes deita a mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3910858694092397121?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3910858694092397121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3910858694092397121' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3910858694092397121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3910858694092397121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/cronicas-do-autocarro102.html' title='Crónicas do autocarro#102'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6139888511192920841</id><published>2011-12-20T11:52:00.005Z</published><updated>2011-12-21T18:49:38.308Z</updated><title type='text'>As melhores leituras de um ano inteiro (top15, corrigido)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-P6-xFmVsSAE/TvB-ISUFxaI/AAAAAAAAAhg/ysc2xD1pDmM/s1600/DQuixoteLaMancha%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 252px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-P6-xFmVsSAE/TvB-ISUFxaI/AAAAAAAAAhg/ysc2xD1pDmM/s400/DQuixoteLaMancha%255B1%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688185010189092258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;em&gt;D. Quixote de la Mancha&lt;/em&gt;, de Miguel Cervantes (traduzido por Aquilino Ribeiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;em&gt;O Dois Amigos&lt;/em&gt;, de Kirmen Uribe &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;em&gt;A Pastoral Americana&lt;/em&gt;, de Philip Roth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;em&gt;Os anéis de Saturno&lt;/em&gt;, de W. G. Sebald&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;em&gt;Ulisses&lt;/em&gt;, de James Joyce (traduzido por Antônio Houaiss)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma Viagem à Índia&lt;/span&gt;, Gonçalo M. Tavares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.&lt;em&gt;A Festa do Chibo&lt;/em&gt;, de Mário Vargas Llosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.&lt;em&gt;Ferdydurke&lt;/em&gt;, de Witold Gombrowicz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.&lt;em&gt;Dublinesca&lt;/em&gt;, de Enrique Vila-Matas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.&lt;em&gt;À espera no centeio&lt;/em&gt;, de J. D. Salinger&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.&lt;em&gt;O Retorno&lt;/em&gt;, de Dulce Maria Cardoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12.&lt;em&gt;Os Pretos de Pousaflores&lt;/em&gt;, de Aida Gomes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.&lt;em&gt;O filho de mil homens&lt;/em&gt;, de Valter Hugo Mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.&lt;em&gt;O olho de Herzog&lt;/em&gt;, de João Paulo Borges Coelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.&lt;em&gt;El faro por dentro&lt;/em&gt;, Menchu Gutiérrez&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6139888511192920841?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6139888511192920841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6139888511192920841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6139888511192920841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6139888511192920841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/as-melhores-leituras-de-um-ano-inteiro.html' title='As melhores leituras de um ano inteiro (top15, corrigido)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-P6-xFmVsSAE/TvB-ISUFxaI/AAAAAAAAAhg/ysc2xD1pDmM/s72-c/DQuixoteLaMancha%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5989553681312502880</id><published>2011-12-19T23:24:00.006Z</published><updated>2011-12-19T23:49:25.985Z</updated><title type='text'>Livra-te deles, pequena (ou: bem sei, já fazia falta que eu escrevesse alguma coisa sobre a Rihana)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.jn.pt/Storage/JN/2011/big/ng1744834.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 302px; height: 424px;" src="http://www.jn.pt/Storage/JN/2011/big/ng1744834.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Circulava há pouco — no éter, por aí — uma notícia segundo a qual Jon Bon Jovi tinha morrido. Não sei se o óbito do Querido Chunga terá sido confirmado, mas, em todo o caso, inquietou-me um pouco mais o tweet segundo o qual a jovem Rihana vomitou durante o concerto que ocorreu em Lisboa, um dia destes. A despeito de o lugar poder inspirar estas manifestações de profundo asco (parece que até apareceu no hotel da cantora alguém, algum benfiquista, a proferir bacoradas de cariz racial), coisas como vomitar durante concertos costumam ser, infelizmente, o primeiro passo para que um determinado indivíduo faleça precocemente. No caso de Rihana, trata-se de um destino triste e que naturalmente se lamenta, quanto mais não seja pelo facto de estar em causa uma moça harmoniosamente concebida e, ainda por cima, dotada de alguns talentos vocais. Eu gosto muito da Rihana, dos olhos verdes dela e no narizinho de barraca, do quadril antilhano e de uma certa pose dengosa, motivo pelo qual lamento sinceramente os ínvios caminhos em que ela se enleie, convivendo, pelos vistos amenamente, com tipos que (digamos assim) cantam como se tivessem engolido um daqueles aparelhos que os traqueostomizados usam para falar. Livra-te deles, pequena. Livra-te deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5989553681312502880?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5989553681312502880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5989553681312502880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5989553681312502880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5989553681312502880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/livra-te-deles-pequena-ou-bem-sei-ja.html' title='Livra-te deles, pequena (ou: bem sei, já fazia falta que eu escrevesse alguma coisa sobre a Rihana)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8214467444574800899</id><published>2011-12-19T15:20:00.003Z</published><updated>2011-12-19T16:25:39.530Z</updated><title type='text'>Umas tangerinas muito pequeninas</title><content type='html'>Comi hoje umas tangerinas muito engraçadas, pouco maiores do que berlindes. Cresceram numa árvore do Souto do Rio, num quintal voltado para o Douro, e tinham um sabor antigo e honesto – bom. Eram frutos de outros frios, como que saídos de uma máquina do tempo sem passar pela peneira das normas comunitárias e pelos fiscais da ASAE. Achei aquelas tangerinas parecidas com um velhote que, pouco depois, vi mastigando um pão na estação de Francos do metropolitano. Era muito magro e pequeno, quase não tinha dentes, e só reparei nele quando uma moça que comprava bilhetes perguntou a alguém no outro lado da linha se, por acaso, não tinha vinte cêntimos. O velho corporizou-se, então, e perguntou: “Queres vinte cêntimos?”. Ela disse que sim. Ele tirou as moedas do bolso e deu-lhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8214467444574800899?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8214467444574800899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8214467444574800899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8214467444574800899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8214467444574800899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/umas-tangerinas-muito-pequeninas.html' title='Umas tangerinas muito pequeninas'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-9132164049316473908</id><published>2011-12-19T07:04:00.000Z</published><updated>2011-12-19T07:04:00.146Z</updated><title type='text'>Um eterno retorno*</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2s40By-3NyA/Tu4Pmg6JB2I/AAAAAAAAAhU/ELx5hIxT_2M/s1600/retornados%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2s40By-3NyA/Tu4Pmg6JB2I/AAAAAAAAAhU/ELx5hIxT_2M/s400/retornados%255B1%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687500533758756706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertence provavelmente ao domínio das belas coincidências a circunstância de o ano literário português ter principiado e terminado com dois romances cujas narrativas exploram o drama daqueles que, vivendo em Angola aquando da independência do país, se viram obrigados a embarcar para Portugal. &lt;em&gt;Os Pretos de Pousaflores&lt;/em&gt;, de Aida Gomes, e &lt;em&gt;O Retorno&lt;/em&gt;, de Dulce Maria Cardoso, têm méritos literários indiscutíveis e tratam ambos de pessoas desenraizadas e estigmatizadas, afastadas das suas referências e, por isso, transplantadas numa terra estranha e pobre, retrógrada e hostil, e forçadas a ganhar aqui novas raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recente e tendo sido objecto de maior atenção mediática, &lt;em&gt;O Retorno&lt;/em&gt; tem uma trama já relativamente conhecida, na qual milhares de ex-colonos brancos imediatamente se reviram. Rui, um adolescente louro de 14 anos, nascido em Angola de pais portugueses, vê-se retornado a um país onde nunca tinha estado, e hospedado num hotel de luxo do Estoril, num exílio simultaneamente dourado e miserável. Inadaptado e objecto da estúpida xenofobia da época, Rui conta uma história tocante e provavelmente não muito diferente de inúmeras outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os Pretos de Pousaflores&lt;/em&gt; constitui, por isso, uma ficção ainda mais radical, na medida em que ao purgatório comum a todos os “retornados” se junta o facto de estarmos perante três jovens crioulos, filhos de Silvério, um português que vivia em Angola há quarenta anos quando, em 1975, achou mais prudente regressar à pátria. Narrado de modo polifónico, o romance de estreia de Aida Gomes leva-nos para dentro do labirinto individual de cada um dos filhos de Silvério (Justino, Belmira e Ercília), confrontados com a vida mesquinha e paupérrima, amarga, de uma pequena aldeia do interior português, e com um racismo ainda mais selvagem e visceral. Não contam, sequer, com o amparo de outros na mesma condição, nem com o rótulo oficial dos “retornados” e com a caridade que lhe correspondia. Sendo tão portugueses como o louro Rui, são, porém, apenas “pretos”, quase alienígenas para os vizinhos e para a tia que os acolhe de má catadura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De algum modo, Justina, Belmira e Ercília, mas também Rui, parecem-se com os cegos de Saramago avançando pela cidade inóspita agarrados uns aos outros para não se perderem, mas perdendo-se ainda assim. Talvez, contudo, se assemelhem sobretudo a nós, portugueses deste início de século XXI, enredados também na condição de estranhos estrangeiros, ou de párias de estimação, expulsos da realidade que tínhamos e atirados para um país sem esperança, sem emprego e sem remédio que não seja empobrecer para viver amanhã pior do que ontem. Somos oficialmente aconselhados, outra vez, a sair e a procurar uma vida longe do nosso chão, onde os nossos filhos possam sonhar com uma vida melhor do que a nossa. Alguns de nós partirão atrás das novas Áfricas e, um dia, fustigados pela intolerância em que o Homem frequentemente se amesquinha, talvez tenham que regressar outra vez – e começar de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 13 de Dezembro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-9132164049316473908?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/9132164049316473908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=9132164049316473908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/9132164049316473908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/9132164049316473908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/um-eterno-retorno.html' title='Um eterno retorno*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2s40By-3NyA/Tu4Pmg6JB2I/AAAAAAAAAhU/ELx5hIxT_2M/s72-c/retornados%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7255809069527094586</id><published>2011-12-17T14:14:00.001Z</published><updated>2011-12-17T14:14:44.238Z</updated><title type='text'>C'ma vida tem um sô vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://zulalmuzik.files.wordpress.com/2006/06/cesaria_evora3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 442px; height: 351px;" src="http://zulalmuzik.files.wordpress.com/2006/06/cesaria_evora3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesária Évora 08/1941 - 12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7255809069527094586?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7255809069527094586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7255809069527094586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7255809069527094586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7255809069527094586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/cma-vida-tem-um-so-vida.html' title='C&apos;ma vida tem um sô vida'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8817648604099907466</id><published>2011-12-17T13:44:00.002Z</published><updated>2011-12-17T19:59:22.760Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#101</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, ou o bosão que veio a inventá-lo ao fim de umas quantas reacções físico-químicas, mantém um ascendente muito considerável no interior do autocarro, ao ponto de, às vezes, me obrigar a olhar para o motorista quando entro na viatura, para ver se aquele rosto me parece minimamente familiar ou se algum dos meus bosões o reconhece como parte do seu todo, ou lá como raio se processa a nossa participação individual no todo primordial. Não é por nada, mas tendo a acreditar que a presença do bosão entre nós assegurará o bom sucesso da viagem e, já agora, o cumprimento dos horários.&lt;br /&gt;Na ausência de deus, quando ele esteja a utilizar outra carreira (ou, com mil raios, até a viajar no metro), fico mais descansado sempre que vejo entrar na viatura a senhora muito vesga que todos os anos vai a Fátima na excursão que a paróquia organiza. Pelo menos enquanto ela ali estiver, um sujeito, por muito herege que seja, tem a certeza de que mal algum sucederá ao 502 na presença protegida da doce e crente criatura. Parecendo que não, viaja-se muito mais descansado e até nos podemos inteirar do esforço proselitista da senhora vesga, que informa que a ida a Fátima, na excursão da tal paróquia, custa a módica quantia de 22 euros com almoço incluído e de 13 euros e meio quando o crente prefira levar o Tupperware de casa. &lt;br /&gt;Pareceu-me mal. Se é para ir adorar a virgem sem morfes, ao menos que arredondassem a conta: treze euros para ir, a 13 de Outubro, adorar a senhora do 13 de Maio. Nem o bosão será, um dia, tão impecavelmente matemático e perfeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8817648604099907466?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8817648604099907466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8817648604099907466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8817648604099907466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8817648604099907466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/cronicas-do-autocarro101.html' title='Crónicas do autocarro#101'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2615052846550007786</id><published>2011-12-16T14:35:00.007Z</published><updated>2011-12-16T15:16:21.884Z</updated><title type='text'>Impulso cívico e consciência de classe</title><content type='html'>Há-de, certamente, haver um teste psicotécnico que inclua uma situação parecida com aquela que me proponho relatar. E, se não há, devia haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois imagine-se que um caralhinho qualquer vai a correr por uma vereda, entre árvores, e que, lá de cima, assiste a um assalto que se está praticando na via pública, vários metros abaixo. A primeira coisa que lhe ocorre é um impulso cívico: fazer alguma coisa para deter o meliante. O caralhinho, porém, é um pouco cobarde, não tem cabedal para levar dois estalos e, além disso, o larápio está ao fundo de uma vereda muito inclinada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caralhinho, estando a correr, também não tem consigo um telemóvel para alertar a polícia. Ocorre-lhe, ainda assim, a possibilidade de encontrar, ali perto, um agente da autoridade, ao qual alertará para o facto de o vidro de um BMW X não sei quê ter sido partido por um indivíduo assim e assim, o qual se apossou de um saco que estava no interior da viatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de meia hora correndo, o caralhinho não encontra, porém, nenhum agente da autoridade, uma vez que a dita autoridade havia de estar em peso cuidando da boa ordem da demolição de um bairro de desgraçados para que lá seja construído um bairro de gente rica, no qual, daqui a alguns anos, o proprietário do BMW X não sei quê pode vir a morar, contemplando o rio aos seus pés e já esquecido da merda da saca e do vidro que lhe partiram, pois haverá sempre quem, por fraca retribuição, produza o suficiente para pagar a porra de um vidro partido no carro do patrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caralhinho, correndo, resolve mas é ir tomar banho e esquecer o assalto. Sabe que não é um exemplo de consciência cívica, mas nada lhe garante que o dono do BMW X coiso não seja um cabrão capitalista que nem sequer saiba o que seja ter uma consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há-de ser nada. Está tudo bem. Há, afinal, animais muito merdosos que conseguem sobreviver na selva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2615052846550007786?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2615052846550007786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2615052846550007786' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2615052846550007786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2615052846550007786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/impulso-civico-e-consciencia-de-classe.html' title='Impulso cívico e consciência de classe'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3405974666868065401</id><published>2011-12-13T14:51:00.002Z</published><updated>2011-12-13T15:03:27.897Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#100</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou muito empenhado em escrever a centésima crónica do autocarro, mas os outros utentes, que diabo!, não têm colaborado quase nada com o meu esforço. Pouco solidários, egoístas mesmo, vão calados e quietos como mochos (ou como barões da finança, nunca sei muito bem). Não fazem nada que seja digno, sequer, de uma frase, deixando-me entregue, isso sim, a uma meditação daninha em torno do Bosão de Higgs, a chamada “partícula de deus”. Interrogo-me o mais filosoficamente de que sou capaz, dou voltas ao tutano, reviro-me em piruetas grotescas e muito metafísicas e, ao fim de um pedaço, quase me convenço de que, existindo o bosão, existirá também uma espécie de deus, uma coisinha de nada infinitamente pequena, mas presente, ainda assim, em todas as coisas da natureza desde o instante inicial do universo. Reviro teatralmente os olhos, fingindo perscrutar o autocarro como se fosse capaz de enxergar o bosão a olho nu, e simulo ter visto deus a passar numa corrente de ar, no ranho do nariz da miúda do banco da frente, no buço da velha com falta de banho, ei-lo!, eis o bosão feito carne entre nós, o todo-poderoso bosão, princípio e causa de todas as causas. Imagino, pois, que o velhote catarrento me acotovela, perplexo, e me pergunta que caralho estou afinal eu a ver com a boca aberta e os olhos esbugalhados. Explico que é o Bosão de Higgs, infinitamente pequeno, mas incontestavelmente presente também ali, no nosso autocarro.&lt;br /&gt;- Uma merdinha desse tamanho? O amigo vai a perder tempo com uma merdinha mais pequena que a cabeça de um alfinete?&lt;br /&gt;- Dizem que é deus, alego.&lt;br /&gt;- Deus? Deus? Mas o amigo não sabe que deus habita exclusivamente nas Caxinas, bairro piscatório cuja fé move montanhas e helicópteros da força aérea?&lt;br /&gt;- Deveras?&lt;br /&gt;- Com efeito!, responde-me o velho.&lt;br /&gt;- E o bosão?&lt;br /&gt;- Trata-se apenas de mais uma invenção do sionismo internacional. Tudo aquilo que esteja relacionado com túneis construídos entre a França e a Suíça está relacionado, já se sabe, com fuga de capitais, grande negociatas, agências de rating e o diabo a quatro.&lt;br /&gt;- Também o bosão?&lt;br /&gt;- Também esse.&lt;br /&gt;- Raios!, ouvi-me dizer. &lt;br /&gt;E de imediato me ocorreu que devo urgentemente passar a circular num autocarro onde ainda não me conheçam. Não é por nada, mas, já agora, teria sido engraçado chegar à centésima crónica sem ter de inventá-la de alto a baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3405974666868065401?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3405974666868065401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3405974666868065401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3405974666868065401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3405974666868065401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/cronicas-do-autocarro100.html' title='Crónicas do autocarro#100'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8442435577753403828</id><published>2011-12-12T07:26:00.002Z</published><updated>2011-12-12T07:26:00.183Z</updated><title type='text'>O Sócrates bom*</title><content type='html'>&lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2011/12/sócrates-gol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 597px; height: 336px;" src="http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2011/12/sócrates-gol.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tonto como sou, ando há várias semanas a perder tempo com o infeliz assunto da irresponsabilidade contumaz dos dirigentes que temos. Hoje, porém, voltou a ocorrer-me que esta teimosia é reveladora de uma enorme insensatez; que, apesar do esforço de reflexão, análise e crítica realizado por várias gerações de pessoas muito melhores do que eu, não consta que o país alguma vez tenha despendido algum esforço para tentar ser melhor do que é. Quando muito, carrega na maquilhagem, faz uma plástica às mamas e vai abanar o traseiro para os salões, na esperança de engatar algum velho rico que o sustente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitíssimo cansado, pois, de todos os Sócrates maus que têm governado esta choldra – desde aqueles que realmente se chamam Sócrates aos que prosaicamente se chamam Barroso ou Coelho, passando pelos simples Silva que fazem gala em não saber hoje aquilo que fingiam conhecer profundamente há 20 anos –, apetece-me hoje homenagear aqueles que foram os Sócrates bons. Quero recordar, desde logo, o filósofo ateniense que, segundo a lenda, ensinava aqueles que o escutavam a usar a própria cabeça – e que, por isso, se tornou incómodo ao ponto de ter sido condenado à morte pelos responsáveis políticos da época em que viveu –, mas também o ex-futebolista brasileiro falecido este fim-de-semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho, felizmente, idade suficiente para ter visto jogar Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira naquele Mundial de 1982 que a Itália ganhou sem saber ler nem escrever. Foi há muito tempo e, por isso, vi tudo a preto-e-branco na pequena televisão Grundig que tínhamos em cima do frigorífico. Belmiro, o meu primo carioca que, então, tinha vindo conhecer a terra dos avós, preferia o Zico e o Falcão e trazia uma camisola oficial do escrete (agora que penso nisso, acho que foi por causa da camisola amarela do Belmiro que eu fiquei a saber qual era a cor do equipamento do Brasil; por outro lado o meu primo jogava tão mal à bola que conseguiu destruir o bondoso preconceito segundo o qual todos os brasileiros eram futebolistas predestinados). Eu nunca mais me esqueci do Sócrates, um magricela barbudo que se movimentava no campo como se vivesse numa dimensão paralela do tempo: os outros afadigavam-se e corriam, mas Sócrates parecia ter sempre tempo para tudo, como se cada instante durasse, para ele, nove ou dez segundos. Esticava o tempo de uma forma quase insuportável e, depois, com uma elegância etérea, fazia um passe exacto e perfeito, de puro milagre, que inventava um espaço que não parecia existir antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As muitas biografias que ontem o recordavam coincidiam em sublinhar que Sócrates era culto e inteligente, cívica e politicamente empenhado, e que jogava sempre de cabeça erguida. Era um criativo cuja capacidade de invenção residia na capacidade de simplificar as coisas. “Dava poucos toques na bola, não desperdiçava nenhum”, escreveu o Filipe Escobar de Lima na página 23 do PÚBLICO. Dito assim, parece o protótipo do governante ideal, seja de um país ou de uma casa de família. Mas os políticos nunca aprendem nada com o futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 6 de Dezembro de 2011 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8442435577753403828?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8442435577753403828/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8442435577753403828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8442435577753403828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8442435577753403828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/o-socrates-bom.html' title='O Sócrates bom*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-9192736406978420209</id><published>2011-12-11T22:11:00.000Z</published><updated>2011-12-11T22:12:36.882Z</updated><title type='text'>Exercício prático para voltarmos a ser pobrezinhos</title><content type='html'>Tendemos naturalmente, os realistas, a ser exagerados e a ver catástrofes onde elas, na verdade, não existem. A austeridade, por exemplo — pode acarretar iniludíveis vantagens sociais que não se enxergam imediatamente, mas que estão lá, mergulhadas na escuridão. Foi o que me aconteceu ontem, quando uma avaria em várias subestações da EDP me deixou a viver (quase) na Idade Média durante um par de horas. No princípio não víamos a ponta de um corno, a Maria protestava que não podiam tomar banho e mais não sei o quê, mas, daí a nada, tínhamos outra vez música  e o jantar na mesa iluminada por uma vela destinada a disfarçar o odor do tabaco. Graças ao fogão a gás, ao iBook com a bateria carregada e a um iPhone convidado, muitíssimo jeitoso para alumiar o esturgido da feijoada, jantámos com alguma normalidade e, depois, enquanto esperávamos que a electricidade regressasse para lavar a louça, jogámos um daqueles jogos sociais que me aborrecem enormemente (ganho sempre). No fim, o Afonso ainda desenhou um retrato espectacular da irmã, mas aí já tínhamos outra vez luz em casa e havíamos voltado a viver à grande, como se não estivéssemos no país do Passos Coelho e do Vítor Gaspar. Mas a verdade é que, ficou provado, se podemos perfeitamente viver (quase) na Idade Média, é também possível voltarmos a ser pobrezinhos como no tempo da outra senhora. Não é a melhor coisa do mundo e não será fácil explicar ao Afonso que aquilo de desenhar retratos não é uma actividade muito promissora para pelintras como nós, mas, que diabo!, mais tarde ou mais cedo ele também vai ter que perceber que a Scarlett Johansson não chega para todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-9192736406978420209?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/9192736406978420209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=9192736406978420209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/9192736406978420209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/9192736406978420209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/exercicio-pratico-para-voltarmos-ser.html' title='Exercício prático para voltarmos a ser pobrezinhos'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5165328704934905400</id><published>2011-12-11T21:52:00.001Z</published><updated>2011-12-11T21:53:08.025Z</updated><title type='text'>Grandes baluartes da revolução bolchevique</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Nb12c2rdmys/TuUl1n11fXI/AAAAAAAAAg8/eTUNb6nfGmc/s1600/wideexpanse.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 272px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Nb12c2rdmys/TuUl1n11fXI/AAAAAAAAAg8/eTUNb6nfGmc/s400/wideexpanse.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5684991707783200114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;— Três é um número de sorte — disse Mandelstam, soltando o laço enquanto lambia o resto do vinho tinto dos lábios. Depois, lançou-se num solilóquio constrangido (um que eu já ouvira anteriormente) sobre como a revolução bolchevique tivera consequências sexuais, como sociais e políticas. (...) — Na década de 20 — disse ele à nossa convidada —, os ménage a trois começaram a ser amplamente praticados nos círculos intelectuais. (...) Falo pela minha mulher, não falo, Nadenka?, quando digo que consideramos um casamento a três um baluarte que nenhum intruso consegue conquistar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Epigrama de Estaline&lt;/span&gt;, de Robert Littel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5165328704934905400?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5165328704934905400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5165328704934905400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5165328704934905400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5165328704934905400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/grandes-baluartes-da-revolucao.html' title='Grandes baluartes da revolução bolchevique'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Nb12c2rdmys/TuUl1n11fXI/AAAAAAAAAg8/eTUNb6nfGmc/s72-c/wideexpanse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8052294901779281751</id><published>2011-12-11T21:50:00.001Z</published><updated>2011-12-12T22:30:15.056Z</updated><title type='text'>Não basta fazê-las enormes e tapar as janelas do Siza</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-M-gKx8rwfko/TrJltc-VxWI/AAAAAAAAABE/H-pD-Bv_-i0/s1600/ts004%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 367px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-M-gKx8rwfko/TrJltc-VxWI/AAAAAAAAABE/H-pD-Bv_-i0/s1600/ts004%255B1%255D.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Creio que não andarei muito longe da verdade se afirmar, com a natural insensatez que em mim se abriga, que o aspecto mais notável das fotografias de Thomas Struth expostas em Serralves é o tamanho em que estão impressas (isso e a capacidade de Struth para se levantar de madrugada a tempo de conseguir fotografar as cidades ainda sem gente). Impressionou-me, ainda assim, o paradoxo e a confusão mental que se pode estabelecer durante a visualização, numa sala vazia, das enormes fotografias em que aparecem as salas de grandes museus cheias de gente a olhar para quadros famosos, bem como o cuidado dos responsáveis por Serralves em correr os estores das janelas do museu. Muito sinceramente, qualquer das imagens do parque que pudessem ver-se pelos janelões do Siza seria muito mais espectacular do que as fotografias gigantes do Struth.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8052294901779281751?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8052294901779281751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8052294901779281751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8052294901779281751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8052294901779281751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/nao-basta-faze-las-enormes-e-tapar-as.html' title='Não basta fazê-las enormes e tapar as janelas do Siza'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-M-gKx8rwfko/TrJltc-VxWI/AAAAAAAAABE/H-pD-Bv_-i0/s72-c/ts004%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2637540726005934596</id><published>2011-12-07T12:14:00.003Z</published><updated>2011-12-07T12:21:22.949Z</updated><title type='text'>O grito da menina vestida de verde</title><content type='html'>&lt;a href="http://graphics8.nytimes.com/images/2011/12/07/world/asia/AFGHAN/AFGHAN-articleLarge.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 600px; height: 370px;" src="http://graphics8.nytimes.com/images/2011/12/07/world/asia/AFGHAN/AFGHAN-articleLarge.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fotografias não têm som, mas a imagem que Massoud Hossaini ontem captou em Cabul, no Afeganistão, após um ataque bombista, parece capaz de nos obrigar a levar as mãos aos ouvidos para tentar abafar o grito daquela menina vestida de verde. Está rodeada dos corpos semeados pela explosão, sangra de uma ferida na cabeça, as calças sujas de sangue, as mãos sujas de sangue e terra – e as mãos dela gritam quase tanto como a boca aberta num ricto de horror. Em outra imagem da mesma sequência, a menina continua gritando, na mesma posição, enquanto uma mulher de preto fala ao telemóvel, como se a dor e o absurdo a tivessem transformado numa estátua imóvel e dura, numa estranha obra de arte. Olha-se para a menina de verde e é como ver o &lt;em&gt;Grito&lt;/em&gt; de Edvard Munch elevado ao paroxismo do mais hiperbólico terror, o &lt;em&gt;Grito&lt;/em&gt; entre corpos deixados em posições desarmadas e estúpidas, como bonecos devastados pela ira de uma criança. Não se ouve o grito, mas escuta-se distintamente o grito. E quem leva as mãos aos ouvidos somos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2637540726005934596?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2637540726005934596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2637540726005934596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2637540726005934596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2637540726005934596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/o-grito-da-menina-vestida-de-verde.html' title='O grito da menina vestida de verde'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8242226926734336309</id><published>2011-12-05T22:09:00.004Z</published><updated>2011-12-05T22:19:21.091Z</updated><title type='text'>O "excedente orçamental" ainda nos vai sair muito caro</title><content type='html'>Tal como, há não muito tempo, José Sócrates tinha feito com o fundo de pensões da Portugal Telecom, Passos Coelho executou o seu primeiro brilharete orçamental graças à transferência para o Estado dos fundos de pensões da banca. Mais interessante, ainda assim, do que discutir se o Governo tinha mesmo necessidade de nos romper os bolsos das calças quando cá veio meter a manápula, talvez fosse importante perceber que tipo de garantias o Estado/Governo deu aos senhores banqueiros, os quais, tanto quanto se sabe, não cultivam o hábito de entregar as suas ricas pataquinhas a terceiros por dá cá aquela palha. O que lhes deu, pois, o Governo em troca? Ainda não se sabe. Mas ou muito me engano ou o excedente de dois mil milhões de euros nas contas públicas deste ano não serão propriamente uma boa notícia para os direitos de quem trabalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8242226926734336309?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8242226926734336309/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8242226926734336309' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8242226926734336309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8242226926734336309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/o-excedente-orcamental-ainda-nos-vai.html' title='O &quot;excedente orçamental&quot; ainda nos vai sair muito caro'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7081982871404317805</id><published>2011-12-05T06:30:00.002Z</published><updated>2011-12-05T06:30:01.393Z</updated><title type='text'>A infantilização em curso*</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.ivegotthenews.net/wp-content/themes/Pim-v1-1/Pim/timthumb.php?src=http://www.ivegotthenews.net/wp-content/uploads/2011/10/stanley.jpg&amp;h=300&amp;w=600&amp;zc=1"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 600px; height: 300px;" src="http://www.ivegotthenews.net/wp-content/themes/Pim-v1-1/Pim/timthumb.php?src=http://www.ivegotthenews.net/wp-content/uploads/2011/10/stanley.jpg&amp;h=300&amp;w=600&amp;zc=1" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho andado a ler um livro muito bizarro e louco, &lt;em&gt;Ferdydurke&lt;/em&gt;, que o polaco Witold Gombrowicz publicou em 1937. O romance é tão absurdo, tão irreal e desconcertante, que, tolo como sou, dei por mim a achar que aquela narrativa celerada se parece bestialmente com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo do romance conta como Józio, um homem de trinta anos, é submetido a um rigoroso (e paródico) processo de infantilização, de modo a que volte a ser um adolescente inocente e ingénuo. É encaminhado para a inenarrável escola do professor Piórkowski, especializada em educar uma juventude inquieta e disparatada, que resiste ao ensino proferindo palavrões muito selvagens. Submetido ao tutu, Józio mergulha, de facto, numa espécie de segunda infância, radical e insana, comportando-se de forma totalmente alheia à normalidade. De resto, quase tudo no romance acontece ao arrepio do trato comum das coisas do mundo – um pouco como se os ministros de um país mergulhado na crise e na austeridade se deslocassem em automóveis topo-de-gama para os locais onde haverão de comentar o aumento do desemprego e anunciar novos cortes nas prestações sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade, por muito disparatada que pareça às vezes, não tem evidentemente espaço para episódios tão absurdos, nem nos adestra, apesar de tudo, para sermos adultos infantilizados e, por isso, dóceis e receptivos a quase todos os sacrifícios e ordens que os tutores nos queiram impor. Não somos, por exemplo, inocentes e ingénuos ao ponto de acreditar que seja possível perder direitos adquiridos sem mexer um dedo; ou de nos ser possível conceber que um só deputado possa votar pelos outros todos, quando a razão nos diz que cada indivíduo eleito para representar o povo vota sempre de acordo com a sua consciência individual e salvaguardando os interesses daqueles que o elegeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ferdydurke&lt;/em&gt; é tão disparatado que só um espírito muito perturbado (como o deste vosso criado) pode chegar a vislumbrar alguma relação entre o puro destrambelhamento da ficção e a exemplar organização do real. Qualquer pessoa normal entende perfeitamente, por exemplo, que aquela sociedade infantilizada não tem nada a ver com a Polónia real e concreta que, dois anos depois, havia de ser invadida e facilmente ocupada pela Wehrmacht de Hitler e, depois, por Moscovo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos, felizmente, num tempo de gente madura e com sólida formação cívica, no qual dificilmente se encontra espaço para o absurdo. Entre nós, bem entendido, as coisas acontecem de acordo com regras precisas e indisputáveis, sem a intervenção de histerismo aleatórios. Aniquilam-se a agricultura e as pescas quando isso faz sentido e lançam-se projectos mirabolantes, tipo expos e assim, quando é o melhor para todos. Por isso, quando Mietus, um dos personagens do livro, se lança em busca de um camponês que o redima, não me ocorreu, por um instante sequer, o programa de repovoamento agrário que o nosso bondoso presidente tão consequentemente defende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura, como se sabe, está cheia de ideias muito insensatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 29 de Novembro de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7081982871404317805?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7081982871404317805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7081982871404317805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7081982871404317805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7081982871404317805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/infantilizacao-em-curso.html' title='A infantilização em curso*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-205674028819475389</id><published>2011-12-02T14:27:00.007Z</published><updated>2011-12-02T17:14:08.123Z</updated><title type='text'>Como transformar um mono numa mulher com alguma graça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-iuIgOP4RmSM/TtjghVR08AI/AAAAAAAAAgw/fW806PGiDOM/s1600/imagen_Lady_Gaga_Tony_Bennett%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 224px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-iuIgOP4RmSM/TtjghVR08AI/AAAAAAAAAgw/fW806PGiDOM/s400/imagen_Lady_Gaga_Tony_Bennett%255B1%255D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5681537793180102658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ecumenicamente sensível à temática da violência sobre os animais, e consternado com os maus tratos que alguns humanos se auto-infligem, sempre me inquietou um pouco a saúde geral desse ser conhecido pela designação de Lady Gaga, frequentemente exposto em público com sinais evidentes de ter sido submetido a sevícias estéticas muito selvagens. A fotografia que aqui se exibe, hoje publicada no &lt;em&gt;El País&lt;/em&gt;, da autoria de Annie Leibovitz, demonstra, ainda assim, que, por baixo daquele fantoche existe ainda uma mulher – e uma mulher visualmente interessante, ainda por cima, bem servida de proporções, ágil e elástica, aparentemente firme. Na fotografia também aparece Tony Bennet, o qual até poderia constituir uma potencial ameaça à integridade da criatura no seu estado natural. Mas, com a idade que tem, Bennet já não deve ser capaz de fazer mal a uma mosca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-205674028819475389?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/205674028819475389/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=205674028819475389' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/205674028819475389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/205674028819475389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/12/como-transformar-um-mono-numa-mulher.html' title='Como transformar um mono numa mulher com alguma graça'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-iuIgOP4RmSM/TtjghVR08AI/AAAAAAAAAgw/fW806PGiDOM/s72-c/imagen_Lady_Gaga_Tony_Bennett%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-1089301815736642356</id><published>2011-11-29T22:12:00.005Z</published><updated>2011-11-29T22:26:50.755Z</updated><title type='text'>O minha legião de seguidores é, afinal, um saco de plástico vazio, soprado pelo vento</title><content type='html'>No fundo, a fama e a celebridade estão ao alcance de qualquer um. Tudo vai de um indivíduo ser pouco dotado de amor próprio e estar disponível para aproveitar as oportunidades que lhe saiam ao caminho. Foi o que eu fiz. Hoje armei-me aos cágados e estive num canal de televisão por cabo a palpitar durante quase dez minutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que, mais dia menos dia, isto acabava por acontecer; que, no dia em que me estreasse como comentador da actualidade na televisão, contaria, quase de imediato, com uma legião de seguidores. Pois aconteceu exactamente como previra. Fui ao jornal 18/20 da RTP Informação e, mal saí dos estúdios do Monte da Virgem (a propósito: bonito topónimo), a caminho do metro, percebi que já estava a ser perseguido. Alertado pelo ruído, olhei furtivamente para trás. Não me enganei: era um saco de plástico do Continente soprado pelo vento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-1089301815736642356?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/1089301815736642356/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=1089301815736642356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1089301815736642356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1089301815736642356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/o-minha-legiao-de-seguidores-e-afinal.html' title='O minha legião de seguidores é, afinal, um saco de plástico vazio, soprado pelo vento'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5864060220797973120</id><published>2011-11-29T11:31:00.003Z</published><updated>2011-11-29T11:52:12.072Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#99</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mercados, mercados e mais mercados. Já vomito mercados por todos os lados”. O aposentado da banca que tem uma mulher-a-dias para lhe passar as camisas a ferro ia ontem em animada cavaqueira com a reformada que continua a trabalhar, engomando as camisas alheias. Separados pela condição social, uniu-os uma bolacha que a senhora deixou cair ao chão do autocarro e, descobriram, algumas opiniões comuns sobre a crise dos mercados. Mas não estavam de acordo em tudo. A reformada que ainda trabalha, por exemplo, acha que este governo é melhor do que o anterior, até porque as coisas ainda não estão tão mal como antigamente. A boa senhora recordava que no tempo dela era “fome, peste e guerra”, que o pão “só se cozia de oito em oito dias” e que se tinha de “esperar que as galinhas pusessem ovos para poder comprar petróleo e azeite”. Para cabal demonstração de que é uma pessoa de outras eras, a reformada declinou mesmo uma espécie de adágio segundo o qual “mais vale pouco bem governadinho do que muito roubadinho”. Abençoada criatura. Sejamos todos capazes de tamanha honestidade e desprendimento e a crise há-de resolver-se num ápice. Voltaremos a ser pobrezinhos e honrados e até sou capaz de jurar que, num passe de magia, deixará de haver quem se governe à conta disso. O mundo voltará a ser um sítio perfeito. Queira deus – ou lá o que é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5864060220797973120?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5864060220797973120/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5864060220797973120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5864060220797973120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5864060220797973120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro99.html' title='Crónicas do autocarro#99'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-435593113755912424</id><published>2011-11-28T07:24:00.003Z</published><updated>2011-11-28T17:01:40.158Z</updated><title type='text'>Santa Pamela Anderson*</title><content type='html'>&lt;a href="http://images.sodahead.com/profiles/0/0/0/4/9/1/7/0/3/pamela-anderson-pamela-anderson-virgin-mary-61387674138.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 349px; height: 386px;" src="http://images.sodahead.com/profiles/0/0/0/4/9/1/7/0/3/pamela-anderson-pamela-anderson-virgin-mary-61387674138.jpeg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se pensa que já se assistiu a quase todos os malabarismos e piruetas passíveis de favorecer a venda de literatura (e de outros produtos de consumo mais ou menos rápido), há sempre, algures, um Eduardo Labarca capaz de inventar um truque ainda mais surpreendente. O que fez Labarca? Escreveu e publicou um livro de “semificção” chamado &lt;em&gt;El Enigma de los Módulos&lt;/em&gt;, em cuja capa se apresenta uma fotografia do autor urinando sobre a lápide de Jorge Luis Borges no cemitério de Genebra onde o génio descansa em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo Labarca é um escritor chileno de 72 anos e, face à polémica gerada, explicou que a mediática mijinha não passou de um gesto artístico, realizado com o objectivo confesso de obter “prestígio”. Também contou que se tratou de um atentado simulado, já que não urinou de facto, limitando-se a despejar sobre a tumba o conteúdo de uma garrafa de água mineral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mecanismos da publicidade de choque são, porém, misteriosos. O truque só funciona se alguém se escandaliza e reage com veemência. O caso de Labarca, por exemplo, data de Janeiro deste ano e foi noticiado em jornais de vários países, da Argentina a Inglaterra, onde mereceu até a atenção do Guardian. Mas não mobilizou os media portugueses (comprometendo, de algum modo, os quinze minutos de fama a que Labarca há-de ter direito), mais sensíveis a campanhas que simulem manchar a honorabilidade de alguma personagem bíblica. Outra coisa que resulta espectacularmente, como ainda na semana passada se viu, são fotomontagens em que o papa apostólico romano apareça a dar um apaixonado linguadão a um imã sunita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa a acreditar, todavia, que a reacção histérica a estes truques se deva à pura inabilidade de uma instituição milenar e, de algum modo, especializada na publicidade dos próprios milagres e das obras literárias canónicas. Se um tipo se põe a meditar no assunto, pode até chegar a acreditar que a igreja católica tem uma avença com a Benetton (e com a editora Gradiva), assegurando o sucesso das respectivas campanhas de marketing contra o pagamento de generosas espórtulas. Do mesmo modo, estou quase tentado a apostar que não foi por simples coincidência que a troika e o governo se puseram de acordo para divulgar a necessidade de cortar (ou conter, belo eufemismo) os ordenados do sector privado uma semana antes de uma greve geral. Nem José Rodrigues dos Santos faria melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo as centrais sindicais, e os trabalhadores em geral, bestialmente ingratos, é natural que ainda não se tenham lembrado de retribuir a contribuição dos verdugos para o possível sucesso da paralisação, eventualmente adiando a greve enquanto Governo e troika decidem se vão cortar ou moderar os salários. Trata-se, evidentemente, de um debate seriíssimo e desinteressado. Tão sério, pelo menos, como aquele programa especial de Natal da televisão canadiana CTV no qual a actriz Pamela Anderson vai inocentemente interpretar o papel de Maria, a virgem. Acreditamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 22 de Novembro de 2011 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-435593113755912424?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/435593113755912424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=435593113755912424' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/435593113755912424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/435593113755912424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/santa-pamela-anderson.html' title='Santa Pamela Anderson*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4466561126641478720</id><published>2011-11-25T21:10:00.004Z</published><updated>2011-11-25T21:53:53.449Z</updated><title type='text'>E ficávamos todos muito bronzeados e sem necessidade de voltar a ouvir o Gaspar das contas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://news.cnet.com/i/tim//2010/08/03/Sun_726_270x270.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 270px;" src="http://news.cnet.com/i/tim//2010/08/03/Sun_726_270x270.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas, bestialmente optimistas, asseguram que o frio é psicológico. O caneco! A capacidade para suportá-lo até pode depender de uma psique musculada, mas, com mil demónios, eu passo estes meses encolhido, com a minha estatura real diminuída em, pelos menos, uns trinta centímetros (no Verão sou alto e louro, tenho para cima de dois metros e os olhos azuis — mas nunca consigo que alguém acredite nisto). Na qualidade, pois, de pessoa que sofre bestialmente com as agruras do Outono/Inverno (e ainda que o sobretudo não me assente completamente mal), recebi como muito refrescante a imagem que hoje ao fim da tarde era exibida no ecrã gigante da nova sede da EDP: o Sol rodopiando em torno do seu eixo, explodindo numa miríade de erupções muito luminosas e cálidas. Creio que podia ter ficado ali durante muito tempo, olhando fixamente a imagem do Sol. Achei aquilo mesmo muito relaxante. E, palavra de honra, ocorreu-me que, se aquilo fosse o Sol de verdade, àquela distância, amanhã tínhamos a porra do problema da dívida pública resolvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4466561126641478720?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4466561126641478720/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4466561126641478720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4466561126641478720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4466561126641478720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/e-ficavamos-todos-muito-bronzeados-e.html' title='E ficávamos todos muito bronzeados e sem necessidade de voltar a ouvir o Gaspar das contas'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6209542126291157550</id><published>2011-11-24T14:50:00.008Z</published><updated>2011-11-24T18:04:02.350Z</updated><title type='text'>Como não percebo nada de economia, até posso fazer resumos muito inocentes da coisa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://revista-amauta.org/wp-content/uploads/2009/11/capitalist-pig.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 571px; height: 401px;" src="http://revista-amauta.org/wp-content/uploads/2009/11/capitalist-pig.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a memória não me engana, foram os mercados (e aquele que era, então, o seu porta-voz, um tal de Cavaco Silva) que nos convenceram a investir na bolsa, em auto-estradas, em novas tecnologias (o futuro!) e em casas próprias, uma vez que coisas como produzir, pescar e cultivar eram completamente anacrónicas e terceiro-mundistas. Depois, quando, afinal, não precisávamos todos de informação a toda a hora no telemóvel, os mercados perceberam já não conseguiam aguentar tanta casa por vender, tanto empréstimo por pagar, e vieram de mão estendida cravar o dinheiro dos nossos impostos, o que tínhamos e o que não tínhamos (e Sócrates e sus muchachos fizeram-lhes o favorzinho). A seguir, como pedimos dinheiro emprestado para evitar a falência do sector financeiro e o caos que sobreviria como as sete pragas do Egipto, os mercados baixaram-nos o rating e aumentaram-nos os juros, até o ponto em que tínhamos de pedir empréstimos para pagar empréstimos e já não merecíamos a confiança dos mercados (para novos empréstimos). Fomos, por isso, de mão estendida aos mercados pedir que nos financiassem a juros mais camaradas, ao que os mercados acederam, desde que vendêssemos as empresas públicas e reduzíssemos os direitos sociais dos chatos dos trabalhadores (e nada melhor que um social-democrata como Passos Coelho e a sua comandita para distribuírem entre eles os benefícios da "liberalização"). Também concordámos e fizemos o que nos mandaram, cortando tanto e tão pouco que, sem dinheiro para gastar, os consumidores se retraíram e deixaram de comprar várias coisas, supérfluas ou não, atirando a economia para o vórtice da recessão. E eis que, salvadores, os mercados reaparecem e voltam a baixar-nos o rating (e a puta que os pariu), agora a pretexto de que a economia está recessiva. Conseguem imaginar o que vai acontecer a seguir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6209542126291157550?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6209542126291157550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6209542126291157550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6209542126291157550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6209542126291157550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/como-nao-percebo-nada-de-economia-ate.html' title='Como não percebo nada de economia, até posso fazer resumos muito inocentes da coisa'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7620452596699916345</id><published>2011-11-23T11:41:00.002Z</published><updated>2011-11-23T11:43:47.251Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#98</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for verdade que a cabeça vazia é a morada do diabo, uma viagem de autocarro em que não acontece nada é, digamos assim, uma excursão ao âmago do devaneio e da reflexão em torno do abismo e do vácuo que (quase) todos levamos dentro. Se o maligno andar por ali, e eu creio que é esse o seu costume, facilmente encontra abrigo e dirige a seu bel-prazer as atenções e as meditações para onde bem lhe aprouver, seja o ebúrneo e longo pescoço da passageira do banco da frente, enfeitado por uma trança grossa, seja o olhar divergente da senhora que hoje vai ter que trabalhar à noite para deixar feita a limpeza do dia seguinte, uma vez que, por força da greve geral, amanhã não há autocarro para ninguém. Vai pois o mafarrico laborando à rédea solta, muito entretido, quando, já em Cedofeita, irrompe na viatura uma utente que, ao arrepio de todas as regras da boa civilidade, transporta entre os seios, dentro do casaco, um coelho. Falo de um coelho de verdade, muito fofinho, com o pelo malhado de castanho, branco e preto, e um focinhito muito vivo, as orelhas espevitadas e com sete meses de idade, conforme rapidamente fiquei a saber, pois as passageiras menos disponíveis para acomodar a laboração do demo logo quiseram saber muitas coisas sobre o animal, se não fazia xixi e assim. Embora tomado pelo cornudo, também olhei o coelho e me enterneci um pouco com aquele momento de magia nos transportes públicos, quase tão espectacular como aqueles circos nos quais há animais saindo de cartolas e porcos andando de bicicleta. Enterneci-me, pois, confesso, e quase me vieram lágrimas aos olhos por imaginar o coelhito de sete meses, “gordinho”, já rodeado de batatinhas e acabado de sair do forno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7620452596699916345?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7620452596699916345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7620452596699916345' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7620452596699916345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7620452596699916345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro98.html' title='Crónicas do autocarro#98'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-894892760394049247</id><published>2011-11-21T23:28:00.000Z</published><updated>2011-11-21T23:29:03.313Z</updated><title type='text'>Seremos nós os alunos da escola do professor Piórkowski?</title><content type='html'>Hoje, tendo ligado inopinadamente a televisão num canal de notícias, deparei com o ministro das Finanças a fazer um piada sobre um deputado do BE, aconselhando-o a encetar uma carreira na ficção. Pareceu-me, pois, que a minha tarde devia concluir-se com um mergulho ainda mais radical no absurdo e, por isso, fechei-me na casa de banho a ler algumas páginas de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ferdydurke&lt;/span&gt;, o desconcertante romance de Witold Gombrowicz. Que coisa tremendamente inspiradora! Provavemente menos calhado para a ficção do que o deputado do BE visado pelo senhor ministro, imaginei, ainda assim, que Vítor Gaspar era o tutor da escola do professor Piórkowski, na qual os rapazes são internados para aprenderem a arte da ingenuidade e da inocência; e que, enquanto nós, os alunos, nos entretemos a proferir os palavrões mais cabeludos para descrever a política fiscal do Governo, alguém, talvez o próprio Vítor Gaspar, esteja escondido atrás de um carvalho tomando notas e comprazendo-se da nossa inocência, citando selvagemmente versos de Eugénio de Andrade e dando piruetas loucas enquanto, muito infantis e inocentes, continuamos a dizer frases veementes sem sermos capazes, porém, de sair da letargia ingénua da austeridade e, vá lá, de dar uns tabefes em meia-dúzia de palhaços que estão mesmo a pedi-las. Raios me partam se fantasiar coisas destas não pode ser uma extraordinária forma de terminar o dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-894892760394049247?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/894892760394049247/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=894892760394049247' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/894892760394049247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/894892760394049247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/seremos-nos-os-alunos-da-escola-do.html' title='Seremos nós os alunos da escola do professor Piórkowski?'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2917331041407243510</id><published>2011-11-21T16:28:00.000Z</published><updated>2011-11-21T16:29:42.363Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#97</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que sucedia no comboio descendente do Fernando Pessoa, não ia ninguém à gargalhada no autocarro que subia, esta manhã, a Avenida da Boavista. Quanto eu entrei, aliás, o ambiente era de grande consternação, com lágrimas e tudo. Uma das utentes habituais tinha recebido um telefonema informando que “a Marília caiu pelas escadas abaixo” - não sei se excessivamente, como noutro poema do Pessoa/Álvaro de Campos, mas, em todo o caso, o tombo deve ter sido jeitoso. A tia da moça em prantos lá dizia que não tinha sido nada, e que não se afligisse, mas a mãe (?) da Marília não se convencia: “São muitas escadas, tia. E se desmaiou?”. Daí a um bocado, a Marília lá atendeu o telemóvel e os ânimos serenaram. O ambiente, porém, continuou tenso e um enorme e circunspecto silêncio caiu sobre o autocarro. Ninguém dizia nada – uns por verem os outros calados, os outros para melhor coscuvilharem o que a tia da Marília dizia enquanto falava ao telemóvel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2917331041407243510?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2917331041407243510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2917331041407243510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2917331041407243510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2917331041407243510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro97.html' title='Crónicas do autocarro#97'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-1530094170913185029</id><published>2011-11-21T07:05:00.000Z</published><updated>2011-11-21T07:05:00.336Z</updated><title type='text'>Nottingham outra vez*</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.aefjn.org/tl_files/aefjn-files/Antennae/Ant_UK/2011.01%20Robin%20Hood%20Tax.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 160px;" src="http://www.aefjn.org/tl_files/aefjn-files/Antennae/Ant_UK/2011.01%20Robin%20Hood%20Tax.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na versão mais conhecida da lenda, Robin dos Bosques rebela-se por causa da cobrança abusiva de impostos: os servos eram obrigados a entregar quantias cada vez mais elevadas aos esbirros do xerife de Nottingham, mas o dinheiro servia basicamente para sustentar os gastos excessivos dos detentores do poder. Intrépido, Robin emboscava os odiosos cobradores na floresta, assaltava-os e distribuía o dinheiro pelos mais necessitados. Terá sido, de algum modo, um dos inspiradores do “Estado Social”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do tempo de Robin dos Bosques para cá, o modo de encarar os impostos alterou-se bastante. Pagamos hoje muito mais do que se pagava em Nottingham, mas fazemo-lo porque nos convenceram de que o Estado receberia esse dinheiro e trataria de apoiar os mais carecidos, assegurando, por outro lado, um conjunto de serviços públicos de que todos necessitamos - hospitais, estradas, abastecimento de água e luz, escolas, serviços de segurança, tribunais, transportes - e que não seríamos capazes de prover individualmente. A nossa vida em sociedade assenta em grande parte, aliás, nesta ideia de organização colectiva. Não faria nenhum sentido termos uma escola para cada um, dispormos de uma estrada particular para nos deslocarmos de casa para o trabalho, pagarmos um médico privativo, uma central de tratamento de água e uma canalização só para nós, ou fazermos justiça pelas próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta concepção, porém, está a mudar muito. E muito depressa. Os estados entenderam, a dado passo, que os privados seriam capazes de administrar melhor os fundos públicos e entregaram-lhes a construção e gestão de estradas e de hospitais, ou a produção e distribuição de energia eléctrica. No Porto, e só para usar um exemplo que me é próximo, a câmara municipal já decidiu privatizar a recolha do lixo, o Pavilhão Rosa Mota, os mercados do Bolhão e do Bom Sucesso, o Palácio do Freixo, o Rivoli, o abastecimento de água e o estacionamento na via pública. A habitação social, a reabilitação da Baixa e do centro histórico e a “animação da cidade” também foram entregues a “empresas municipais”. Ou seja: os cidadãos continuam a pagar (cada vez mais) impostos e, ao mesmo tempo, tornaram-se clientes das firmas que passaram a desempenhar os serviços públicos privatizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que esta nova organização social tenha sido planeada. Supôs-se que, como em Nottingham, não teremos mais remédio senão pagar impostos cada vez mais altos, a bem ou a mal, e sem que alguma vez nos perguntemos para onde vai esse dinheiro (desde que nos permitam continuar a eleger o xerife). Cavaco Silva chama a isto “maturidade cívica”, mas é capaz de estar enganado. Estamos muito carecidos de um Robin dos Bosques. Tanto que, às vezes, até o confundimos com um qualquer farsante que, por estratégia política, aparece a reclamar impostos iguais “para todos”. Se, porém, escutarmos com atenção, nunca os ouviremos reclamar o fim das isenções fiscais de que beneficiam os lucros dos grandes grupos económicos. Não se morde a mão que dá de comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 15 de Novembro de 2011 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-1530094170913185029?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/1530094170913185029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=1530094170913185029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1530094170913185029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1530094170913185029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/nottingham-outra-vez.html' title='Nottingham outra vez*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4391847464432327375</id><published>2011-11-20T19:26:00.003Z</published><updated>2011-11-20T19:41:26.222Z</updated><title type='text'>Algumas coisas que impressionam</title><content type='html'>À porta da dona Maria, no Bairro Maria Vitorina, cheirava tremendamente a urina esta manhã. A dona Maria, que tem uma filha médica e um apartamento a sério alguns metros acima da ilha, insiste em morar naquele sítio das Fontainhas, numa casita minúscula entre casitas muito pobres e que ameaçam vir por ali abaixo até ao Douro, apesar de, às vezes, lhe entrar água em casa a partir dos tugúrios vizinhos e abandonados. Ela explica que ali nasceu há 81 anos, tal como o pai dela já ali tinha nascido ("e depois foi para a guerra"), e que é ali que se sente em casa. O que mais lhe custa é que, numa das inundações, se estragaram alguns dos livros antigos que tem em casa, "do Camilo Castelo Branco e tudo". Talvez os indivíduos que não mexem uma palha para acabar com as ruínas cheias de lixo e "bicharada" não imaginem que há quem insista em viver nas Fontainhas por gosto e não por indigência ou pobreza  extrema; que ali, naquela parte da cidade que a cidade não vê (porque o fogo de artifício do S. João é sempre de noite), vive e viveu gente igual a qualquer um de nós, que lê Camilo Castelo Branco e gosta de, às vezes, vir à janela e ver o Douro a correr ao fundo da vertigem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4391847464432327375?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4391847464432327375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4391847464432327375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4391847464432327375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4391847464432327375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/algumas-coisas-que-impressionam.html' title='Algumas coisas que impressionam'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8801950813107895521</id><published>2011-11-17T23:16:00.005Z</published><updated>2011-11-17T23:30:46.653Z</updated><title type='text'>Certas coisas deviam ser criteriosamente evitadas</title><content type='html'>Holden Caulfield, o narrador de&lt;span style="font-style:italic;"&gt; À Espera no Centeio&lt;/span&gt;, de  J. D. Salinger, é um imbecil maravilhoso. Odeia tudo tão tremendamente que se chega a perceber perfeitamente os seus estúpidos motivos, e a simpatizar com ele e com o inacreditável cortejo de complexos e macaquinhos que traz no sótão. Raios me partam se, às vezes, não me apetece fazer como ele e provocar toda a gente até me tornar detestável e malquisto, e ser posto fora de todos os lugares. A maior parte dos sítios onde vamos não possuem, na verdade, nada que os recomende; e as pessoas, se vistas de um certo ponto de vista, têm todas particularidades muito detestáveis e cagarolas. Há excepções, evidentemente. E, às vezes, as pessoas também conseguem ser muito simpáticas e afáveis, e fazer com que gostemos realmente delas. É uma fraqueza que tenho e que me impede de ser anti-social: gosto de indivíduos, de ver como se movem, falam e sorriem e, afinal, como nem sempre são odiosos. Às vezes a humanidade enternece-me e faz-me feliz. Mas depois, insensatamente, ligo a televisão para ver as notícias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8801950813107895521?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8801950813107895521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8801950813107895521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8801950813107895521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8801950813107895521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/certas-coisas-deviam-ser.html' title='Certas coisas deviam ser criteriosamente evitadas'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4492822790207319361</id><published>2011-11-16T14:33:00.004Z</published><updated>2011-11-16T14:56:27.460Z</updated><title type='text'>Um homem muito feio talvez possa pagar imposto</title><content type='html'>Voltei hoje a ver um homem muito feio e coxo cujos modos façanhudos me inquietam um pouco: tem o cabelo curto mas revolto, uns olhos claro e pequeninos, daninhos, um cenho protuberante e servido por espessas sobrancelhas grossas, o rosto picado e um bigode tipo escova, parecido com o do Camilo Castelo Branco e o do Nietzsche. Vejo-o e penso nos indivíduos que aparecem nas estampas rurais do século XIX, nas fotografias dos condenados da Cadeia da Relação, e imagino que possa ter sido um artilheiro miguelista que tenha estado congelado durante cento e cinquenta anos (e tivesse sido descongelado há pouco). Acresce que arrasta uma das pernas, exactamente como se ainda padecesse de um ferimento provocado pelas bombardas de antigamente. Quando hoje o vi, o bom e horrendo homem levava um saco de uma empresa de exames e análises clínicas, comprovando que padece de alguns achaques. Sendo um pouco fantasioso, imaginei que a segurança social continua a cobrir as despesas de saúde de um combatente das guerras liberais (esses madraços!), e que um ministro qualquer há-de, um dia destes, aparecer no parlamento insurgindo-se contra esta pouca-vergonha, este défice oculto e, enfim, o descalabro a que este país chegou. Talvez o governante em causa aproveite até para questionar a existência de pessoas muito feias, propondo que, tendo em conta o estado debilitado das finanças públicas, se lance um imposto excepcional sobre a fealdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(parece que há hoje uma conferência de imprensa do ministro Vítor Gaspar; contribuintes, temei!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4492822790207319361?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4492822790207319361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4492822790207319361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4492822790207319361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4492822790207319361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/um-homem-muito-feio.html' title='Um homem muito feio talvez possa pagar imposto'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-660582096562436963</id><published>2011-11-15T11:17:00.003Z</published><updated>2011-11-15T11:50:13.780Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#96</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Que dia bestialmente triste. A toda a volta só se vê névoa cinzenta e água fria, névoa cinzenta e água fria. Sombras. Os indivíduos passam encolhidos debaixo de guarda-chuvas e caem grandes bátegas dos beirais. Névoa cinzenta e água fria. Os carros passam a atiram água para os passeios. Molham-se os sapatos, o fundo das calças, e, quando entramos no autocarro, já vamos humilhados, invernais, magoados com a vida, húmidos; todos nós, enfim, névoa cinzenta e água fria. Os vidros estão tão embaciados que parece possível imaginar que a cidade lá fora se extinguiu também, que se dissolveu miseravelmente em névoa cinzenta e água fria. Ouço o zumbido do ar condicionado, vejo o chão molhado da água que pinga dos guarda-chuvas, reparo na cara dos outros utentes, na condensação escorrendo dos vidros, névoa cinzenta e água fria. Talvez um passageiro ou outro ainda converse e diga alguma coisa lúgubre e apagada, mas não ouço nada. Vou ali e não vou. Sou já só névoa cinzenta. E água fria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-660582096562436963?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/660582096562436963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=660582096562436963' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/660582096562436963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/660582096562436963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro96.html' title='Crónicas do autocarro#96'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2507789785441244932</id><published>2011-11-14T08:26:00.000Z</published><updated>2011-11-14T08:26:00.058Z</updated><title type='text'>Ouvir vozes*</title><content type='html'>&lt;a href="http://us.123rf.com/400wm/400/400/stylephotographs/stylephotographs0908/stylephotographs090800133/5402457-young-boy-listening-to-music-with-headphones-and-pointing-with-his-finger.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://us.123rf.com/400wm/400/400/stylephotographs/stylephotographs0908/stylephotographs090800133/5402457-young-boy-listening-to-music-with-headphones-and-pointing-with-his-finger.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que penso nisso, é um pouco estranho que nunca antes tivesse convocado o doutor House para esta crónica. Faço-o hoje por causa de um episódio no qual o casmurro médico anda às voltas com umas vozes que lhe soam dentro da cabeça, chegando a supor que se trata de uma alucinação auditiva. O surto acaba por ser resolvido – salvo erro porque House descobre que a voz provém de um respiradouro oculto sob um tapete –, mas, ainda assim, lembrei-me dessa ocorrência por causa de um advogado do Rio de Janeiro que alega receber mensagens de Nossa Senhora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Siqueira, de 40 anos, fala com santos, anjos e mortos desde a mais tenra idade. Há alguns anos, começou a transmitir o teor dessas comunicações em igrejas, com a ajuda de um violão. Já oficiou estas cerimónias em vários templos e tem dado muitíssimas entrevistas, até na televisão, explicando que vê a Virgem exactamente como se ela fosse de carne e osso; a única diferença é que a santa lhe aparece dentro de uma luz, às vezes descalça, “em túnica violeta e véu branco”, mas invariavelmente “bela, sorrindo”. Siqueira também já lançou um livro, Senhora das Águas. Segundo li, fê-lo a pedido expresso de Nossa Senhora, que lho transmitiu durante uma peregrinação a Fátima (mas parece que não ordenou a distribuição gratuita da obra tendo em vista uma mais ampla difusão da mensagem, pelo que o livro custa 32 reais, cerca de 13 euros). O advogado iniciou, entretanto, uma espécie de tournée divulgada no Facebook. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer pessoa que acompanhe as inúmeras séries televisivas dedicadas ao exercício da Medicina sabe que este género de contactos paranormais tem uma causa fisiológica qualquer, frequentemente um aneurisma ou alguma patologia do foro neurológico ou oncológico. Com alguma sorte, o doutor Derek Shepherd do Seattle Grace consegue resolver o problema executando uma daquelas cirurgias muito complicadas e fascinantes. Pedro Siqueira, porém, afirma que, quando era mais novo, os médicos (“neurologistas, psicólogos e psiquiatras”) garantiram que ele não tem problema nenhum. Mas, conforme se aprende na televisão, o diagnóstico destes casos nunca é simples e os 40 anos, já se sabe, são uma idade muito traiçoeira. Há indivíduos saudáveis que cometem a imprudência de fazer um check-up e frequentemente descobrem que, afinal, estavam doentíssimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço que as vozes interiores transmitem mensagens muito impressionantes (no domingo, por exemplo, senti-me subitamente poderoso enquanto corria na Foz, mas depois percebi que era por causa de uma cantiga que estava a tocar no iPod) e não desejo nenhum mal a Pedro Siqueira. Faço votos, aliás, para que seja apenas um simples vigarista, mais inócuo, em todo o caso, do que certos eleitos que passaram anos a ouvir a voz dos mercados aconselhando a que se gastasse dinheiro como se não houvesse amanhã. Deu no que deu, mas os sujeitos alegam agora ouvir mensagens com a mesma proveniência, indicando, porém, que se deve empobrecer, vender empresas públicas e criar desempregados. E eles mandam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 8 de Novembro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2507789785441244932?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2507789785441244932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2507789785441244932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2507789785441244932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2507789785441244932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/ouvir-vozes.html' title='Ouvir vozes*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-236920103464605085</id><published>2011-11-10T23:04:00.000Z</published><updated>2011-11-10T23:22:42.448Z</updated><title type='text'>"A Metamorfose" de Kafka actualizada</title><content type='html'>Certa manhã, ao acordar dos seus húmidos sonhos inquietos, Gregor Samsa deu por si em cima da cama, muito transpirado e transformado num insecto repelente e monstruoso: um ministro do XIX Governo Constitucional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-236920103464605085?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/236920103464605085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=236920103464605085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/236920103464605085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/236920103464605085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/contibuto-para-uma-obra-prima-da.html' title='&quot;A Metamorfose&quot; de Kafka actualizada'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4263687896060998795</id><published>2011-11-09T14:43:00.004Z</published><updated>2011-11-09T18:30:10.567Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#95</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s1600/autocarro%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s400/autocarro%2B4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673065111508498162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A fazer fé no rifão, o homem é um animal de hábitos. Ora, sendo a mulher, reconhecidamente, o ser vivo mais parecido com o homem moderno, vulgo &lt;em&gt;Homo Sapiens Sapiens&lt;/em&gt;, quero acreditar que os feminis indivíduos padecem do mesmo mal e são, por isso, capazes de se afeiçoar a uma presença inanimada quotidiana – como um autocarro, por exemplo –, humanizando-a e relacionando-se com ela como se de um outro humano se tratasse. Tendo efectuado, a seu tempo, esta reflexão essencial, estou agora em condições de já não me sobressaltar quando ouço uma utente dos transportes a proferir uma frase tão contundente como “não me digas que este filho da puta me está a foder outra vez”. Pode parecer uma afirmação um pouco rude, algo violenta até, e impregnada de uma agressividade quiçá decorrente do maldito stress das sociedades modernas. Nada mais errado, porém. Conforme ficámos a saber esta manhã, “não me digas que este filho da puta me está a foder outra vez” não constitui um ataque soez ao denodado esforço governativo de Pedro Passos Coelho, significando apenas que o autocarro das 7h37 voltou a passar às 7h35 pelo Ameal, deixando apeada uma das minhas utentes preferidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4263687896060998795?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4263687896060998795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4263687896060998795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4263687896060998795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4263687896060998795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro95.html' title='Crónicas do autocarro#95'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--m9tfI-XiN0/TrrGqWcgNvI/AAAAAAAAAgY/P0usQ_zfbhM/s72-c/autocarro%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2761403703284080348</id><published>2011-11-09T10:11:00.002Z</published><updated>2011-11-09T10:18:00.903Z</updated><title type='text'>Fintar a vida e a morte: uma entrevista a Rubens Figueiredo (2002)</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.jornalacidade.com.br/img/materia/27574c.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 293px; height: 200px;" src="http://www.jornalacidade.com.br/img/materia/27574c.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já tinha conquistado, em 1999, o Prémio Jabuti na modalidade de&lt;br /&gt;conto. Estava à espera de voltar a ganhar este prestigiado prémio [em 2002]?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhar um prémio gera sentimentos ambíguos. Sem dúvida, é uma alegria. Por outro lado, há livros excelentes que jamais ganharam prémio algum. Os prémios nos lembram que é mais importante confiar no nosso próprio julgamento do que nas legitimações institucionais, mesmo reconhecendo que a intenção delas é generosa. Afinal, põem em relevo a criação contemporânea. O ruim é que,  indirectamente, alimentam o ânimo competitivo e suas ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Veja-se o caso deste  “Barco a Seco”, que passou completamente despercebido em Portugal quando aqui foi editado, tendo o prémio conquistado feito com que se voltasse a olhar para ele numa fase em que, muito provavelmente, já vai ser difícil encontrá-lo nas livrarias. O que pensa disto?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua observação é muito justa. Mas o que posso pensar, se não que o que importa verdadeiramente num livro é o que está escrito em suas páginas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A imprensa brasileira descreveu várias vezes “Barco a Seco” como sendo um livro “sobre um pintor de marinhas”, o que parece uma definição bastante redutora. Concorda?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo. E creio que isso reflecte a dificuldade de enquadrar o livro nos moldes de divulgação habituais na nossa imprensa. Esses moldes reproduzem os padrões de percepção mais adequados aos propósitos do comércio. Se, em alguma medida, o livro resistir a isso, já pagará o meu esforço. Ao experimentar essa dificuldade de enquadrar o livro, o leitor já se põe também numa perspectiva crítica com relação ao seu tempo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como descreveria o seu próprio livro?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dificuldade de descrevê-lo. Vejo-o, talvez, como um bolo em camadas, não muito simétricas. O tema que anima o romance pode ser o da sobrevivência. As personagens, cada uma ao seu modo, empenham-se em manter-se vivos, nos planos físico, moral e social. Lutam contra o não-vivo, que se abriga em todos esses planos da existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas esta estrutura em camadas pode também funcionar como um obstáculo à leitura. É uma estratégia deliberada? Defende que o leitor tem que ser confrontado com este tipo de dificuldades?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não defendo, de maneira alguma, que se devam criar obstáculos à leitura ou ao leitor. Mas não me parece justo bajular o leitor. Uma obra de ficção engendra muitas hipóteses. Uma delas é o seu leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fiquei com a sensação de que “Barco a Seco” nos fala também dos limites movediços da identidade, de como é fácil falsificar identidades.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum ponto, o livro alude ao medo que sentimos de sermos vistos como de facto somos. A tensão do livro talvez decorra desse temor que assombra as personagens de modo incessante. Eu gostaria que o livro não apresentasse a fabricação de identidades como algo fácil, muito menos que a tratasse de um ângulo lúdico, ou como um mero jogo narrativo. Pois essa manipulação está no cerne de uma angústia que se irradia por todos os aspectos do cotidiano. O temor de ser identificado, a par da necessidade de ter uma identidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Relacionada com a questão da identidade e da sobrevivência, há, no livro, a questão da falsificação. Afinal, o maior falsificador do pintor Emilio Vega é o próprio Emilio Vega. Para além da confrontação entre os parâmetros da falsificação e da autoria, fica no ar a ideia de que a obra de um autor depende muito mais das suas condições sociais do que do seu talento natural. É assim?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez você me pegou. Não sei o que responder, se não que sua interpretação parece um desses achados com que os críticos enriquecem as obras ao longo do tempo. Muito mais do que as acanhadas declarações do autor, são esses comentários que podem justificar a mera existência de um romance como o que escrevi, e pelo qual, bem ou mal, sou o responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pode dizer-se que as próprias personagens são, também elas, barcos a seco, vidas que de algum modo naufragaram?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou apenas o autor. Não detenho nenhuma autoridade a respeito de como o livro deve ser lido e entendido. Mas suponho que a noção de algo fora do lugar, de algo incompatível com aquilo mesmo de que é feito, possa prevalecer sobre a ideia de naufrágio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pelo menos um crítico comparou o livro a “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. Como vê este tipo de comparações?&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural tentarmos aproximar os livros que lemos. Os romances não se escrevem sozinhos. Queiram ou não seus autores, tantas vezes inflados de ilusões egocêntricas, os romances integram um conjunto, um contínuo de vozes que se confirmam, se contestam ou se rectificam mutuamente. O interessante é que todos são vozes que não emudecem. Cada novo romance faz os antigos falarem de novo, e mais alto. E os romances antigos, por sua vez, como um actor que por um momento se cala em cena, permitem que os romances novos se façam ouvir no contexto de uma história comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aparece também no livro uma ligação estreita entre pintura e literatura, que pode remeter-nos, por exemplo, para o “Manual de Pintura e Caligrafia”, de José Saramago. Foi uma das suas referências?&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de confessar que não. Também tenho de confessar que não sou entendido em pintura e que não saberia traçar um paralelo entre ela e a literatura. Pode ser até que eu tenha escrito sobre o assunto nesse livro. Mas terá sido antes por força das circunstâncias e do material que reuni do que em razão de alguma convicção ou de alguma tese. Tive a impressão de que a pintura, no livro, fosse apenas o campo de uma luta pela sobrevivência. Em seu lugar, poderia estar a arte culinária, a construção civil, o cultivo de tomates. Creio que nisso reside um dos atributos centrais do ficcionista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porquê, então, a opção pela pintura?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua questão é pertinente. Acho que exagerei um pouco na resposta, embora em última instância creio ser verdadeira. A força específica do ficcionista consiste em, como um actor, ser capaz de encarnar os contextos humanos mais variados, sem possuir conhecimentos especializados de nenhum deles. No caso do meu livro, a pintura veio na esteira de alguns personagens — um pintor e um perito. Essas figuras me vieram à mente em primeiro lugar, quando o romance ainda era menos do que uma hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A sua escrita parece mais próxima do português “clássico” do que da oralidade brasileira passada para a literatura do seu país. E, por outro lado, confere um cariz intensamente visual à acção, a cada pormenor, como se nos desse a ver um filme ao qual sobrepusesse o raciocínio do narrador. Isto tem apenas a ver com o facto de o livro ter como pano de fundo uma arte visual?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dita oralidade brasileira, transposta para a ficção, acaba por ser uma convenção literária como qualquer outra. Isso não a desqualifica para a literatura. Longe disso. Apenas nos previne da ilusão de tomá-la como uma matéria bruta extraída da realidade, capaz de conferir autenticidade ao estilo que a exibe. &lt;br /&gt;O efeito visual nos pormenores da acção no meu livro talvez decorra da minha constante preocupação de ressaltar os aspectos concretos da experiência. Minha aspiração foi traduzir em termos concretos as questões oriundas do enredo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A crítica brasileira não deixou também de notar que, em “Barco a Seco”, o seu habitual humor endureceu. Porque é que isso aconteceu? Desiludiu-se com o mundo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três primeiros romances que escrevi são francamente humorísticos e debochados consigo mesmos. Os três livros seguintes têm outro tom. A mudança não se limita ao desvio do humor. Cada pessoa escreve como pode, à luz do que consegue pensar no momento. O humor, aliás, costuma ser uma defesa que se faz passar por um ataque. Um floreio da mão direita, que desvia nossa atenção daquilo que a mão esquerda está fazendo ou deixando de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E, neste caso, quis que toda a gente visse o que estava a fazer a mão esquerda. Porquê?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se trata de toda a gente, de modo algum. Trata-se, digamos, de escrever com as duas mãos. O escritor sabe que trabalha com artifícios e que eles são tudo de que dispõe. Mas não me agrada a ideia de que o escritor deva se comprazer com isso, dar a essa transigência irremediável o caráter de um programa literário e recrutar o leitor para abrigar-se num deleite lúdico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2761403703284080348?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2761403703284080348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2761403703284080348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2761403703284080348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2761403703284080348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/fintar-vida-e-morte-uma-entrevista.html' title='Fintar a vida e a morte: uma entrevista a Rubens Figueiredo (2002)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6498116585017783357</id><published>2011-11-09T09:56:00.000Z</published><updated>2011-11-09T12:26:40.355Z</updated><title type='text'>Parabéns, Rubens Figueiredo</title><content type='html'>&lt;em&gt;Passageiro do fim do dia&lt;/em&gt;, do brasileiro Rubens Figueiredo, é o vencedor da edição de 2011 do Prémio Portugal Telecom de Literatura 2011. Quando, em 2001, a Cotovia editou &lt;em&gt;Barco a Seco&lt;/em&gt; em Portugal, Rubens foi basicamente ignorado (e não voltou às nossas livrarias, apesar de ter continuado a coleccionar prémios no Brasil, onde é um dos autores mais consagrados). Na altura, num suplemento já extinto do &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt;, escrevi que este autor praticava, nesse livro, "um português exímio – apenas com pequenos toques tropicais – trabalhando com uma precisão poética e capaz de conferir uma visão quase cinematográfica a cada instante da reflexão do narrador". Posso, portanto, perceber os motivos do júri que agora o premiaram e, deste lado de cá do mar, enviar um longo abraço de parabéns até ao Rio de Janeiro, abrangendo também, naturalmente, o Gonçalo M. Tavares, que ficou em segundo lugar com &lt;em&gt;Viagem à Índia&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6498116585017783357?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6498116585017783357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6498116585017783357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6498116585017783357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6498116585017783357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/parabens-rubens-figueredo.html' title='Parabéns, Rubens Figueiredo'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2092109822517062819</id><published>2011-11-08T12:08:00.001Z</published><updated>2011-11-08T12:10:06.608Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#94</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 122px;" src="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os autocarros estão em greve, mas a viatura das 9h01 chegou pontualmente à paragem, transportando os utentes do costume e alguns ocasionais. De um modo geral, pode dizer-se que a actual paralisação dos funcionários dos transportes protege os trabalhadores – que podem solidarizar-se com os seus camaradas sem, todavia, serem obrigados a recorrer a meios de locomoção alternativa – e penaliza os madraços que só chegam ao emprego depois das dez da manhã. Não inquiri os outros utentes sobre o assunto, mas creio poder concluir, em nome do interesse comum, que as greves nos transportes só surtirão um êxito retumbante quando a elas aderirem também os motoristas dos carros oficiais em que se deslocam os indivíduos que fazem de conta que governam e que, com efeito, se limitam a aumentar os impostos que não incidam sobre a distribuição de dividendos das SGPS e a cortar nas despesas com a saúde, a educação e os transportes – aqueles, enfim, a quem os utentes dos autocarros, carinhosamente e não sem alguma razão, chamam “os gatunos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2092109822517062819?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2092109822517062819/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2092109822517062819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2092109822517062819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2092109822517062819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro94.html' title='Crónicas do autocarro#94'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4124167755495626948</id><published>2011-11-07T16:33:00.001Z</published><updated>2011-11-07T16:35:55.369Z</updated><title type='text'>A culpa é sempre da economia, carago</title><content type='html'>Há gralhas que, uma vez impressas, se tornam divertidas (como quando cai o segundo c aos colchões, por exemplo) e outras que nos põem a pensar. Na entrada da entrevista que a revista &lt;em&gt;Os Meus Livros&lt;/em&gt; deste mês dedica à minha modestíssima pessoa, há, por exemplo, uma informação entre parêntesis que deveria remeter, suponho, para a recensão ao livro &lt;em&gt;Uma Mentira Mil Vezes Repetida&lt;/em&gt;, publicada algumas páginas adiante. A tal gralha, porém, levou a que a informação remeta, em vez disso, para uma “recessão nesta edição”. Está bem que a crise tem muitos defeitos e que não deve ser agradável para uma revista de prestígio chegar ao ponto em que se vê forçada a entrevistar-me, mas, francamente, também não era preciso torná-lo evidente em letras tão grandes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4124167755495626948?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4124167755495626948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4124167755495626948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4124167755495626948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4124167755495626948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/culpa-e-sempre-da-economia-carago.html' title='A culpa é sempre da economia, carago'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2170691934452538384</id><published>2011-11-07T08:43:00.001Z</published><updated>2011-11-07T19:30:59.042Z</updated><title type='text'>Sair da crise*</title><content type='html'>&lt;a href="http://humangoods.files.wordpress.com/2009/11/dhaka3.jpg?w=500&amp;h=333"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 333px;" src="http://humangoods.files.wordpress.com/2009/11/dhaka3.jpg?w=500&amp;h=333" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os cálculos dos especialistas estivessem correctos (mas eu desconfio cada vez mais dos especialistas e dos respectivos cálculos), o mundo passou ontem a contar com sete mil milhões de habitantes. Nas Filipinas, por motivos que suponho puramente simbólicos, fez-se mesmo uma festarola para saudar o nascimento de Danica Camacho, uma menina de dois quilos e meio parturejada num hospital público de Manila. Trata-se de uma ironia trágica: Danica nasceu para viver num dos países mais pobres do planeta e, ainda assim, alguém se deu ao trabalho de celebrá-lo numa unidade de saúde invadida por jornalistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa não foi totalmente em vão. Talvez, daqui a quinze ou vinte anos, Danica esteja já contribuindo para o progresso económico mundial, cosendo camisas ou sapatilhas de marca numa daquelas fábricas cujos operários labutam quase de graça (menos de um dólar /dia por jornadas de 14 horas de trabalho), produzindo bens de consumo que, depois, são vendidos nos países ricos com lucros astronómicos que cairão nos bolsos do costume – isto, evidentemente, se a presente crise não limitar de modo excessivo os actuais padrões de consumo. Também pode suceder que o crescimento económico dos países “em vias de desenvolvimento” seja capaz de compensar a estagnação das “economias modernas” e que Danica esteja, nessa altura, usando sapatilhas e t-shirts produzidas em algum país africano em franco desenvolvimento, cuja abundante mão-de-obra esteja já tão desesperada e outra vez tão bem adestrada que seja capaz de produzir bem e barato (como nas sanzalas), substituindo os chineses, os vietnamitas ou os filipinos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querendo ser absolutamente optimista, até para contrariar a quadra fúnebre vigente, estou mesmo disposto a acreditar que o Governo português está cheiinho de razão. Se o milagre económico filipino permitiu que a dívida externa daquele país baixasse dos 79% do PIB em 2003 para os 39% em 2009, não há motivo nenhum para que não sejamos capazes de um feito ainda mais espectacular. Tudo vai de sermos capazes de obedecer ao desígnio nacional que o presidente do conselho de ministros não se cansa de indicar, florescente como os amanhãs que cantam: temos que empobrecer para sair da crise. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se formos capazes de aliar o prometido empobrecimento ao crescimento demográfico que o presidente da república tão visionariamente tem defendido, ainda há esperança para Portugal. Basta, para que o país se salve, que o número de desempregados continue a crescer de forma sustentada, que os níveis de protecção social se reduzam, que os salários baixem para níveis “competitivos” e que os portugueses passem a multiplicar-se como coelhos (ou como católicos decentes). Daqui a 20 anos, quando Danica Camacho já puder comprar sapatilhas de marca, é possível, pois, que elas sejam produzidas na mais dinâmica e produtiva região do mundo, esse vasto continente que vai do rio Minho ao Cabo das Agulhas. Com sorte, “e se deus quiser”, o bebé oito mil milhões há-de nascer em Barcelos. Ou em Lagos – na Nigéria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 1 de Novembro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2170691934452538384?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2170691934452538384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2170691934452538384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2170691934452538384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2170691934452538384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/sair-da-crise.html' title='Sair da crise*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3580814805669543646</id><published>2011-11-03T21:34:00.003Z</published><updated>2011-11-03T21:48:26.668Z</updated><title type='text'>O cronópio, enfim. Um bicharoco argentino</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2011/11/02/article-2056715-005BAA2300000258-440_468x313.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 468px; height: 313px;" src="http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2011/11/02/article-2056715-005BAA2300000258-440_468x313.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ar de esquilo, focinho estreito e comprido, caninos anormalmente grandes, olhos pequenos e peludo". Esta é, segundo os jornais, a descrição de um animal do tamanho de um rato cujo fóssil foi recentemente descoberto na Argentina. O tal mamífero terá vivido há 94 milhões de anos e parecer-se-ia com Scrat, o esquilo do filme "Idade do Gelo". Os cientistas chamaram-lhe Cronópio, como os seres imaginários inventados por Julio Cortázar; mais precisamente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cronopio dentiacutus&lt;/span&gt;. É uma bonita homenagem, mesmo se os leitores de Cortázar estivessem à espera de que os cronópios fossem semelhantes ao ser humano, apenas um pouco mais inteligentes, mais descontraídos e menos filhos da putinha do que os humanos comuns. Mas os famas devem, em todo o caso, estar carregadinhos de ciúmes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3580814805669543646?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3580814805669543646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3580814805669543646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3580814805669543646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3580814805669543646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/o-cronopio-enfim-um-bicharoco-argentino.html' title='O cronópio, enfim. Um bicharoco argentino'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8949781560780890068</id><published>2011-11-02T18:36:00.003Z</published><updated>2011-11-02T23:17:50.274Z</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#93</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 122px;" src="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dois titãs colidindo enquanto anoitecia, a modernidade e o mundo rural, ou o que dele resta, cruzaram-se no 502 das 17h33. De um lado do vidro do autocarro, imponente e clara, com os seus ângulos e os seus janelões hiperprafrentex, estava a Casa da Música. Do outro lado do vidro, conversando ao telemóvel, vinha um velho a falar de comprar frangos, mas frangos vivos, aqueles animais emplumados algures entre o pinto e o galo. O velho falava com alguém a quem chamava "linda", "linda" isto e "linda" aquilo, fazendo saber que os frangos custariam treze euros e qualquer coisa, e que não eram uns frangos quaisquer, uns pintos mal-nascidos e imberbes, mas animais que já comem couves e tudo e que se safam bem sozinhos. Duas questões, porém, ainda estavam pendentes. A saber: quereria a "linda" cinco ou seis frangos; e como garantir que, entre os frangos, não acabasse por vir alguma franga tresmalhada, uma futura galinha que depois se entretivesse por aí a insinuar os ovos junto de todo e qualquer galo que lhe aparecesse pela frente. Anoitecia, como disse, e, tomado pela soturnidade e pela melancolia da hora, como num poema de Cesário Verde, e pelo bucolismo do assunto, vim para casa a meditar muitíssimo nisto de, ao fim e ao cabo, também entre quem compra frangos vivos ser praticado o sexismo mais reles. Já vai sendo tempo, afinal, de as galinhas assumirem, de uma vez por todas, o lugar que lhes pertence na sociedade (sem ser o tacho da cabidela, quero dizer).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8949781560780890068?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8949781560780890068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8949781560780890068' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8949781560780890068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8949781560780890068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/cronicas-do-autocarro93.html' title='Crónicas do autocarro#93'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7625494497439789724</id><published>2011-11-02T15:39:00.001Z</published><updated>2011-11-03T15:40:19.961Z</updated><title type='text'>Pequena elucubração semiótica à roda do traseiro de Scarlett Johansson</title><content type='html'>&lt;a href="http://images.corriereobjects.it/gallery/Spettacoli/2011/09_Settembre/scarlett/1/img_1/scar_01_672-458_resize.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 362px; height: 318px;" src="http://images.corriereobjects.it/gallery/Spettacoli/2011/09_Settembre/scarlett/1/img_1/scar_01_672-458_resize.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Corriere dela Sera&lt;/span&gt; (coisa fina!), inteirei-me, enfim, das famosas fotografias privadas da actriz Scarlett Johansson, postas a circular por um &lt;em&gt;hacker&lt;/em&gt; que agora está a ser julgado em tribunal. Trata-se de um episódio cujo único detalhe edificante se prende com a possibilidade de confirmar (se necessário fosse) que Scarlett, a gaja, tem um traseiro firme e seios bonitos (ou vice-versa), e um telemóvel com máquina fotográfica. A coexistência destes três itens, segundo parece, gera uma espécie de tentação pela vertigem do automironismo narcísico, fenómeno que, apesar das minhas naturais limitações, posso compreender e até aceitar com certo carinho (lamentando, embora, que não existam no mundo &lt;em&gt;hackers&lt;/em&gt; suficientes para divulgarem todos os talentos inatos merecedores de prestígio internacional). Mas as fotografias de Scarlett parecem-me, isso sim, remeter para uma dimensão profundamente poética. Olhe-se por onde se olhar, a actriz aparece, nas imagens, tocada por uma melancolia profunda, sem truques, com uma borbulha na testa, um pouco desgrenhada e com olhos de quem acabou de acordar. É uma mulher normal, ou, pelo menos, uma mulher normal que tenha um traseiro firme e seios bonitos, mas que, apesar de toda a fama que tem e de todos os fotógrafos que já a fotografaram, chega a casa e, como qualquer ser humano enfadado e inseguro, enfrenta o desamparo da solidão e a necessidade inapelável de fotografar o próprio traseiro reflectido no espelho. Ninguém diga, pois, que está bem, mesmo se, à primeira vista, nada parece estar particularmente fora do sítio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7625494497439789724?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7625494497439789724/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7625494497439789724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7625494497439789724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7625494497439789724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/pequena-elucubracao-semiotica-proposito.html' title='Pequena elucubração semiótica à roda do traseiro de Scarlett Johansson'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-52068584731107260</id><published>2011-11-01T12:08:00.007Z</published><updated>2011-11-07T09:38:42.017Z</updated><title type='text'>Candy shop</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.choice.com.au/reviews-and-tests/money/shopping-and-legal/shopping/~/media/Images/Reviews/Money/Shopping%20and%20legal/2009/Online%20xmas%20shopping/Books_iStock_.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 343px; height: 350px;" src="http://www.choice.com.au/reviews-and-tests/money/shopping-and-legal/shopping/~/media/Images/Reviews/Money/Shopping%20and%20legal/2009/Online%20xmas%20shopping/Books_iStock_.ashx" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como qualquer insensato que se preze, dirigi-me ontem a uma livraria com o intuito de adquirir novo material de leitura, papel novo para juntar às pilhas de papel velho que vou amontoando por aí. As livrarias, porém, produzem em mim um efeito semelhante ao que as lojas de gomas induzem nas crianças (&amp; outros gulosos). Entro, vejo e quero todos — mesmo se é perfeitamente óbvio que jamais terei anos que cheguem para ler metade daquilo que gostaria. Havia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Retorno&lt;/span&gt; da Dulce Maria Cardoso, o Saramago resgatado ao esquecimento, a viagem de camioneta do Josep Pla, coisas novas e velhas do(s) Roth, os Frantzen que ainda não li, o Pinchon, o novo do Mário de Carvalho, um livrinho vermelho do Vila-Matas e eu sei lá mais o quê, se me deixasse estar ali mais cinco minutos não sei com quantos quilos a mais não sairia da livraria. Triunfaram os clássicos. Trouxe o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;À Espera no Centeio&lt;/span&gt;, do Salinger, na nova edição da Quetzal, e o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ferdydurke&lt;/span&gt; do Gombrowicz. Até ao Natal estamos conversados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-52068584731107260?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/52068584731107260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=52068584731107260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/52068584731107260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/52068584731107260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/11/candy-shop.html' title='Candy shop'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-9040653463160971840</id><published>2011-10-31T09:49:00.003Z</published><updated>2011-10-31T21:39:30.541Z</updated><title type='text'>A parábola da porca*</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.clipart.dk.co.uk/DKImages/farm/image_farm004.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 464px; height: 298px;" src="http://www.clipart.dk.co.uk/DKImages/farm/image_farm004.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei a crónica da semana passada com uma graçola que envolvia o presunto, mais concretamente o seu VII congresso mundial, mas não é por isso que agora aqui convoco o porco. Ou melhor: a porca. E não o faço, sequer, para recordar a peculiar personagem do romance &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Estranhos Perfumes&lt;/span&gt;, de Marie Darrieussecq, o qual, se bem me lembro, conta a história de uma mulher que se metamorfoseia em suína. A heroína desta crónica será, antes, uma prosaica reca de Terronhas, lugar da freguesia de Recarei, no concelho de Paredes, onde o acaso engendrou, parece-me, uma bonita parábola do tempo em que vivemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu mandasse alguma coisa, o caso da porca de Terronhas havia de ter sido lido nas homilias de domingo. Como não mando, limito-me a imitar os apóstolos e a contar a história mais ou menos como a li, há dias, numa página do &lt;em&gt;Jornal de Notícias&lt;/em&gt;. Era assim: um certo homem tinha comprado uma “porca caniça para sustento da casa”. Planeou, pois, a matança, da qual haveria de resultar uma boa quantidade de febras e rojões, carne para chouriças e pelos menos dois presuntos de lei. A fêmea, porém, tinha sido anteriormente emprenhada. Dela nasceram quinze porquinhos, acrescentando bastante à depauperada economia daquela família. O homem cogitou, entretanto, nova matança, mas os demais beneficiários do animal consideraram o caso e pareceu-lhes que talvez não fosse má ideia levar a porca ao porco, para ver se dali lhes vinha lucro ainda maior. E foi, pois, a suína posta ao porco varão, o qual, cumpridos os trâmites naturais, deixou a reca outra vez de esperanças. Nasceram-lhe, desta vez, vinte leitões. Como, porém, a porca dispõe apenas de catorze tetas, não era já capaz de amamentar todas as crias, as quais correm risco de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li a notícia e, influenciável como estou – com os nervos em franja e disponível para ir para a rua gritar –, pus-me a matutar no caso da porca. Pareceu-me, por exemplo, que a dita suína se assemelhava ao contribuinte-tipo lusitano, cuja existência, se formos a ver bem, se justifica pela necessidade de alimentar o seu legítimo proprietário, o Estado. Este descobre, por um golpe do acaso, que a porca pode render muito mais do que o inicialmente esperado, sendo capaz de se reproduzir e de, assim, gerar mais e mais receitas, e, consequentemente, sustentar mais e mais gastos, Mercedes para aqui e subvenção para ali, favorzinho deste lado e tachinho daquele, assim sucessivamente até ao ponto em que a porca-contribuinte já não é capaz de alimentar as crias, por manifesta falta de tetas para tanta boca esfomeada refocilando nos restos gastos da depauperada suína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo apenas uma notícia de jornal, e não um caso escrito no livro sagrado, o episódio da porca de Terronhas padece, porém, de um inconveniente desagradável. Ao contrário do que sucede nas parábolas da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Bíblia&lt;/span&gt;, como em Lucas 13:11, não virá nenhum milagreiro pôr a mão sobre a fronte da economia desgraçada e doente, que anda curvada há muitos anos e não pode de modo algum endireitar-se. A porca já deu o que tinha para dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 25 de Outubro de 2011 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-9040653463160971840?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/9040653463160971840/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=9040653463160971840' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/9040653463160971840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/9040653463160971840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/parabola-da-porca.html' title='A parábola da porca*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4617026094420182249</id><published>2011-10-28T22:56:00.005+01:00</published><updated>2011-10-29T22:58:19.118+01:00</updated><title type='text'>Um post muito vernacular (isto é uma advertência)</title><content type='html'>As tardes de sexta-feira parecem ser bastante animadas junto a uma pensão que existe na Rua de Fernandes Tomás. Ali tenho assistido invariavelmente, nas últimas vezes que por lá passei, a disputas envolvendo profissionais do sexo que exercem a sua actividade no local, invectivando-se ou insultando-se. Hoje, porém, a discussão também envolvia um homem, o qual ameaçava uma mulher que se preparava para subir para a motorizada de outro indivíduo. O caso, é como digo, não teria grande interesse se não fosse ilustrado por um português muitíssimo colorido e festivo, quase fogo-de-artifício verbal, pois o homem dizia à mulher alguma coisa como "da próxima vez que eu aqui passar e tu estiveres a meter piças, levas um par de estalos que te fodo, grande puta, vai-te lavar por baixo sua puta", tudo quase de um fôlego só, para grande gáudio os passantes que, como eu, se viram exemplarmente instruídos no mais coruscante vernáculo. Espero que o caso se tenha resolvido a bem, sem necessidade de estalos ou qualquer outra violência física. Pela parte que me toca, vou tentar lembrar-me do episódio de cada vez que o Relvas aparecer na televisão a defender que os trabalhadores recebam só doze salários, como na "Holanda, na Noruega e em Inglaterra". A menos que o indivíduo garanta imediatamente que os nossos salários vão ser equiparados aos holandeses, noruegueses e ingleses, parece-me que devemos mandá-lo meter aquela coisa e, já agora, lavar-se um bocadinho por baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4617026094420182249?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4617026094420182249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4617026094420182249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4617026094420182249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4617026094420182249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/um-post-muito-vernacular-isto-e-uma.html' title='Um post muito vernacular (isto é uma advertência)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3526681593754701223</id><published>2011-10-28T21:30:00.002+01:00</published><updated>2011-10-28T23:35:47.397+01:00</updated><title type='text'>Reencaminhamento (na hipótese totalmente improvável de isto poder interessar a alguém)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s1600/Mentira_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 128px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s200/Mentira_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654828174955865970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a informação sobre o coiso pode, a partir de agora, ser consultada  &lt;a href="http://marmelo.blogspot.com"&gt;num só sítio&lt;/a&gt;. Em actualização permanente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3526681593754701223?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3526681593754701223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3526681593754701223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3526681593754701223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3526681593754701223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/reencaminhamento.html' title='Reencaminhamento (na hipótese totalmente improvável de isto poder interessar a alguém)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s72-c/Mentira_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2295193058577246872</id><published>2011-10-25T22:32:00.004+01:00</published><updated>2011-10-25T22:44:52.313+01:00</updated><title type='text'>O caos postal transferido para Brasília</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://files.stv.tv/img/articles/218069-royal-mail-says-sorry-for-84000-complaints-about-mail-410x230.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 410px; height: 230px;" src="http://files.stv.tv/img/articles/218069-royal-mail-says-sorry-for-84000-complaints-about-mail-410x230.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos capítulos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma Mentira Mil Vezes Repetida&lt;/span&gt; é dedicado a uma história, ficcional como a generalidade das demais, na qual a cidade de Granada se vê a braços com um caos postal provocado por um carteiro baralhador, o qual impede que as cartas cheguem aos seus destinatários. Por uma dessas incríveis coincidências que conferem um cunho exótico a esta actividade, enviei em meados de Setembro um exemplar do romance para o Brasil, onde havia de chegar ao fim de uma semana para servir de presente a uma amiga na sua data de aniversário. O envelope, porém, ainda não chegou ao destino, aparentemente devido a uma greve dos correios brasileiros que se prolongou por cerca de um mês.  Seria, convenhamos, uma espantosa ironia se a história do caos postal de Granada não pudesse ser lida pela Patrícia por se ter o livro extraviado no decurso do caos postal de Brasília.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2295193058577246872?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2295193058577246872/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2295193058577246872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2295193058577246872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2295193058577246872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/o-caos-postal-transferido-para-brasilia.html' title='O caos postal transferido para Brasília'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4870654256232727083</id><published>2011-10-24T23:01:00.007+01:00</published><updated>2011-10-25T09:52:34.044+01:00</updated><title type='text'>Desabafo outonal (enquanto os trovões ribombam lá fora)</title><content type='html'>De vez em quando, mas já sem pudor nenhum, os eleitos declaram que ali estão para salvar o país e que é por isso que precisam de mais um impostozinho daqui e de mais uma contribuiçãozinha dali (ao que se juntará mais uma lei flexibilizadora e um ou outro arroubo liberal). Os homens providenciais, porém, irritam-me. Pior do que isso, tenho-lhe um certo receio. Fodem tudo, mas fazem-no sempre pelos motivos mais justos e em nome do superior interesse da pátria. Trata-se, na verdade, de uma velha cantiga. Os compêndios de História estão carregados de belíssimas intenções. Os romances também — como sucede com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A festa do chibo&lt;/span&gt;, do Mario Vargas Llosa, no qual se narra como Trujillo salvou a República Dominicana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No café, hoje de manhã, o dono já se queixava de que os empregados das Finanças e os polícias passaram a consumir com mais moderação. Imagina o homem que, apesar do aumento dos impostos, o Estado ainda vai conseguir arrecadar menos contribuições. É possível que não se engane muito, mas ninguém o ouvirá. Não é economista, não joga nos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;flippers&lt;/span&gt; da Bolsa de Valores, não tem casa na Foz, não é dono de um Porsche e, por isso, o que ele pense ou deixe de pensar interessa um boi aos que hão-de salvar a pátria, o euro e a união — e que vão recapitalizar a banca; é absolutamente fundamental que a banca se recapitalize.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no estaminé, comunicaram hoje que vários departamentos vão ser descontinuados (inclusivamente o meu). É possível, por isso, que também alguns postos de trabalho acabem por ser descontinuados. Mas podemos estar descansados que ninguém será despedido antes do final do ano, pelo menos até que as leis laborais não se apresentem mais favoráveis ao franco desenvolvimento da economia nacional e, outrossim, à salvação da pátria. Será, então, muito mais barato, e francamente mais progressista, darem-nos um chuto no cu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4870654256232727083?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4870654256232727083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4870654256232727083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4870654256232727083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4870654256232727083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/desabafo-outonal-enquanto-os-trovoes.html' title='Desabafo outonal (enquanto os trovões ribombam lá fora)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3806535994138978412</id><published>2011-10-24T08:29:00.000+01:00</published><updated>2011-10-24T08:29:00.431+01:00</updated><title type='text'>Vemo-nos em Ourique*</title><content type='html'>&lt;a href="http://lifeisreallybeautiful.com/wp-content/uploads/2011/10/Shoji-Tanaka-President-of-Cosmo-Power-crawls-out-of-the-Noah-earthquake-and-tsunami-shelter-at-the-companys-factory-in-Hiratsuka-west-of-Tokyo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 480px; height: 310px;" src="http://lifeisreallybeautiful.com/wp-content/uploads/2011/10/Shoji-Tanaka-President-of-Cosmo-Power-crawls-out-of-the-Noah-earthquake-and-tsunami-shelter-at-the-companys-factory-in-Hiratsuka-west-of-Tokyo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ouvi Pedro Passos Coelho declarar que “vivemos momentos da maior gravidade” e já não fui capaz de me conter: acabei o copo de vinho de uma golada, atirei com o jantar para o chão, disse à Blendina que se escondesse com os garotos debaixo da mesa e até tinha posto o capacete da motorizada e agarrado na esfregona – em pose de padeira de Aljubarrota, para o que desse e viesse e nenhum alienígena por ali passasse sem levar ao menos uma bordoada –, quando percebi que, afinal, se tratava só da conversa do costume: predispor-nos para a necessidade de continuar a dar palha ao insaciável animal das praças financeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da pose martirizada e do ar grave do senhor presidente do conselho de ministros, entendi, logo à segunda frase do discurso, que ali vinha mais uma longa dissertação versando o “estrangulamento financeiro da nossa economia” - e toma lá outra rodada de más notícias, que para isso temos nós as costas largas. Não fiquei particularmente aliviado, ainda assim, por saber que não tinha sido declarada a guerra dos mundos nem os marcianos estavam para aterrar na minha varanda carregados de pérfidas intenções. Houve um momento, aliás, em que desejei a chegada dos venusianos ou de outro bicho qualquer que nos livrasse, senhores, de todo o mal. E logo a seguir, mais racionalmente, ocorreu-me que não me parecia lá muito avisado usar a palavra “estrangulamento” num discurso assim. Um indivíduo ouve aquilo e põe-se logo com ideias ruins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já mais calmo, fui pousar a esfregona e, posto perante as desagradáveis novidades que o presidente do conselho anunciava, entendi tomar providências. Eu tinha lido, no dia anterior, a notícia sobre uma cápsula de fibra de vidro em amarelo berrante, inventada por uma empresa japonesa e destinada a proteger os cidadãos em caso de tsunami. Chamam-lhe, parece, Noé, numa alusão à arca do Velho Testamento, e tem espaço, no seu interior, para acomodar quatro pessoas e alguns víveres, com uma escotilha e dois orifícios para ventilação. Pensei, pois, que se a bolha japonesa aguenta a violência de um tsunami, há-de suportar também a gigantesca “onda de austeridade” que aí vem. Planeio, portanto, viver, agora sim, um pouco acima das minhas possibilidades e encomendar duas ou três cápsulas à Cosmo Power.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os meus cálculos estiverem certos, posso finalmente aproveitar a oferta de um banco que regularmente me telefona anunciando que disponho de crédito pré-aprovado. Poderei, assim, pagar a primeira prestação das cápsulas e meter-me lá dentro com a família toda, mais os gatos e uma cabra que temos na varanda (satisfeitíssima e sorridente), e aguardar calmamente que a crise passe. Já não espero grande coisa de 2012 e creio até que podemos bem passar sem os jogos do Europeu de Futebol. Mas, francamente, estamos muito empenhados, lá em casa, em chegarmos vivos a 2013, quando Ourique estiver engalanada para acolher o VII Congresso Mundial do Presunto. É essencial manter o optimismo: se o dinheiro não chegar para a gasolina, vamos de bolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 18 de Outubro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3806535994138978412?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3806535994138978412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3806535994138978412' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3806535994138978412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3806535994138978412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/vemo-nos-em-ourique.html' title='Vemo-nos em Ourique*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-698387573431893669</id><published>2011-10-23T18:04:00.003+01:00</published><updated>2011-10-23T23:18:20.822+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#92</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 122px;" src="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autocarro que sobe o Campo Alegre vindo do miolo do bairro operário pode até não ter as mais lindas garotas da cidade, mas tem, e isso é absolutamente certo, as mais desbocadas e desconcertantes. Um dia destes, ainda o Outono mostrava a sua feição mais amigável, vinham duas amigas, ambas adolescentes e escanzeladas, a conversar no banco de trás da viatura. Debatiam as moças, ao que consegui entender, o comportamento de um determinado concorrente de uma coisa em forma concurso que passa na televisão em horário nobre. O não sei quantos cujo nome não quero recordar é, pelos vistos, um indivíduo acometido pelo estigma da homossexualidade, coisa que fiquei a saber quando uma das raparigas afirmou peremptoriamente que o dito cujo é “guéie” (e não já “paneleiro”, como traumaticamente acontecia aos homossexuais de antigamente). Ora, explicou a moça, o tal “guéie” é evidentemente “guéie” pelo simples facto de, no referido programa, não se chegar nunca às "gaijas" e preferir a companhia dos "gaijos". Se para mais não servir, a eloquente análise da adolescente demonstra que, nos tempos que correm, um tipo já nem sequer pode estar sossegado numa tasca a beber finos, comer tremoços, discutir a bola e coçar as partes. Um gajo que é gajo, e que não queira passar imprudentemente por “guéie”, tem que se chegar às "gaijas" – nem que seja para aprender a pintar as unhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-698387573431893669?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/698387573431893669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=698387573431893669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/698387573431893669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/698387573431893669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/cronicas-do-autocarro92.html' title='Crónicas do autocarro#92'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8361017566953103200</id><published>2011-10-23T17:40:00.000+01:00</published><updated>2011-10-23T17:41:53.409+01:00</updated><title type='text'>Criatura nativa dos transportes públicos, o coiso também viajou na rede da Estação das Artes da RTP Informação</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s1600/Mentira_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 128px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s200/Mentira_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654828174955865970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver &lt;a href="http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=24937&amp;c_id=1&amp;dif=tv&amp;idpod=65243"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8361017566953103200?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8361017566953103200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8361017566953103200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8361017566953103200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8361017566953103200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/criatura-nativa-dos-transportes.html' title='Criatura nativa dos transportes públicos, o coiso também viajou na rede da Estação das Artes da RTP Informação'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s72-c/Mentira_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5206382849306396134</id><published>2011-10-22T14:22:00.003+01:00</published><updated>2011-10-23T16:41:54.962+01:00</updated><title type='text'>Senhora!, pague-me uma sopa!</title><content type='html'>Não sei há quantos anos ouço e vejo essa mulher andrajosa, de ar tresloucado, que aborda na rua todos os que com ela se cruzam e berra aquele “senhora!, pague-me uma sopa, senhora! pague-me uma sopa”, olhando-nos com olhos celerados, febris, doentes, apontando-nos um dedo acusador, incriminador, como se fôssemos de algum modo responsáveis pelo estado a que ela chegou, desgrenhada, suja e muito magra, e por todas as sopas que ela não comeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ouvi-a apenas, muito sentado na minha cadeira do restaurante, diante do meu prato de rojões, do meu copo de vinho – ouvi a sua voz lá fora, na rua, repetindo aquele quase ameaçador “senhora!, pague-me uma sopa, senhora! pague-me uma sopa”, e creio que só agora me apercebi de que não sei nada sobre esta mulher que frequentemente encontro na rua, que nunca falei com ela e nem sequer sei como se chama. Só sei que pede sopas e que parece o mais lamentável dos seres humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que lhe tenho medo e não sei bem porquê. Evito-a. Mas não creio que evite apenas pagar-lhe a sopa. Pusilânime como sou, talvez adie o momento em que terei de olhá-la nos olhos, ver realmente visto o ser humano louco que pede sopas e reconhecer nela um mundo que não quero ver, de modo a poder continuar a viver naquele em que pacatamente me encerro, fecho e tranco, barricando-me contra toda a loucura e toda a pobreza que haja lá fora, procurando evitar que me contaminem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela mulher que pede sopas há-de ter uma história que a humanize e transforme num de nós. Ignorá-la é, pois, e sobretudo, uma forma de continuar a viver na ilusão de que ela é o outro, de um outro mundo do qual eu não faço parte - o que é só um engano, evidentemente, e uma ilusão provisória. Escutá-la sem ver a sua triste figura fez-me ter a certeza disto. Lá fora, pedindo sopa, qualquer um usaria as mesmas palavras que ela utiliza: Senhora!, pague-me uma sopa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5206382849306396134?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5206382849306396134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5206382849306396134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5206382849306396134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5206382849306396134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/senhora-pague-me-uma-sopa.html' title='Senhora!, pague-me uma sopa!'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-3578615165420272000</id><published>2011-10-22T12:37:00.002+01:00</published><updated>2011-10-22T14:39:02.501+01:00</updated><title type='text'>O coiso também no suplemento Q. do DN, sugerido pelo Valter Hugo Mãe</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bHi5LxrHipw/TqLHb3tqe5I/AAAAAAAAAew/XVwxOWEDEhw/s1600/22102011146.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 278px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-bHi5LxrHipw/TqLHb3tqe5I/AAAAAAAAAew/XVwxOWEDEhw/s400/22102011146.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666310562811378578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-3578615165420272000?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/3578615165420272000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=3578615165420272000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3578615165420272000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/3578615165420272000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/o-coiso-tambem-no-suplemento-q-do-dn.html' title='O coiso também no suplemento Q. do DN, sugerido pelo Valter Hugo Mãe'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bHi5LxrHipw/TqLHb3tqe5I/AAAAAAAAAew/XVwxOWEDEhw/s72-c/22102011146.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7493008491636259263</id><published>2011-10-21T21:29:00.001+01:00</published><updated>2011-10-21T21:31:43.041+01:00</updated><title type='text'>Não querendo tornar-me aborrecido, o coiso, mais o seu desdentado autor, também estiveram na Antena 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s1600/Mentira_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 128px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s200/Mentira_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654828174955865970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir  &lt;a href="http://mp3.rtp.pt/mp3/wavrss/at1/1600164_99589-1110211005.mp3"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7493008491636259263?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7493008491636259263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7493008491636259263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7493008491636259263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7493008491636259263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/nao-querendo-tornar-me-aborrecido-o.html' title='Não querendo tornar-me aborrecido, o coiso, mais o seu desdentado autor, também estiveram na Antena 1'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s72-c/Mentira_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8318835077076377532</id><published>2011-10-21T12:00:00.001+01:00</published><updated>2011-10-21T12:02:19.128+01:00</updated><title type='text'>Pela madrugada! Eis o coiso acometido pelo pecado da soberba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-6las4PyKpsE/TqFRIrS-aBI/AAAAAAAAAek/dHU0X8grJfM/s1600/21102011145.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-6las4PyKpsE/TqFRIrS-aBI/AAAAAAAAAek/dHU0X8grJfM/s400/21102011145.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665899015711909906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, no ípsilon&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8318835077076377532?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8318835077076377532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8318835077076377532' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8318835077076377532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8318835077076377532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/pela-madrugada-eis-o-coiso-acometido.html' title='Pela madrugada! Eis o coiso acometido pelo pecado da soberba'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6las4PyKpsE/TqFRIrS-aBI/AAAAAAAAAek/dHU0X8grJfM/s72-c/21102011145.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-8961307031101575677</id><published>2011-10-20T17:50:00.002+01:00</published><updated>2011-10-20T17:54:35.897+01:00</updated><title type='text'>O abracadabrante caso do imortal (e veloz) Jeremias Coelho*</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.coolrunning.com.au/ultra/cliffie.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 386px;" src="http://www.coolrunning.com.au/ultra/cliffie.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é muito certo como este caso começou, mas há ainda quem dê fé de que Jeremias Coelho era, em moço, um rapaz que parecia infatigável. Nunca transpirava e raramente dormia que não fosse só um breve passar pelas brasas. Cinco ou dez minutos de sono bastavam-lhe para acordar como novo e parecia que só por desfastio se dava ao trabalho de fechar os olhos. No resto do tempo andava sempre correndo de uma tarefa para a outra, de tal modo que se ficava cansado só de estar parado a vê-lo passar para cá e para lá. Às vezes relinchava para imitar os cavalos, outras roncava como as motoretas. Diz-se também que o garoto não jogava com o baralho todo, por andar sempre naquelas corridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia — e é verdadeiramente espantosa a quantidade de episódios esdrúxulos que sucedem em dias assim agradáveis —, Jeremias Coelho acordou do seu brevíssimo sono e, sem ter nada de especial para fazer, lembrou-se de começar a correr sem rumo. E nunca mais parou. Terá já dado várias voltas ao mundo e diz-se ainda que não existe estrada ou caminho por onde Jeremias não tenha passado por mais de uma vez. Da China ao Burkina Faso, da Índia às Américas, das estepes geladas do Norte às estepes estioladas do Sul, várias multidões o viram passar. Em alguns locais mais remotos, os xamãs predisseram que o mundo acabaria quando um homem branco por lá voltasse a passar correndo. Noutros, a passagem de Jeremias era recebida como um bom presságio, anunciando anos húmidos e colheitas fartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, porém, os anos transcorriam sem que Jeremias Coelho parasse em lado nenhum onde pudesse dedicar-se a envelhecer e a morrer como as outras pessoas, a própria Morte determinou a necessidade de lhe sair ao caminho para forçá-lo a deter-se e a vergar-se à ordem natural das coisas. O problema estava todo em apanhá-lo, porém. Duas ou três vezes a Morte se postou no meio da estrada, de foice na mão e fazendo sinal a Jeremias para que parasse, mas ele nem sabia já o que era estar com ambos os pés assentes no chão. Ela viu-o chegar, passar e afastar-se, consta que acenando com a ponta dos dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jeremias continua, pois, vivo e correndo, o que deveras contraria a Morte, mesmo se não tem remédio a dar à questão. Nunca se viu, em tempo algum, a Morte trotando em sapatilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;*conto publicado na The Printed Blog Portugal de Setembro&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-8961307031101575677?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/8961307031101575677/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=8961307031101575677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8961307031101575677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/8961307031101575677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/o-abracadabrante-caso-do-imortal-e.html' title='O abracadabrante caso do imortal (e veloz) Jeremias Coelho*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-1270645305917345674</id><published>2011-10-19T16:56:00.003+01:00</published><updated>2011-10-19T17:22:50.366+01:00</updated><title type='text'>Pois parece que o coiso até já foi a França</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s1600/Mentira_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 128px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s200/Mentira_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654828174955865970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vejam lá que o Nuno Casimiro, eventualmente influenciado pelos ares ásperos do Norte, comete a imprudência de lhe chamar  &lt;a href="http://dactilografo.livejournal.com/497102.html"&gt;magistral&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-1270645305917345674?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/1270645305917345674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=1270645305917345674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1270645305917345674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/1270645305917345674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/pois-parece-que-o-coiso-ate-ja-viajou.html' title='Pois parece que o coiso até já foi a França'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s72-c/Mentira_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7259070845307445512</id><published>2011-10-19T12:27:00.003+01:00</published><updated>2011-10-19T12:32:28.432+01:00</updated><title type='text'>Isto do saudosismo também dá algumas voltas</title><content type='html'>Estou um pouco convencido de que os políticos que nos têm governado confiam demasiado no desabafo de alguns indivíduos que, em táxis e assim, declaram solenemente que “este país precisa é de outro Salazar”. Talvez até seja verdade que há uma percentagem de portugueses saudosistas dessa noite negra, mas relativamente sossegada, que foi o Estado Novo. Todavia, a quantidade de paulada que temos levado nas costas pode começar a alterar aquela perspectiva. Num tempo em que todas as conquistas sociais da democracia estão ameaçadas e em que já não sabemos para que servem os impostos que pagamos, escutei um homem que, num pequeno comício na paragem do autocarro, declarava para quem o quisesse ouvir que o único governante que fez alguma coisa de jeito foi o Vasco Gonçalves. O Vasco Gonçalves, tomem nota. Talvez seja por isso que, no sábado, não faltava gente na Baixa a gritar outra vez que "o povo unido jamais será vencido".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7259070845307445512?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7259070845307445512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7259070845307445512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7259070845307445512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7259070845307445512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/isto-do-saudosismo-tambem-da-algumas.html' title='Isto do saudosismo também dá algumas voltas'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6146796675480180849</id><published>2011-10-17T08:50:00.002+01:00</published><updated>2011-10-17T08:50:00.264+01:00</updated><title type='text'>Escrito nas estrelas*</title><content type='html'>&lt;a href="http://files.catastrofesnaturaiss.webnode.pt/200000014-e4e14e55e2/meteoros.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 207px;" src="http://files.catastrofesnaturaiss.webnode.pt/200000014-e4e14e55e2/meteoros.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso acabar com esta pouca vergonha. Em menos de dois meses, as pessoas que se dedicam profissionalmente à tarefa de observar o universo anunciaram nos jornais a ocorrência de copiosas chuvas de estrelas. Todavia, nem a 13 de Agosto se viram as prometidas Perseidas que haviam de cruzar os céus num festivo fogo-de-artifício, nem no fim-de-semana passado as multidões insones que ficaram perscrutando o firmamento nocturno conseguiram vislumbrar o que quer que fosse dos rastos incandescentes do cometa Giacobini-Zinner. Havia de ser, também desta vez, um espantoso fenómeno visível a olho nu, uma chuva de fulgurantes dracónidas, mas, afinal, não se viu coisa nenhuma. Há indivíduos que reclamam ter visto traços de luz esporádicos no céu, mas deviam ser aviões. Ou pirilampos muito atrevidos e dados à paródia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após cada um dos desaires, os cientistas atribuíram o fracasso do espectáculo celeste ao brilho da lua cheia, fazendo lembrar bastante a atitude adoptada pelos benfiquistas de cada vez que perdem um campeonato (tenho quase a certeza de que os astrónomos crêem igualmente que a próxima chuva de estrelas correrá muito melhor do que esta). Por outro lado, estes farsantes também se parecem muito com os políticos: são mantidos pelo erário público, raramente se pode acreditar naquilo que prometem e não primam pela competência. Que crédito, afinal, deve ser tributado a alguém que diz ser capaz de prever uma chuva de estrelas mas não consegue perceber que está lua cheia? Não admira, assim, que os astrónomos sejam frequentemente confundidos com os astrólogos da bola de cristal; e que ninguém consiga levar muito a sério as descobertas que afirmam fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há quinze dias, por exemplo, se anunciou que os neutrinos são capazes de viajar a 299.798 quilómetros por segundo, superando a velocidade da luz (299.792 quilómetros por segundo), que se acreditava ser a coisa mais rápida e a única constante de todo o universo. O que devemos fazer? Acreditamos nos astrónomos e mergulhamos na incerteza absoluta da relatividade, imaginando mesmo que o céu nos pode cair ainda hoje sobre a cabeça? Ou encolhemos os ombros o mais indiferentemente que formos capazes, assobiamos para o lado e pensamos alguma coisa como: “Lá estão os maluquinhos das chuvas de estrelas a ver se nos estragam um dia tão catita”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Custa-me muito colocar assim em causa a dignidade de outros profissionais, mas é evidente que os astrónomos não servem para nada. Se, como escreveu Fernando Pessoa, “o sol doira sem literatura”, os astros parecem também perfeitamente capazes de se aguentarem lá em cima sem os cálculos complicados dos astrofísicos e de outros charlatães. A Bélgica, por exemplo, está há 483 dias sem governo e parece que as coisas nem sequer têm corrido mal. Ainda não abriram brechas no chão, nem começaram a chover gafanhotos. Agora que já há acordo para a formação de um executivo, anunciam, porém, que vão salvar um banco da falência – apesar de qualquer leigo ser capaz de ver que a lua está cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Crónica publicada no P2 do Público, no dia 11 de Outubro de 2011&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6146796675480180849?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6146796675480180849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6146796675480180849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6146796675480180849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6146796675480180849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/escrito-nas-estrelas.html' title='Escrito nas estrelas*'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-4767759294969339609</id><published>2011-10-16T17:43:00.002+01:00</published><updated>2011-10-16T18:01:59.983+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#91</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 122px;" src="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autocarro, às vezes, prolonga-se para lá do vidro que se há-de quebrar em caso de emergência — como se o quotidiano da viatura de transportes públicos estivesse necessitada do sopro fresco da vida lá de fora. No interior há uma senhora que gaba a excelência dos materiais de limpeza postos à disposição das serviçais da EDP, onde, parece, existem rolos de esfregão de aço grandes como bidões. Tiro as medidas pelo gesto circular que a mulher faz, largo, mas logo me prende a atenção a moça prenha de calças em padrão felino, a qual oferece à amiga uma imagem da ecografia do seu futuro moço, as imagens já cortadas e juntas na mão como os cromos para troca. A mãe da moça diz que paga uma ecografia 3D, ou algo assim, mas eis que, lá fora, passa uma moça conduzindo de saia curta, as pernas visíveis manobrando a embraiagem e o travão, endurecendo-se o músculo firme quando ela pisa o pedal do acelerador. Pele morena, manhã de sol. Logo, num carro parado no semáforo, uma mulher levanta o braço e cheira o sovaco, minuciosa, não vá o calor revelar alguma coisa do banho que se não tomou ou a falta do desodorizante. Nova paragem e é o próprio edil, Rui Rio, que passa no Mercedes com as cortininhas corridas para baixo para que o povo o não veja nem aborreça. O edil folheia o jornal, mas, na verdade, mais parece que está atirando ao ar as folhas em fúria, que tem vontade de as rasgar ou morder. O que terá irritado assim o senhor presidente? Não saberão que as más notícias fazem mal ao coração de um homem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-4767759294969339609?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/4767759294969339609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=4767759294969339609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4767759294969339609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/4767759294969339609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/cronicas-do-autocarro91.html' title='Crónicas do autocarro#91'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2399650752561718943</id><published>2011-10-14T22:06:00.002+01:00</published><updated>2011-10-14T22:08:49.033+01:00</updated><title type='text'>A partir de hoje nas livrarias está também esta inocente velharia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-pVMmZ7rBgXw/TpikxzjJ6UI/AAAAAAAAAdo/cyncH7hfLfA/s1600/9208643_d89UK.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-pVMmZ7rBgXw/TpikxzjJ6UI/AAAAAAAAAdo/cyncH7hfLfA/s400/9208643_d89UK.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663457706976602434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2399650752561718943?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2399650752561718943/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2399650752561718943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2399650752561718943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2399650752561718943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/partir-de-hoje-nas-livrarias-esta.html' title='A partir de hoje nas livrarias está também esta inocente velharia'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-pVMmZ7rBgXw/TpikxzjJ6UI/AAAAAAAAAdo/cyncH7hfLfA/s72-c/9208643_d89UK.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-7425421216670266374</id><published>2011-10-14T13:29:00.007+01:00</published><updated>2011-10-22T16:21:29.716+01:00</updated><title type='text'>Pois o coiso, saído da casca como tem andado, sai hoje também no ípsilon e colhe mais quatro estrelas (actualizado)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rhR8psoSAm8/Tpgrc0ySKWI/AAAAAAAAAdc/sl6lQDb1KFk/s1600/14102011144.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-rhR8psoSAm8/Tpgrc0ySKWI/AAAAAAAAAdc/sl6lQDb1KFk/s400/14102011144.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663324305624279394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com as contas da &lt;a href="http://quetzal.blogs.sapo.pt/306955.html"&gt;Quetzal&lt;/a&gt;, são já doze estrelas. Espero que não paguem nenhum imposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fotografias do ípsilon, bem como algumas imagens da sessão de lançamento do livro, estão disponíveis no &lt;a href="http://fotospress.blogspot.com/2011/10/apresentacao-do-novo-livro-do-escritor.html"&gt;Fotopress&lt;/a&gt; do grande Paulo Pimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coiso também teve direito a recensão no jornal &lt;a href="http://www.labor.pt/index.asp?idEdicao=297&amp;id=15474&amp;idSeccao=3194&amp;Action=noticia"&gt;Labor&lt;/a&gt; e o respectivo autor respondeu a três perguntas no site &lt;a href="http://novoslivros.blogspot.com/2011/10/manuel-jorge-marmelo-uma-mentira-mil.html"&gt;Novos Livros&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-7425421216670266374?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/7425421216670266374/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=7425421216670266374' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7425421216670266374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/7425421216670266374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/pois-o-coiso-saido-da-casca-como-tem.html' title='Pois o coiso, saído da casca como tem andado, sai hoje também no ípsilon e colhe mais quatro estrelas (actualizado)'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-rhR8psoSAm8/Tpgrc0ySKWI/AAAAAAAAAdc/sl6lQDb1KFk/s72-c/14102011144.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-2215750559168091685</id><published>2011-10-13T11:31:00.002+01:00</published><updated>2011-10-13T11:33:41.554+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#90</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 122px;" src="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me esta manhã ao lado de um velho encantador e muito digno, com a pele curtida e morena semeada de manchas e crostas, as mãos ásperas e um fato de bombazina em castanho-escuro. Debaixo do banco, o homem trazia um balde preto e muito gasto, parecido com aqueles que se vêem nas obras a acartar areia e cimento. Dentro do balde viam-se vários sacos de plástico, mas suponho que lá houvesse mais alguma coisa, pois, quando o velhote saiu do autocarro, o balde pareceu-me pesado. As irmãs das limpezas e das tatuagens vinham muito divertidas com o artefacto, olhavam-no de soslaio, faziam risinhos e comentavam, como se o velho fosse mouco, que uma coisa daquelas “só filmada”. Eu, por acaso, até concordo. Um dia destes encho-me de coragem e tiro um retrato à irmã mais nova, que é a mais gorda e modernaça, e tem mais tatuagens, mas que nem me atrevo a descrever – ninguém acreditaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-2215750559168091685?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/2215750559168091685/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=2215750559168091685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2215750559168091685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/2215750559168091685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/cronicas-do-autocarro90.html' title='Crónicas do autocarro#90'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-6103384396714839795</id><published>2011-10-11T21:50:00.005+01:00</published><updated>2011-10-11T22:11:21.401+01:00</updated><title type='text'>Crónicas do autocarro#89</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 122px;" src="http://www.avozdeermesinde.com/fotos/77/1380.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, e para promover o objecto de leitura a que carinhosamente designo por "coiso", estive duas vezes no autocarro acompanhado de câmaras de filmar. Foi uma tontice, na medida em que permiti que se invertesse a ordem natural das coisas. Em vez de observar e escutar, vi-me na posição dos fenómenos anormais dos circos de antigamente. Eu tentava explicar o que podia sobre o romance que também anda de autocarro, os  utentes olhavam-me como que procurando avaliar o tamanho da minha estupidez e a dimensão da minha bizarria. É muito bem feito — para eu aprender a não ir ali armado aos cágados para, depois, vir contar o que vi e o que não vi, o que supus ou o que imaginei a partir do que tivesse visto. Não interessa. A presença dos cinegrafistas desmascarou-me enquanto corpo estranho à comunidade humilde do autocarro. Sou, de certo modo, um alienígena; um alienígena que observa e comete a indiscrição de contar. Ignoro, pois, se as coisas voltarão a ser como antes, se consigo recuperar a condição de utente discreto e sossegado, de cromo que não merece nenhuma atenção, mas, para que o castigo fosse ainda mais completo, voltei hoje ao autocarro e dispus-me a escutar a conversa das irmãs das limpezas e das tatuagens, a qual versava, isso ainda percebi, sobre telemóveis 3G, videochamadas e coisas assim. A gripe, porém, entupiu-me de tal maneira o nariz que tive que me concentrar em respirar. Para ser pior, só se as moças me derem, um dia destes, um enxerto de lenha para ajustarem contas comigo. E corpo para isso têm elas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-6103384396714839795?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/6103384396714839795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=6103384396714839795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6103384396714839795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/6103384396714839795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/cronicas-do-autocarro89.html' title='Crónicas do autocarro#89'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2964033090187992643.post-5207684301082335539</id><published>2011-10-10T14:50:00.000+01:00</published><updated>2011-10-10T14:51:57.923+01:00</updated><title type='text'>O coiso está hoje na Inculta TV</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s1600/Mentira_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 128px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s200/Mentira_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654828174955865970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, enfim, chegou a vez de a televisão mais &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt; de ambos os hemisférios dar uma voltinha do famoso 502 da STCP. Ver  &lt;a href=" http://www.inculta.tv/show/2340-Jorge-Marmelo"&gt;aqui &lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2964033090187992643-5207684301082335539?l=teatro-anatomico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/feeds/5207684301082335539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2964033090187992643&amp;postID=5207684301082335539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5207684301082335539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2964033090187992643/posts/default/5207684301082335539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatro-anatomico.blogspot.com/2011/10/o-coiso-esta-hoje-na-inculta-tv.html' title='O coiso está hoje na Inculta TV'/><author><name>M.J.Marmelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01650657183496655861</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ZPe6GAo2GyM/Tnn8Q7odZ3I/AAAAAAAAAc0/RdcPlJls_OU/s72-c/Mentira_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
